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Eleições 2026: oito candidatos eleitos apostaram em nomes de familiares e aliados na urna

Um levantamento detalhado das eleições de 2026 revela que, dos 39 candidatos que incorporaram nomes de outras pessoas em suas candidaturas, apenas oito conseguiram ser eleitos. A estratégia, que busca associar a imagem do postulante a figuras já reconhecidas social ou politicamente, mostrou-se eficaz para uma minoria, enquanto a maioria dos que tentaram essa abordagem não obteve sucesso nas urnas.

A análise, baseada em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), aponta que a tática é frequentemente utilizada para vincular o candidato a um parente ou, em alguns casos, a um aliado político influente. Embora 31 candidatos com essa estratégia não tenham sido eleitos, os oito vitoriosos demonstram que a referência a terceiros pode, em certas circunstâncias, ser um diferencial decisivo.

Os oito candidatos eleitos que usaram nomes de referência

Entre os oito candidatos que obtiveram sucesso nas eleições de 2026, sete já possuíam uma trajetória política consolidada antes do pleito. Em Sergipe, Ícaro de Valmir (Republicanos-SE) foi reeleito deputado federal, seguindo os passos de seu pai, Valmir de Francisquinho. No mesmo estado, Ibrain de Valmir (PV-SE), filho da liderança política Valmir Monteiro, garantiu sua reeleição como deputado estadual.

Em Pernambuco, João de Nadegi (PV-PE), filho da ex-prefeita de Camaragibe Nadegi Queiroz, também foi reeleito deputado estadual. No Ceará, Davi de Raimundão (MDB-CE), filho do ex-prefeito e ex-deputado Raimundo Macedo, assegurou sua reeleição para deputado estadual. Completando a lista de reeleitos com referências familiares, Paulinho do Bonifácio (Podemos-TO), que já tinha experiência política, foi eleito deputado estadual no Tocantins, homenageando seu pai, José Bonifácio, uma liderança política local.

A ascensão de Marina JHC e a única estreante no Senado

A única exceção entre os eleitos que utilizaram a estratégia de nomes de terceiros e que não possuía trajetória política prévia é Marina JHC (PSDB-AL). Esposa de João Henrique Caldas, o JHC, governador eleito de Alagoas, Marina conquistou uma vaga no Senado. Seu caso destaca como a associação a um nome político forte pode impulsionar uma candidatura, mesmo para um estreante em cargos eletivos.

Alianças políticas refletidas na urna: os casos de Hassan e Leandro

Nem todas as referências nos nomes de urna são familiares. Na Bahia, Hassan de Zé Cocá (PP-BA) foi reeleito deputado estadual, mas sua referência não é a um parente, e sim ao aliado político Zenildo Brandão Santana, conhecido como Zé Cocá, ex-prefeito de Jequié. Da mesma forma, no Rio de Janeiro, o ex-secretário municipal de Belford Roxo, Leandro do Waguinho (MDB-RJ), foi eleito deputado estadual, fazendo alusão a Wagner dos Santos Carneiro, o Waguinho, ex-prefeito do município.

Experiência política não garantiu vitória a outros 31 candidatos

Apesar do sucesso dos oito mencionados, a maioria dos candidatos que adotaram a estratégia de usar nomes de terceiros não conseguiu se eleger. Dos 39 identificados, 31 ficaram de fora do pleito, e muitos deles também possuíam experiência política anterior. Valmir de Francisquinho, por exemplo, que fez referência ao seu pai no nome de urna, perdeu a disputa para o governo de Sergipe.

Outros exemplos incluem Sérgio de Nalva (Avante-PE), ex-secretário municipal que fazia referência à mãe, e Daniela do Waguinho (Republicanos-RJ), que não conseguiu a reeleição para deputada federal usando o apelido do marido. Lívia de Chiquinho (Republicanos-RJ), ex-prefeita de Araruama, também não foi eleita deputada federal, referenciando seu marido, o ex-prefeito Chiquinho da Educação.

O fenômeno dos nomes de urna: predominância familiar e masculina

O levantamento do g1, com base nos registros do TSE, identificou que dos 39 candidatos que usaram nomes de terceiros, 16 o fizeram pela primeira vez em 2026. O fenômeno reflete uma tentativa clara de capitalizar a reputação de alguém já estabelecido. Na maioria dos casos, essa pessoa é um familiar, e há uma notável predominância de referências masculinas.

Dos 39 candidatos, 32 faziam referência a familiares e apenas dois a aliados políticos. Em cinco casos, a relação não pôde ser confirmada. Entre os 32 casos de parentesco, 14 candidatos mencionaram os pais, 11 candidatas mencionaram os maridos, três os filhos e três as mães. Em um caso, a referência era ambígua entre pai e mãe. É interessante notar que, das 11 candidatas que se referiram aos maridos, dez utilizaram as preposições “de” ou “do”, sugerindo uma ideia de posse ou pertencimento.

Redação on-line

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