Psicóloga e ativista indígena guarani propõe uma reflexão sobre monoculturas do pensamento, afetos e resistência
A abertura do Festival Sementeia 2025, no dia 1º de setembro, será marcada pela presença da escritora, psicóloga e ativista indígena Geni Nuñez. Referência nacional no debate sobre relações, sexualidade, não-monogamia e saúde mental com perspectiva decolonial, a autora estará em Suzano para apresentar a palestra “Reflorestamento do Imaginário”, em uma conversa mediada pela psicóloga Endil Oliveira. O encontro será realizado na Sala Orlando Digenova, às 19h30, com entrada gratuita.
No encontro, Geni irá abordar o conceito de monoculturas do pensamento, ideia inspirada por Ailton Krenak, refletindo sobre os efeitos da imposição de um único modelo de existência nas nossas formas de pensar, amar e viver. Em contraponto a essas monoculturas (dos afetos, da fé, da sexualidade, da terra), a palestra propõe o reflorestamento simbólico do imaginário: cultivar a diversidade como forma de resistência e de vida.
Geni é ativista indígena guarani, é doutora em Ciências Humanas pela UFSC e pós-doutora pelo Instituto de Estudos Avançados da USP. É autora dos livros Descolonizando Afetos (2023), Jaxy Jaterê (2023) e Felizes por enquanto (2024). Sua presença em Suzano representa um momento potente de escuta, trocas e valorização dos saberes indígenas no território.
O Festival Sementeia é um projeto idealizado por Tuane Vieira, que há 24 anos atua na produção cultural de Suzano e do Alto Tietê. Sua primeira edição aconteceu em 2023 e nasceu com o desejo de criar um espaço artístico seguro, diverso e fértil, onde mulheres pudessem se expressar, se formar e se fortalecer por meio da arte. O festival é inteiramente conduzido por mulheres, da curadoria à técnica, e reúne artistas, educadoras, comunicadoras, musicistas, terapeutas e ativistas que compartilham o mesmo sonho de transformação social.
“Além de mulheres produtoras e ávidas consumidoras de arte e cultura, queremos contribuir, junto com a população, para um Brasil mais igualitário e menos violento para nós e para nossas filhas, sobrinhas, afilhadas e netas, tendo nossa cidade como foco”, afirma Tuane Vieira.
Após a abertura, a segunda edição do festival, realizada com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), segue até 12 de setembro, com mais de 10 atividades gratuitas. A programação inclui oficinas artísticas, espetáculos de dança e teatro, performances, rodas de conversa e shows, sempre com o protagonismo de mulheres da cidade e convidadas de notório saber. Outras informações estão disponíveis no Instagram oficial @festival_sementeia.
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