A Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo deu início neste sábado às oitivas da delegada seccional de Mogi das Cruzes, do delegado titular do 1º Distrito Policial da cidade e de um carcereiro da cadeia pública local. O procedimento investiga denúncias de facilitação de benefícios e favorecimentos a detentos custodiados na carceragem, onde se encontra preso o ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite.
As audiências na capital paulista são desdobramentos diretos de uma operação deflagrada pelo Ministério Público na quinta-feira. A força-tarefa cumpriu mandados de busca e apreensão para averiguar irregularidades no cumprimento da rotina carcerária e possíveis privilégios indevidos concedidos a internos do estabelecimento prisional.
Abertura de correição extraordinária pela Corregedoria
A apuração interna foi instaurada por determinação direta do corregedor João Beolchi. O objetivo principal do procedimento administrativo é mapear minuciosamente a rotina da carceragem do 1º DP de Mogi das Cruzes e fiscalizar a conduta dos agentes envolvidos na guarda e vigilância dos presos.
De acordo com os primeiros levantamentos da correição, falhas preliminares em protocolos internos já foram detectadas na unidade. Para aprofundar a checagem, a Corregedoria aguarda o compartilhamento formal de relatórios e documentos apreendidos pelos promotores de Justiça, peças que darão suporte às oitivas que envolvem a delegada seccional Margarette Barreto e outros policiais civis.
Apreensão de valores com servidor e atuação do Ministério Público
Durante a ação deflagrada na quinta-feira, os promotores focaram apurações em servidores suspeitos de mediar regalias dentro do presídio. Em mandado executado contra um dos carcereiros da delegacia, as equipes localizaram e apreenderam expressivas quantias em dinheiro: R$ 155 mil em moeda nacional e US$ 10 mil em espécie.
Segundo o apurado pelas autoridades, o ex-parlamentar paulistano está sob prisão temporária decorrente de investigações conduzidas pelo Ministério Público de São Paulo, que apuram suspeitas de organização criminosa e elos com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Posicionamento dos advogados de defesa
Em manifestação oficial, os advogados Aloísio Medeiros e Rodrigo Araújo, responsáveis pela defesa técnica de Milton Leite, repudiaram as acusações de favorecimento na unidade carcerária. A equipe jurídica informou formalmente que o cliente jamais recebeu regalias ou qualquer tratamento diferenciado ao longo de sua permanência na cadeia do município.
A defesa ressaltou ainda que não teve acesso irrestrito aos autos da investigação coordenada pela Promotoria de Justiça. Por fim, declarou que o ex-vereador permanece inteiramente à disposição das autoridades competentes para prestar todos os esclarecimentos cabíveis durante o andamento do inquérito.

