A administradora de um parque municipal na Zona Sul de São Paulo está sob investigação por denúncias de assédio eleitoral. Funcionários do Parque Nascentes do Ribeirão Colônia, localizado em Parelheiros, relataram ter sido pressionados por Cassia Santos Lima a apoiar a candidatura de Rodrigo Ashiuchi, ex-secretário municipal do Verde e do Meio Ambiente, que concorre a deputado estadual.
Vídeos e áudios obtidos pela imprensa revelam a gestora reunindo cerca de 20 trabalhadores durante o expediente para solicitar votos. Os relatos indicam que os funcionários sentiram constrangimento e receio de sofrer represálias caso não seguissem a orientação. A Procuradoria Regional Eleitoral já iniciou uma apuração sobre o caso, e a Prefeitura de São Paulo informou que instaurará um processo administrativo para investigar as denúncias.
As gravações mostram Cassia Santos Lima pedindo votos para Rodrigo Ashiuchi e mencionando seu número de urna. Ela afirmou que a orientação havia sido repassada a ela e que, por isso, estava a repassando para a equipe. A gestora também indicou que todos os funcionários seriam convidados a participar de eventos políticos, com datas e locais a serem enviados de forma particular.
Entre os trabalhadores do parque, que incluem equipes de segurança, limpeza, jardinagem e do setor administrativo, o clima era de apreensão. Um funcionário, que preferiu não se identificar, relatou que a gestora teria convidado pessoas para atuar em atividades de campanha fora do horário de trabalho, como segurar faixas e fazer boca de urna, intensificando a percepção de pressão.
A legislação eleitoral brasileira é clara ao garantir o voto livre e secreto, proibindo qualquer forma de constrangimento, coação ou pressão que possa influenciar a escolha dos eleitores. O uso da relação hierárquica no ambiente de trabalho para solicitar votos ou exigir apoio político de subordinados pode configurar assédio eleitoral.
Dependendo das circunstâncias, tais condutas também podem caracterizar abuso de poder político e uso indevido da estrutura pública. A Lei das Eleições veda expressamente a utilização de recursos da administração pública em benefício de candidaturas, incluindo o envolvimento de servidores durante o expediente em atividades de campanha. Para mais informações sobre a legislação eleitoral, consulte o Tribunal Superior Eleitoral.
A Procuradoria Regional Eleitoral em São Paulo confirmou o recebimento de uma representação sobre o caso, que está sob análise de um procurador da área eleitoral. A Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente (SVMA), declarou em nota que não solicita apoio eleitoral a candidatos e não compactua com a convocação de servidores para atividades político-eleitorais, prometendo instaurar um processo administrativo para apurar os fatos.
A campanha de Rodrigo Ashiuchi, por sua vez, negou ter solicitado, autorizado, incentivado ou tido conhecimento de qualquer reunião com funcionários do parque para fins eleitorais. A assessoria do candidato afirmou que também oficiou a SVMA para que as denúncias sejam devidamente apuradas. Até o momento da publicação desta reportagem, Cassia Santos Lima não havia retornado aos contatos da imprensa.
Rodrigo Ashiuchi, ex-prefeito de Suzano por dois mandatos, ocupou o cargo de secretário do Verde e do Meio Ambiente na gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) por indicação do Partido Liberal (PL), deixando a pasta em março para concorrer a uma vaga na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp).
A entrada do parque municipal exibia, na última semana, materiais de campanha de Ashiuchi e de André do Prado, presidente da Alesp e candidato ao Senado pelo PL. Além disso, havia cartazes de Milton Leite Filho e Alexandre Leite, filhos do ex-vereador Milton Leite, que concorrem a deputado federal e estadual, respectivamente.
Cassia Santos Lima mantém em suas redes sociais registros frequentes de participação em eventos partidários ligados ao grupo político de Milton Leite, que possui forte influência na região. Funcionários indicaram que a gestora teria sido nomeada para o cargo de administradora do parque em dezembro de 2022 por indicação da “família Leite”, com uma remuneração bruta mensal de R$ 6.686,50.
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