A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, fez declarações contundentes recentemente, atribuindo ao ex-governador Ibaneis Rocha parte significativa dos erros que culminaram na crise do Banco de Brasília (BRB) e em transações malsucedidas com o Banco Master. As críticas, expressas em entrevista, focam na escolha da gestão anterior e nas falhas estruturais que, segundo ela, comprometeram a instituição financeira.
As declarações da governadora vêm à tona em um momento de reestruturação para o BRB, que busca superar os desafios impostos por uma gestão anterior controversa. A análise de Celina Leão aponta para a necessidade de maior rigor na seleção de quadros e na fiscalização interna, elementos cruciais para a saúde de uma instituição bancária pública.
Críticas à indicação e à gestão do BRB
Em entrevista, a governadora Celina Leão não poupou críticas à indicação do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, feita pela gestão anterior. Ela afirmou que a escolha foi um erro do próprio Ibaneis Rocha, destacando a falta de capacidade do indicado para comandar uma instituição do porte do BRB. A governadora classificou o ex-presidente como alguém com “mania de megalomaníaco”, citando como exemplo o patrocínio de corridas fora do Brasil, o que, para ela, demonstrava uma gestão distante das prioridades locais.
Paulo Henrique Costa, que assumiu o BRB no início do governo Ibaneis, deixou o cargo após ser preso pela Polícia Federal em uma operação. Celina Leão, que se declarou “desafeta” do ex-presidente, enfatizou que a gestão anterior se desviou de um foco essencial na administração do banco, levando a consequências negativas para a instituição.
Falhas no compliance e controle interno do banco
Além das críticas à escolha do nome, a governadora Celina Leão apontou sérias falhas no setor de compliance do próprio BRB. Segundo ela, o número reduzido de diretores nomeados – apenas quatro ou cinco, em vez dos nove ou dez previstos – permitia ao ex-presidente ter um controle excessivo sobre as decisões, concentrando o poder em um círculo restrito de pessoas. Essa centralização, na visão da governadora, comprometeu a governança e a capacidade do banco de identificar e mitigar riscos.
A falta de um compliance robusto e a concentração de poder são elementos que, de acordo com Celina Leão, contribuíram diretamente para a crise. A governadora ressaltou que esses fatores foram um “erro da escolha do nome e da falha do compliance também do banco”, sugerindo uma combinação de equívocos na seleção de pessoal e na estrutura de fiscalização interna.
Medidas de recuperação e o papel da governadora
Desde que assumiu o governo do Distrito Federal em abril, a governadora Celina Leão implementou uma série de medidas para reverter a situação do BRB. Ela destacou a troca de todos os superintendentes e diretorias do banco, além da contratação de auditorias internacionais. Essas auditorias foram cruciais para a descoberta de diversos crimes, que foram posteriormente denunciados e investigados.
A governadora também mencionou a celebração de um acordo com o Supremo Tribunal Federal para a recuperação do BRB, uma missão que ela descreveu como “muito difícil”. Celina Leão fez questão de salientar sua capacidade de liderança e resolução de problemas, desmistificando a ideia de que sua condição de gênero poderia ser um impedimento para enfrentar desafios tão complexos. “A minha condição de gênero não me tira nada da capacidade de resolver um problema, assim como um homem”, afirmou.
Contexto da crise e a busca por capitalização
Celina Leão assumiu a vice-governadoria do DF em 2023 e se tornou governadora em abril deste ano, após Ibaneis Rocha deixar o cargo. Nesse período, a cúpula anterior do BRB já havia sido afastada. O governo do Distrito Federal, como acionista majoritário do BRB, está ativamente buscando um empréstimo para capitalizar a instituição, visando fortalecer sua estrutura financeira e garantir sua estabilidade futura.
A crise no BRB e as transações com o Banco Master representam um capítulo desafiador para a gestão pública do Distrito Federal. As ações da governadora Celina Leão demonstram um esforço concentrado para restaurar a confiança na instituição e assegurar sua recuperação, com foco na transparência e na boa governança, elementos essenciais para o setor financeiro. Para mais informações sobre regulamentação bancária, consulte o Banco Central do Brasil.

