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Otimismo e desânimo: Datafolha traça o panorama do sentimento brasileiro

Uma nova pesquisa Datafolha, divulgada em um período crucial de desdobramentos políticos e judiciais, revela a complexa rede de sentimentos que permeia a população brasileira. O levantamento, realizado a poucas semanas do primeiro turno das eleições, buscou capturar a percepção dos eleitores em meio a eventos como o escândalo do banco Master e a crise no Supremo Tribunal Federal (STF).

Os resultados apontam para uma divisão de opiniões, com uma parcela significativa da população expressando otimismo, enquanto outra demonstra pessimismo e hesitação. A pesquisa oferece um panorama detalhado sobre como os brasileiros veem o presente e o futuro do país, influenciados por um cenário de intensos debates e tensões.

A balança do sentimento nacional: otimismo e pessimismo

Ao serem questionados sobre seus sentimentos em relação ao Brasil atual, 43% dos entrevistados pelo Datafolha declararam-se otimistas. Em contrapartida, 37% afirmaram sentir-se pessimistas, enquanto 20% se mostraram hesitantes, sem uma definição clara. Este dado inicial estabelece a base para uma análise mais aprofundada das emoções que moldam a visão dos cidadãos sobre o país.

A pesquisa foi encomendada pela Globo e pelo jornal Folha de S.Paulo, ouvindo 2.002 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 15 e 16 de setembro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com um nível de confiança de 95%. O registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é BR-04029/2026.

Percepções contrastantes: raiva, medo e esperança em destaque

O Datafolha aprofundou-se em seis pares de sentimentos para traçar um quadro mais completo da percepção nacional. Em relação à tranquilidade versus raiva, 53% dos brasileiros se sentem tranquilos, enquanto 43% expressam raiva. A dualidade entre animação e desânimo também se manifesta, com 45% animados e uma maioria de 53% desanimada.

O futuro gera apreensão para muitos, com 53% sentindo medo e 45% demonstrando confiança. A tristeza prevalece sobre a felicidade para 51%, contra 45% que se declaram felizes. A questão da segurança é particularmente sensível, com 64% dos entrevistados se sentindo inseguros, em contraste com 34% que se sentem seguros. Por fim, a esperança ainda se mostra presente para 55%, superando o medo que atinge 44%.

Orgulho brasileiro e as nuances demográficas do otimismo

Apesar das divisões de sentimentos, o orgulho de ser brasileiro permanece forte: 78% dos entrevistados afirmam sentir mais orgulho do que vergonha, enquanto 20% sentem o oposto. No entanto, o pessimismo se manifesta de forma mais acentuada em certos segmentos da população.

Entre aqueles que avaliam o governo como ruim ou péssimo, o pessimismo atinge 64%. Eleitores de um candidato específico também apresentam um alto índice de pessimismo, chegando a 56%. A escolaridade e a renda familiar também influenciam essa percepção: o pessimismo cresce de 26% entre quem tem ensino fundamental para 46% entre quem possui curso superior, e de 34% na faixa de até dois salários mínimos para 49% entre aqueles com renda superior a cinco salários mínimos. Regionalmente, a variação vai de 26% no Nordeste a 45% no Sudeste.

Variações políticas e o cenário de crise no STF

A pesquisa Datafolha também identificou mudanças no otimismo e pessimismo em relação a levantamentos anteriores, especialmente entre eleitorados específicos. Entre os eleitores de um candidato do PL, o otimismo saltou de 11% para 20%, enquanto o pessimismo recuou de 70% para 56%. Movimento similar foi observado entre aqueles que se identificam como bolsonaristas, com o otimismo subindo de 11% para 23% e o pessimismo caindo de 72% para 56%.

Já entre quem se identifica como petista, o otimismo avançou de 63% para 68%, e o pessimismo diminuiu de 20% para 16%. Para os eleitores de um ex-presidente, a parcela de otimistas passou de 67% para 71%, e a de pessimistas, de 16% para 13%. Esses dados refletem a dinâmica política e as expectativas de diferentes grupos em relação ao futuro do país. Para mais informações sobre pesquisas de opinião, visite a seção Datafolha do G1.

O levantamento foi realizado em um momento de intensa crise no STF, marcada por embates entre ministros após o levantamento de sigilo de um relatório da Polícia Federal. As discussões envolveram acusações de irregularidades e motivações político-eleitorais, com sessões extraordinárias e pedidos de vista que prolongam a análise dos casos. Este contexto de instabilidade institucional certamente contribuiu para a formação dos sentimentos capturados pela pesquisa.

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