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Bets ilegais: Ministério da Justiça amplia fiscalização sobre loterias estaduais

O Ministério da Justiça e Segurança Pública prepara uma série de medidas para intensificar a fiscalização sobre as loterias estaduais em nove estados brasileiros. O objetivo é garantir o cumprimento integral da Medida Provisória (MP) que estabeleceu a proibição da operação de plataformas de apostas de quota fixa, conhecidas como bets, em todo o território nacional.

A iniciativa, que será detalhada em uma portaria ainda em fase de elaboração, visa coibir a atuação de jogos de azar online e cassinos virtuais. A ação governamental reflete uma preocupação crescente com o endividamento de famílias e o vício em jogos, conforme explicitado pelas autoridades.

Ações Abrangentes Contra Plataformas Digitais

Em um balanço recente, o Ministério da Justiça divulgou as primeiras ações tomadas desde a entrada em vigor da MP. Mais de 5.200 sites de apostas tiveram seus bloqueios solicitados através da atuação conjunta da Anatel e do Comitê Gestor da Internet no Brasil. A Anatel mobilizou uma vasta rede de mais de 21 mil prestadoras de internet para assegurar a derrubada imediata desses domínios.

Além disso, foram emitidas notificações para a remoção de 186 aplicativos de apostas, com prazo final até 6 de outubro, das principais lojas de aplicativos, como Apple e Google. A fiscalização se estendeu também às redes sociais e plataformas digitais, onde foram solicitadas remoções de 300 páginas no Facebook e 90 perfis no Instagram.

O monitoramento no Telegram alcançou mais de um milhão de usuários e membros de canais e grupos ligados a bets ilegais. Grandes plataformas de tecnologia, incluindo Google, Meta, YouTube, X, Telegram, TikTok, Kwai e Discord, foram notificadas para retirar propagandas irregulares em um prazo de dez dias, reforçando o combate à divulgação dessas atividades.

Mudança de Rumo na Regulamentação e Motivações

A proibição das bets no Brasil representa uma guinada na política governamental, ocorrendo cerca de três anos após a regulamentação inicial dessas empresas de apostas. A decisão foi anunciada às vésperas de um período eleitoral, com o presidente abordando a questão do endividamento familiar e o vício em jogos de azar como motivadores para a medida.

Paralelamente à MP, foi encaminhado ao Congresso Nacional um projeto de lei que estabelece penalidades para aqueles que explorarem, operarem ou divulgarem as bets e os cassinos virtuais. O secretário nacional de segurança, Chico Lucas, enfatizou que o combate à oferta de jogos no ambiente virtual está sendo realizado com mecanismos tecnológicos avançados, capazes de identificar e desativar esses sites.

Investigação Financeira e Destino dos Recursos

O governo também iniciou processos administrativos contra empresas de apostas que foram flagradas em irregularidades, com base em 63 registros encaminhados pela Secretaria de Prêmios e Apostas. Em uma frente complementar, o Banco Central foi acionado para rastrear toda a cadeia de pagamentos envolvida nessas operações.

Os recursos e bens apreendidos das bets ilegais serão revertidos para o Fundo Nacional de Segurança Pública. Essa estratégia visa asfixiar o ecossistema do jogo ilegal em duas frentes: o combate direto à atividade criminosa na internet e a interrupção da divulgação e propagação dessas plataformas junto à população brasileira. Para mais informações sobre as ações do governo, visite o site oficial do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Cronograma de Desativação e Alerta aos Apostadores

Desde a última sexta-feira, os sites de apostas foram proibidos de receber novos depósitos. Os usuários tiveram um prazo para resgatar os saldos de suas contas, que se encerra às 23h59 do dia 5 de outubro. No dia seguinte, 6 de outubro, todos os sites e aplicativos de apostas serão definitivamente retirados do ar.

Entre os dias 7 e 8 de outubro, as empresas deverão apurar o saldo restante de cada apostador, atrelado ao CPF, e enviar esses dados aos bancos. A partir de 9 de outubro, as instituições financeiras iniciarão a devolução integral desses valores aos respectivos donos. O governo alertou que as plataformas banidas não oferecem nenhuma garantia de recebimento de prêmios ou devolução de valores, destacando práticas abusivas como propagandas enganosas e mecanismos que induziam ao gasto excessivo.

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