A segurança pública emerge como o tema central nas preocupações do eleitorado brasileiro, conforme revelado por recentes levantamentos. Dados indicam que a violência supera outras questões críticas, como economia, saúde e corrupção, na mente dos votantes, posicionando-se como um fator decisivo nas próximas eleições.
Este cenário reflete uma realidade alarmante no país, onde, apesar de uma leve queda no número de mortes violentas, os índices de criminalidade permanecem em patamares elevados. A percepção de insegurança é amplificada pela presença de facções criminosas em diversas comunidades, afetando a vida de milhões de cidadãos.
A violência como prioridade máxima do eleitorado brasileiro
Uma pesquisa recente da Quaest aponta que um terço dos brasileiros (33%) considera a violência sua maior preocupação ao se dirigir às urnas. Esse índice é significativamente superior ao de outros temas relevantes, que não atingem sequer metade da atenção dedicada à segurança pública. A dimensão dessa preocupação é corroborada pelos dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, que, embora registre uma diminuição nas mortes violentas, ainda contabilizou mais de 40 mil assassinatos em 2025.
A persistência de altos índices de criminalidade, incluindo feminicídios, roubos e furtos de celulares, além de estelionatos e crimes cibernéticos, contribui para a sensação de insegurança generalizada. Estima-se que quase 70 milhões de pessoas no Brasil residam em bairros onde há presença de facções criminosas, evidenciando a capilaridade do problema.
Panorama da criminalidade: feminicídios, roubos e a presença de facções
O Brasil enfrenta um complexo desafio na área da segurança, com diferentes modalidades de crimes impactando a população. Os feminicídios, por exemplo, continuam a ser uma chaga social, refletindo a violência de gênero que assola o país. Paralelamente, a criminalidade urbana se manifesta em roubos e furtos de celulares, que se tornaram frequentes e geram grande apreensão entre os cidadãos.
A ascensão dos crimes cibernéticos e estelionatos também representa uma nova fronteira para as forças de segurança, exigindo estratégias atualizadas e maior investimento em tecnologia. A presença e a atuação de facções criminosas em diversas regiões do país não apenas elevam os índices de violência, mas também corroem a confiança nas instituições e a sensação de bem-estar social.
Propostas dos candidatos para enfrentar a crise da segurança pública
Diante da centralidade da violência no debate eleitoral, os candidatos apresentam diversas propostas para lidar com a crise da segurança pública. Entre as ideias defendidas pelos presidenciáveis, destacam-se a cooperação com países vizinhos e o uso de tecnologia avançada para combater o crime nas fronteiras, visando desarticular rotas de tráfico e contrabando.
No espectro das soluções, alguns candidatos propõem abordagens mais incisivas, como a defesa da prisão de criminosos e a declaração de uma “guerra” ao crime organizado. Outras propostas incluem a criação de leis específicas contra o terrorismo doméstico e a ampliação do número de vagas em presídios. Há também discussões sobre a adoção de modelos de segurança inspirados em outros países, embora com ressalvas, e a defesa de intervenções em estados com altos índices de criminalidade.
Análise especializada sobre estratégias de combate à violência
Para aprofundar o debate sobre as propostas e os desafios da segurança pública, o podcast O Assunto dedicou um episódio especial ao tema. A jornalista Isabela Leite, com vasta experiência na cobertura de segurança pública brasileira, compartilhou sua análise sobre as diferentes estratégias apresentadas pelos candidatos. O programa também contou com a contribuição de diversos especialistas, que ofereceram perspectivas multifacetadas sobre o problema.
Entre os convidados, estavam Alessandro Visacro, analista de Segurança Pública; Bruno Langeani, do Instituto Sou da Paz; Bruno Paes Manso, pesquisador em Segurança Pública; Luciana Rocha, juíza responsável pela Coordenadoria da Mulher do TJDFT; Renato Sérgio de Lima, diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública; e Roberto Uchôa, pesquisador e conselheiro do Fórum. A discussão abordou desde a complexidade do crime organizado até a necessidade de políticas públicas eficazes para a proteção de grupos vulneráveis.
