O assessor especial para assuntos internacionais Celso Amorim rebateu nesta segunda-feira as declarações do presidente dos Estados Unidos Donald Trump a respeito do processo eleitoral brasileiro. Durante manifestação pública, Amorim classificou a posição norte-americana como contraditória e afirmou que o mandatário estrangeiro está mal informado sobre os acontecimentos políticos no país.
As críticas ocorrem após o encerramento do pleito que garantiu a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no último domingo. Mesmo declarando simpatia pela gestão petista, o líder dos Estados Unidos colocou em dúvida a lisura da votação brasileira sem apresentar indícios ou provas concretas, gerando forte repercussão diplomática e política em Brasília.
Acusações diretas contra plataformas digitais
Durante sua argumentação, o ex-chanceler redirecionou o foco das irregularidades para o ambiente digital e corporativo. Segundo Amorim, a única tentativa real de fraude e manipulação do pleito partiu da empresa Meta, gigante tecnológica responsável por gerenciar redes sociais de grande alcance como Instagram, Facebook e WhatsApp.
A campanha oficial de Lula já havia acionado formalmente a Justiça Eleitoral brasileira contra a corporação norte-americana. A acusação aponta que a empresa impôs barreiras artificiais, restrições e obstruções sistêmicas a conteúdos informativos e de campanha do candidato vitorioso, supostamente favorecendo a candidatura adversária de Flávio Bolsonaro.
Contestações jurídicas e o andamento do pleito
O resultado oficial consolidou a vitória de Lula com 51,79% dos votos válidos contra 48,21% obtidos por Flávio Bolsonaro. O candidato derrotado do PL recusou o resultado divulgado e anunciou que levará questionamentos legais aos tribunais competentes, concentrando suas críticas na condução e nas regras adotadas durante o dia da votação.
O principal ponto de contestação da oposição envolveu a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, que autorizou a prorrogação do funcionamento de seções eleitorais até as 19h. A medida atendeu a solicitações urgentes de ambas as campanhas devido a dificuldades de deslocamento de eleitores causadas por falhas em transportes públicos e intempéries climáticas em diversas regiões do país.
Impacto prático da extensão do horário
Apesar da forte repercussão política em torno da prorrogação do horário de votação, dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral demonstram que o impacto prático foi numericamente reduzido. Apenas cerca de 35 mil eleitores registraram seus votos após o horário tradicional de encerramento, fixado às 17h.
A vantagem final construída nas urnas superou a marca de quatro milhões de votos de diferença a favor do atual mandatário. Enquanto autoridades governamentais defendem a lisura do processo e repudiam questionamentos externos, o cenário político permanece marcado por debates intensos sobre a segurança jurídica e a atuação de corporações de tecnologia nas democracias modernas.

