Categories: Destaques

Ascensão e queda do Banco Master: a trajetória de Daniel Vorcaro sob investigação

A rápida expansão e o crescimento dos ativos sob gestão

Desde que o banqueiro Daniel Vorcaro assumiu o controle do então Banco Máxima, em outubro de 2019, o conglomerado financeiro passou por uma transformação expressiva. Entre 2019 e 2024, os ativos da instituição saltaram de R$ 3,7 bilhões para R$ 82 bilhões, um crescimento de 2.123% segundo as demonstrações financeiras publicadas antes da liquidação. Vorcaro havia adquirido o banco em 2018, mas a gestão efetiva teve início apenas no ano seguinte.

Essa trajetória de expansão agressiva colocou o grupo em posições de destaque no ranking bancário nacional. Em 2019, o conglomerado ocupava apenas a 90ª posição entre as instituições financeiras brasileiras. Cinco anos depois, o Banco Master alcançou o 23º lugar, superando instituições tradicionais em diversos indicadores de mercado e captação de recursos.

Estratégias financeiras e a busca por liquidez

A análise dos balanços revela que o aumento dos ativos foi impulsionado por uma mudança drástica na alocação de recursos. Os títulos e valores mobiliários (TVM), que representavam 21,5% do ativo em 2019, saltaram para R$ 32,1 bilhões em 2024, representando 39% do total. O banco também registrou um crescimento de 2.089% nas operações de crédito, saindo de R$ 768,4 milhões para R$ 16,8 bilhões no mesmo período.

O passivo do conglomerado acompanhou essa evolução, com um aumento de 2.126%, atingindo R$ 77,3 bilhões em 2024. Deste montante, cerca de R$ 59,9 bilhões correspondiam a depósitos de clientes, colocando o grupo na 15ª posição entre as instituições com maior volume de depósitos no país. A rentabilidade também seguiu a tendência, com o lucro líquido saltando de R$ 30,4 milhões em 2019 para R$ 567 milhões em 2024.

Investigações e o colapso da instituição

Apesar dos números robustos apresentados nos balanços, o cenário mudou drasticamente em 2025. O banco e seu controlador passaram a ser investigados por um esquema que envolvia a emissão de CDBs com taxas acima do mercado e a criação de carteiras de crédito fictícias para simular saúde financeira. A crise resultou na liquidação determinada pelo Banco Central em novembro do mesmo ano.

A operação, denominada Compliance Zero, revelou uma estrutura complexa de irregularidades. Além da prisão de Daniel Vorcaro, as investigações apontaram a existência de um grupo que atuava na intimidação de jornalistas e adversários, além de suspeitas de corrupção envolvendo servidores públicos. O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou o bloqueio de até R$ 22 bilhões em bens, enquanto o processo de liquidação segue sob responsabilidade de um liquidante nomeado.

Redação on-line

Recent Posts

Bolsa família ganha destaque e movimenta propostas na reta final da disputa eleitoral

Bolsa família ganha foco na reta final da eleição com debates sobre regras, valores e…

6 horas ago

Policia federal aponta pagamento de willer tomaz para remover noticias envolvendo flavio bolsonaro

Polícia Federal aponta que o advogado Willer Tomaz pagou para remover notícias e links que…

8 horas ago

AGU aciona justiça para confiscar milhões de suspeitos de crime organizado

agu entra na justiça para confiscar milhões em bens de suspeitos de integrar o crime…

10 horas ago

Diretrizes do plano diretor municipal são debatidas no conselho da cidade

Prefeitura apresenta novas diretrizes do plano diretor municipal ao conselho da cidade para orientar o…

11 horas ago

Câmara de Suzano avalia projeto para transformar Lagoa Azul em piscinão

Câmara de Suzano analisa projeto para transformar a Lagoa Azul em piscinão integrado e discute…

11 horas ago

Prefeitura apresenta propostas para revisão do Plano Diretor ao Conselho da Cidade

A Prefeitura de Guararema apresentou ao Conselho Municipal da Cidade (Concid), as diretrizes que estão…

11 horas ago