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Câmara dos deputados aprova projeto que eleva limite de faturamento e perdoa dívidas de MEI’s

A Câmara dos Deputados aprovou, por ampla maioria, um projeto de lei que promete reconfigurar o cenário para milhões de Microempreendedores Individuais (MEI’s) no Brasil. A proposta, que agora segue para análise do Senado Federal, visa ampliar o limite de faturamento anual para a categoria e conceder anistia a dívidas de inadimplentes, medidas que buscam impulsionar a formalização e a recuperação econômica de pequenos negócios.

A votação, que registrou 461 votos favoráveis e apenas quatro contrários, reflete o consenso sobre a necessidade de atualização das regras que regem o microempreendedorismo no país. As mudanças, propostas pelo governo, chegam em um momento estratégico, com o perdão das dívidas sendo uma das últimas iniciativas anunciadas antes do segundo turno das eleições, buscando uma reaproximação com esse importante segmento da economia.

Ampliação do Suporte ao Microempreendedor Individual

O projeto de lei aprovado na Câmara estabelece novos patamares para o enquadramento como MEI, um passo crucial para permitir o crescimento dos negócios sem a necessidade de uma transição imediata para regimes tributários mais complexos. Atualmente fixado em R$ 80 mil anuais, o limite de faturamento será elevado para R$ 110 mil a partir de 2027 e alcançará R$ 140 mil anuais a partir de 2028.

Essa alteração responde a uma demanda antiga dos empreendedores, que muitas vezes se veem obrigados a recusar contratos maiores ou a operar na informalidade para não ultrapassar o teto vigente. Segundo o relator da proposta, deputado Rubens Pereira Jr. (PT-MA), a medida visa corrigir essa distorção, permitindo que o MEI possa expandir suas atividades de forma regularizada e sem entraves burocráticos.

Além do faturamento, o projeto também flexibiliza as regras de contratação. O número de funcionários que um MEI pode empregar passará de um para até dois, desde que estes recebam exclusivamente um salário mínimo ou o piso da categoria profissional. Essa mudança é fundamental para microempreendedores que necessitam de mais apoio em suas operações, contribuindo para a geração de empregos formais em pequena escala.

Anistia de Dívidas para Microempreendedores

Um dos pilares do projeto é a anistia integral para os MEI’s inadimplentes, abrangendo dívidas contraídas até 13 de outubro de 2026. Essa medida é vista como um alívio financeiro significativo para muitos empreendedores que acumularam débitos, especialmente durante o período da pandemia, quando a atividade econômica foi severamente impactada.

O relator destacou que parte considerável desse endividamento teve origem na crise sanitária, e o auxílio governamental é essencial para que esses negócios possam se reerguer. A anistia não se restringe apenas às dívidas já inscritas na dívida ativa da União, mas também contempla aquelas que ainda estão em processo de tramitação, ampliando o alcance do benefício.

Contudo, o perdão das dívidas não é incondicional. O projeto estabelece contrapartidas claras para os beneficiários: o MEI não poderá se tornar devedor nos seis meses consecutivos ao perdão e deverá desistir de eventuais ações judiciais relacionadas aos valores devidos. Essa regra visa incentivar a adimplência futura e garantir a responsabilidade fiscal dos microempreendedores. Conforme afirmou o relator, “o objetivo não é um perdão geral”, mas sim uma oportunidade para a regularização e retomada do controle financeiro.

Impacto Fiscal e Cenário Político do Projeto

A implementação das novas regras para o MEI e a concessão da anistia de dívidas terão um impacto fiscal considerável. A renúncia de receitas decorrente da ampliação do limite de faturamento é estimada em R$ 1,57 bilhão em 2027, R$ 3,15 bilhões em 2028 e R$ 3,38 bilhões em 2029. Já o perdão das dívidas representa um impacto estimado de R$ 3 bilhões ao longo de três anos, com a seguinte distribuição: R$ 1,1 bilhão em 2027, R$ 1 bilhão em 2028 e R$ 909 milhões em 2029.

Apesar do amplo apoio na Câmara, a votação do projeto gerou críticas por parte da oposição, que questionou o momento da aprovação, às vésperas do segundo turno eleitoral. A deputada Adriana Ventura (Novo-SP) classificou a medida como “eleitoreira”, embora reconheça a justiça da correção para os empreendedores. O debate ressalta a tensão entre a necessidade de apoio aos pequenos negócios e as implicações políticas de tais iniciativas em períodos eleitorais.

Para mais informações sobre o Microempreendedor Individual, acesse o Portal do Empreendedor.

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