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PCC: Operação policial mira ex-vereador Milton Leite e suposta infiltração em transportes de SP

Uma operação policial de grande porte, denominada Vectura Corrupta, foi deflagrada nesta quinta-feira (17) em São Paulo para investigar a suposta infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) em empresas de transporte coletivo e em estruturas do poder público. Entre os alvos da ação está o ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite, do União Brasil. A investigação, conduzida pela Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (DISE) de Mogi das Cruzes, representa um desdobramento de apurações anteriores que revelaram a complexidade e a abrangência da atuação da facção criminosa no estado.

A operação atual cumpre 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão em diversas cidades paulistas, incluindo a capital, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão. As autoridades suspeitam que o grupo criminoso tenha atuado em múltiplas frentes, como empresas de transporte, processos licitatórios, articulações políticas e financiamento de campanhas eleitorais, buscando expandir sua influência e controle.

Origem da investigação e desdobramentos

A Operação Vectura Corrupta tem suas raízes na Operação Decurio, iniciada em 2024 pela mesma DISE de Mogi das Cruzes. Segundo o delegado Fabricio Intelizano, que participou das investigações em 2024, o caso teve início após a apreensão de cerca de 30 quilos de drogas em Itaquaquecetuba. A partir dessa apreensão, foi possível identificar diversas pessoas com envolvimento no Primeiro Comando da Capital, incluindo indivíduos em níveis hierárquicos elevados e colaboradores na comunicação da facção.

A apuração avançou significativamente com a extração de dados do celular da mulher de um dos líderes da organização criminosa. Naquele período, foram cumpridos 20 mandados de prisão temporária e 60 de busca e apreensão em 15 cidades do estado de São Paulo, resultando na prisão de ao menos 13 pessoas. A investigação da Decurio também revelou indícios de que indivíduos ligados à facção estariam atuando no financiamento de candidatos nas eleições municipais de 2024, visando influenciar o cenário político local.

Como um desdobramento dessas apurações, a Polícia Civil e o Ministério Público realizaram a Operação Contaminatio em abril de 2026. Esta etapa focou na investigação de uma fintech que, segundo as autoridades, seria utilizada pelo PCC. O objetivo seria permitir a entrada da organização em administrações municipais para atuar na gestão do recebimento de tributos e taxas, ampliando ainda mais seu poder econômico e político.

Alvos e conexões suspeitas

Além de Milton Leite, a investigação mira outras figuras proeminentes, como o ex-presidente da SPTrans, Levi dos Santos Oliveira, e o ex-candidato à Prefeitura de Praia Grande, Danilo Marco Morgado Silva, do PL. A polícia lista um total de 17 pessoas com diferentes níveis de envolvimento e funções atribuídas na investigação, que abrange desde empresários até advogados e políticos.

Uma frente específica da operação investiga a chamada “Sintonia dos Gravatas”, um núcleo que, de acordo com a Polícia Civil, reuniria advogados que atuariam em benefício da organização criminosa, supostamente ultrapassando os limites do exercício profissional. Entre os investigados nesta frente estão Cícero José dos Santos Filho, Eduardo Medeiros e Milton Mello Milreu. A apuração sugere que escritórios e contas bancárias teriam sido utilizados para reuniões, movimentações financeiras e outras atividades de interesse do PCC. José Daniel Satilite, conhecido como Alemão, é apontado como um intermediário entre empresários, advogados, políticos e integrantes da facção.

Infiltração no transporte coletivo

A Operação Vectura Corrupta, em sua fase de 2026, investiga a possível infiltração do PCC no sistema de transporte coletivo da capital paulista. A apuração indica que 12 das 22 empresas que operam o sistema de transporte coletivo de São Paulo seriam, em tese, controladas direta ou indiretamente pela facção. As empresas citadas são: Viação Transcap, Alfa Rodobus, Transwolff, A2 Transportes, Imperial Transportes, Move Bus, Pêssego Transportes, Allianz Transportes, Transunião, Qualibus Transportes, Norte Bus e Spencer Transportes.

Algumas dessas empresas já haviam sido alvo de investigações anteriores sobre a atuação do PCC no setor. A Transwolff, por exemplo, foi investigada na Operação Fim da Linha, que levou à prisão de seu então presidente, Luiz Carlos Efigênio Pacheco, conhecido como Pandora, sob suspeita de vínculos com a facção. Após a operação de 2024, a investigação aponta que a Alfa Rodobus e a Sancetur assumiram operações que eram realizadas pela Transwolff e UpBus.

Metodologia da apuração e contexto legal

A investigação é fundamentada na análise de aparelhos eletrônicos, documentos e informações financeiras coletadas ao longo das apurações. As autoridades ressaltam que as suspeitas estão sendo analisadas nesta fase da investigação e não representam, por si só, uma conclusão definitiva sobre a responsabilidade penal dos investigados. O objetivo é desmantelar a rede de influência e atuação do PCC no transporte público e no poder público, garantindo a integridade dos sistemas e a segurança da população. Para mais informações sobre operações policiais, visite g1.globo.com.

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