Geraldo Alckmin, figura central na política brasileira, consolidou sua posição como vice-presidente da República e foi confirmado pelo PSB como candidato à reeleição na chapa de Luiz Inácio Lula da Silva para as eleições de 2026. Aos 73 anos de idade e com uma carreira política que se estende por 54 anos, Alckmin superou a desconfiança de setores petistas, transformando uma antiga rivalidade em uma parceria estratégica e vitoriosa.
A confirmação de sua candidatura, embora protocolar, reforça a aliança que se mostrou crucial em 2022. O presidente Lula já havia sinalizado a continuidade da parceria “Lula com Chuchu” em março, dissipando rumores sobre possíveis substituições na chapa. Essa decisão sublinha a relevância de Alckmin no atual governo, onde tem desempenhado um papel ativo e multifacetado.
A trajetória política de Geraldo Alckmin
Nascido em Pindamonhangaba, São Paulo, em 7 de novembro de 1952, Geraldo José Rodrigues Alckmin Filho possui uma vasta experiência no cenário político nacional. Formado em medicina com especialização em anestesiologia, sua carreira pública começou cedo, como vereador pelo MDB em Pindamonhangaba (1972-1976), onde rapidamente ascendeu à presidência da Câmara.
Aos 24 anos, tornou-se o mais jovem prefeito da história de sua cidade (1976-1982). Posteriormente, foi deputado estadual (1983-1987) e deputado federal (1987-1995), atuando como constituinte na elaboração da Constituição de 1988 e dedicando-se a projetos nas áreas de saúde e Previdência Social.
Pelo PSDB, partido que ajudou a fundar em 1988 e ao qual foi filiado por 33 anos, Alckmin foi vice-governador de São Paulo (1995-2001) e, após a morte de Mário Covas, assumiu o governo do estado, permanecendo no cargo até 2006. Retornou ao Palácio dos Bandeirantes de 2011 a 2018, tornando-se o político que por mais tempo chefiou o Executivo paulista desde a redemocratização.
Superando a desconfiança e a aliança inusitada
A aliança entre Alckmin e Lula em 2022 representou um marco na política brasileira, unindo dois antigos adversários. Alckmin, que foi um dos principais quadros do PSDB e arquirrival de Lula nas eleições de 2006, além de crítico das gestões do PT no passado, conseguiu superar a desconfiança da maioria dos petistas.
Conhecido por seu estilo de discursos curtos e piadas repetidas, que lhe renderam o apelido de “picolé de chuchu”, Alckmin passou a ser chamado de “companheiro Alckmin” por Lula, simbolizando a nova fase da relação. A aproximação foi articulada por figuras como Fernando Haddad e Márcio França, vencendo resistências internas no PT.
A estratégia de buscar Alckmin em 2022 visava atrair votos de eleitores de centro e fortalecer a chapa no estado de São Paulo, onde o vice-presidente construiu sua sólida carreira política. A parceria foi vista como essencial para a vitória eleitoral e para a governabilidade.
Atuação como vice-presidente e ministro
No terceiro mandato de Lula, Geraldo Alckmin ganhou protagonismo não apenas como vice-presidente, mas também como titular do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) até abril deste ano. Lula elogiou repetidamente a atuação de Alckmin no governo, destacando sua capacidade de articulação e modernidade.
Como ministro, Alckmin foi fundamental na coordenação da resposta do governo ao “tarifaço” imposto pelos Estados Unidos durante o governo Donald Trump, que aplicou taxas sobre as exportações brasileiras. Sua habilidade de negociação com o setor produtivo foi crucial para mitigar os impactos econômicos.
O MDIC, sob sua gestão, lançou importantes políticas para o fortalecimento da indústria nacional, incluindo:
- A Nova Indústria Brasil (NIB), programa de linhas de crédito para modernização da produção.
- O Programa Mobilidade Verde e Inovação (Mover), focado na descarbonização automotiva e atração de investimentos em veículos elétricos e híbridos.
- Um programa temporário de desconto para veículos populares em 2023, visando aquecer o mercado interno.
Alckmin também atuou na elaboração de medidas para o setor industrial em resposta às fortes chuvas no Rio Grande do Sul em 2023 e 2024, articulando a liberação de verbas emergenciais. Além disso, envolveu-se no debate sobre a “taxa das blusinhas”, defendendo a cobrança do tributo para preservar empregos, embora a medida tenha sido revogada por decisão do presidente Lula.
Para mais informações sobre comércio exterior e políticas comerciais, consulte o Ministério das Relações Exteriores.
Momentos marcantes e desafios da carreira
Ao longo de sua carreira, Alckmin protagonizou diversos momentos de destaque. Em 2025, classificou como “lamentável” a posse de Nicolás Maduro na Venezuela. Em outra ocasião, em abril de 2026, ao se referir a Flávio Bolsonaro, afirmou que “quem defende ditadura não devia nem ser candidato”.
Um episódio notável foi a devolução de presentes recebidos da Arábia Saudita, seguindo recomendação da Receita Federal, em um contexto de investigações sobre recebimento de joias por outros políticos. Alckmin também demonstrou seu lado médico ao prestar socorro a um homem em um evento político em Manaus em 2024 e ao vacinar Lula em 2023.
Suas gestões em São Paulo, embora longas, enfrentaram críticas e denúncias sobre contratos estaduais, além de desafios como a crise hídrica e paralisações do funcionalismo público. Alckmin chegou a ser denunciado pelo Ministério Público de São Paulo por caixa dois, corrupção passiva e lavagem de dinheiro, com base em depoimentos de delatores. Na época, sua defesa negou qualquer irregularidade, afirmando que as doações de campanha foram legais e sua vida pública pautada pela ética.
Alckmin disputou a Presidência da República duas vezes: em 2006, quando perdeu para Lula no segundo turno, e em 2018, ficando na quarta colocação. A confirmação de sua candidatura a vice em 2026 solidifica sua posição como um dos mais experientes e resilientes políticos do Brasil, pronto para mais um desafio eleitoral ao lado de seu atual “companheiro”.

