O Supremo Tribunal Federal (STF) recebeu um pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL) para que seja investigada a conduta do presidente Lula (PT) em uma suposta relação com Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. A petição foi protocolada na quarta-feira (23) e encaminhada ao ministro André Mendonça, buscando esclarecimentos sobre possíveis irregularidades.
A iniciativa de Flávio Bolsonaro surge em meio a divulgações de mensagens que, segundo a Polícia Federal, teriam sido extraídas do celular do banqueiro. Essas comunicações indicariam tentativas de aproximação de Vorcaro com o presidente da República e outras autoridades do governo federal, levantando questionamentos sobre a natureza desses contatos.
Pedido de apuração no Supremo Tribunal Federal
A notícia-crime apresentada pela defesa de Flávio Bolsonaro solicita que os fatos sejam encaminhados ao procurador-geral da República para a instauração de um inquérito. O objetivo é investigar condutas que, em tese, poderiam configurar crimes de corrupção passiva e advocacia administrativa, conforme detalhado no documento.
O texto da petição argumenta que, com base nas mensagens divulgadas pela mídia, é possível inferir que o presidente Lula teria utilizado seu cargo para atender a interesses de Daniel Vorcaro junto ao Governo Federal. A defesa do senador sugere que isso pode ter ocorrido, inclusive, mediante o recebimento de vantagem indevida, como presentes.
Encontro controverso e versões divergentes
Um dos pontos centrais da controvérsia é um encontro entre Lula e Daniel Vorcaro, ocorrido em 4 de dezembro de 2024, no Palácio do Planalto. A reunião não constou da agenda oficial do presidente e foi intermediada pelo ex-ministro Guido Mantega, o que gerou questionamentos sobre sua transparência e propósito.
De acordo com uma reportagem do jornal O Globo, o advogado de Vorcaro, Walfrido Warde, afirmou que o banqueiro presenteou o presidente Lula com um uísque, pelo qual o petista teria agradecido. O advogado também mencionou que, um mês após o encontro, o presidente teria enviado um “abraço” a Vorcaro. Contudo, o Palácio do Planalto emitiu uma nota negando veementemente as alegações, declarando que não recebeu nenhum presente e que não enviou qualquer recado ao proprietário do Banco Master.
Em fevereiro de 2026, Lula se pronunciou sobre o encontro com Vorcaro, ocorrido no fim de 2024. O presidente afirmou que recebeu o banqueiro a pedido, em um compromisso sem registro na agenda oficial. Segundo Lula, Mantega levou Vorcaro para vê-lo, e o banqueiro relatou estar sofrendo perseguição e que havia pessoas interessadas em derrubá-lo. Lula declarou ter respondido que “não haverá posição política pró ou contra o Banco Master. O que haverá será uma investigação técnica, feita pelo Banco Central”.
Críticas e defesas em meio à polêmica
A reunião entre Lula e Vorcaro foi mencionada por Flávio Bolsonaro durante uma entrevista ao Jornal Nacional, quando o senador foi questionado sobre seus próprios encontros com o banqueiro. Flávio Bolsonaro afirmou que sua relação com Vorcaro era privada e negou ter oferecido qualquer tipo de favorecimento.
Na ocasião, o senador direcionou suas críticas ao presidente Lula, declarando: “O que não é adequado é um presidente da República recebendo, em uma reunião secreta, um banqueiro, prometendo ajudá-lo a resolver o problema do seu banco. Então, fica a pergunta aqui: quem deve explicações é o Lula”. Procurada pelo g1, a defesa do presidente Lula ainda não se pronunciou oficialmente sobre a notícia-crime apresentada por Flávio Bolsonaro.
