Deixar uma tarefa para depois, mesmo sabendo que ela precisa ser realizada, faz parte da rotina de muitas pessoas. Quando o comportamento se torna frequente e começa a comprometer estudos, trabalho, compromissos ou o bem-estar, porém, a procrastinação pode estar relacionada a fatores que vão além da falta de organização.
A procrastinação é caracterizada pelo adiamento voluntário de uma atividade, ainda que a pessoa tenha consciência de que isso poderá trazer consequências. Entre os fatores associados ao comportamento estão ansiedade, estresse, sobrecarga emocional, dificuldade de organização e insegurança diante das próprias responsabilidades.
Para a psicóloga Irani Silva, do Centro Clínico da Hapvida em Mogi das Cruzes, a procrastinação não deve ser confundida necessariamente com preguiça. Segundo ela, diferentes fatores podem contribuir para que uma pessoa acumule tarefas e passe a lidar com os prazos apenas quando estão próximos do fim.
“A pessoa pode até aparentar tranquilidade no momento da entrega da demanda, mas sofre demais emocionalmente por dentro com receio de não corresponder às expectativas futuras”, explica.
A insegurança pode ganhar ainda mais peso quando está associada a receios que não são compartilhados com outras pessoas. Nesse cenário, o adiamento pode funcionar como uma forma de evitar, ainda que temporariamente, o desconforto provocado por determinada tarefa.
Outro desafio está na organização da rotina. Mesmo quando listas de atividades são elaboradas, é possível que a pessoa escolha momentos de descanso ou outras tarefas em vez de cumprir o que havia planejado. Para a especialista, reconhecer a necessidade de pausas é importante, mas também é necessário estabelecer limites para que o adiamento não se transforme em um hábito.
Uma das estratégias sugeridas é buscar apoio de pessoas que tenham objetivos semelhantes. Grupos em que os participantes compartilham metas e acompanham o cumprimento das tarefas podem ajudar na criação de uma rotina mais consistente e reduzir a sensação de que produtividade está necessariamente associada a sofrimento.
A especialista ressalta que identificar as razões que levam ao adiamento é um dos primeiros passos para modificar o comportamento. A organização das atividades em etapas menores, o estabelecimento de prioridades e o acompanhamento das próprias dificuldades podem contribuir para uma relação mais equilibrada com as obrigações do cotidiano.
