O 7º Fórum Internacional de Educação dos Municípios do Alto Tietê concluiu suas atividades com um foco estratégico na valorização da formação de professores e na urgente necessidade de reduzir as desigualdades educacionais. O evento, que reuniu profissionais da rede pública da região em uma transmissão ao vivo, destacou a importância de preparar os educadores para os desafios contemporâneos e de garantir que cada estudante receba o suporte necessário para o aprendizado.
A palestra de encerramento, proferida pelo economista e superintendente executivo do Instituto Unibanco, Ricardo Henriques, ressaltou que, embora a educação brasileira tenha apresentado avanços, especialmente nos anos iniciais do ensino fundamental, é crucial acelerar o ritmo para que esses progressos atinjam todos os alunos. A discussão central girou em torno dos ‘Desafios do Futuro da Escola Pública’, enfatizando a construção de um sistema educacional verdadeiramente inclusivo e de alta qualidade.
Visão estratégica para a educação pública brasileira
Ricardo Henriques, mestre em Economia pela Universidade Federal Fluminense (UFF), defendeu a premissa de que a qualidade na educação deve ser universal. “Se qualidade for para alguns, qualidade não será, porque ela será excludente por algum critério pretérito”, advertiu o especialista, sublinhando a ambição de uma sociedade transformadora que estabelece altas expectativas para viabilizar a excelência para todos os estudantes. Essa visão implica um compromisso com a equidade, garantindo que as oportunidades de desenvolvimento não sejam restritas a um grupo seleto.
Entre as diretrizes apresentadas, Henriques propôs uma colaboração estreita entre secretarias de Educação, gestores e professores. O objetivo é identificar prontamente as dificuldades de aprendizagem dos alunos e implementar estratégias eficazes para a recuperação. Além disso, o economista sugeriu a integração do planejamento pedagógico, das avaliações de desempenho e da formação continuada dos educadores, utilizando os resultados obtidos para orientar as práticas em sala de aula e monitorar o progresso individual de cada aluno. Para mais informações sobre o trabalho do Instituto Unibanco na área, visite o site oficial.
Tecnologia e equidade: o papel da inteligência artificial
Um dos pontos centrais do debate pós-palestra foi a integração da tecnologia, especialmente da inteligência artificial, no ambiente escolar sem que isso acentue as desigualdades existentes. Fernanda Arnoni de Castro Neves Del Ciampo, secretária adjunta de Educação de Mairiporã, questionou como preparar os professores para essa nova realidade.
Em resposta, Ricardo Henriques enfatizou que a tecnologia deve ser uma ferramenta para capacitar os estudantes a investigar, questionar e desenvolver o pensamento crítico, sempre com a orientação ativa dos educadores. Ele destacou que a formação dos profissionais deve combinar o domínio tecnológico com o respeito às diferenças individuais, a promoção da convivência harmoniosa e a preparação para o exercício pleno da cidadania, garantindo que a inovação sirva à inclusão.
Diálogo regional e a busca por excelência com equidade
O debate contou com a participação de outros representantes dos municípios consorciados, enriquecendo a discussão sobre os desafios da educação. Marcelo Marques, secretário adjunto de Educação de Poá, ressaltou a importância de uma escola que acolha, cuide e fortaleça as relações humanas, questionando como a formação docente pode conciliar essa proposta com os avanços tecnológicos. Henriques reiterou a necessidade de uma abordagem equilibrada, onde a tecnologia complementa, e não substitui, o desenvolvimento de habilidades socioemocionais e éticas.
Eduardo Nagliati Luz, diretor do Departamento do Processo Educativo de Mairiporã, buscou aprofundar o conceito de excelência com equidade. O economista esclareceu que essa busca por resultados de alta qualidade deve ser inclusiva, abrangendo todos os estudantes desde a primeira infância. Isso significa oferecer oportunidades para que cada um desenvolva suas capacidades plenamente, com apoio personalizado de acordo com suas necessidades específicas, eliminando barreiras e promovendo um ambiente de aprendizado justo e eficaz.
Reflexões ao longo do Fórum: temas cruciais debatidos
O 7º Fórum Internacional de Educação dos Municípios do Alto Tietê foi uma iniciativa do Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê e Região (CONDEMAT+), com coordenação executiva do Instituto Brasileiro de Sociologia Aplicada (IBSA) e apoio institucional da Unesco. Ao longo de setembro, o evento promoveu cinco encontros, abordando diversas facetas da educação pública.
- Educação Especial e Inclusiva: Mariana Rosa discutiu a eliminação de barreiras e o fortalecimento do Atendimento Educacional Especializado (AEE).
- Educação Integral em Tempo Integral: Maria do Pilar Lacerda defendeu a transformação do tempo ampliado em experiências de aprendizagem significativas.
- Enfrentamento às Violências na Escola: Telma Pileggi Vinha abordou ações contínuas de convivência e formação profissional.
- Educação das Relações Étnico-Raciais e Antirracista: Cléa Maria Ferreira destacou a necessidade de integrar a educação antirracista nas práticas diárias da escola.
Esses debates reforçaram o compromisso regional com uma educação que não apenas ensine, mas que também inclua, acolha e prepare os cidadãos para um futuro complexo e em constante transformação.
