As entrevistas com os postulantes ao governo do Rio de Janeiro no telejornal RJ1, da TV Globo, foram submetidas a uma rigorosa checagem de fatos. As declarações de Anthony Garotinho (Republicanos), Douglas Ruas (PL) e Eduardo Paes (PSD) sobre temas cruciais para o estado foram analisadas pela equipe do Fato ou Fake, revelando pontos de convergência com a realidade e áreas que demandam maior precisão.
As sabatinas, conduzidas por jornalistas, abordaram questões de segurança pública, administração, política e educação, proporcionando ao público uma visão aprofundada das propostas e do histórico dos candidatos. A iniciativa visa fornecer clareza e contexto às informações apresentadas, permitindo que o eleitor forme sua opinião com base em dados verificados.
Durante sua participação, o candidato Anthony Garotinho fez diversas afirmações que foram alvo de verificação. Uma delas dizia respeito à presença do Comando Vermelho no Complexo do Alemão e à vinda de criminosos de outros estados para treinamento no Rio de Janeiro. Investigações da Polícia Federal e do Ministério Público da Paraíba confirmaram a atuação da facção em Cabedelo, com infiltração em setores da prefeitura local. Relatos jornalísticos também apontaram a presença de um líder do Comando Vermelho foragido no Alemão e a existência de treinamentos de guerrilha para criminosos no estado, como evidenciado por reportagens anteriores.
Outro ponto de debate foi a condenação de Garotinho por improbidade administrativa, datada de 2018. Embora o candidato tenha afirmado que ainda caberia recurso, a condenação transitou em julgado no Supremo Tribunal Federal (STF), tornando-se definitiva. A defesa, no entanto, ajuizou uma ação rescisória para discutir os efeitos da decisão, como multas e indenizações, mas isso não reverte a condenação original. Há, contudo, a possibilidade de recurso junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre o indeferimento de sua candidatura.
A cronologia do crescimento das milícias no Rio de Janeiro também foi abordada. Garotinho sugeriu que o fenômeno ganhou força durante o governo de Sérgio Cabral, com exceção da milícia de Rio das Pedras. Contudo, o relatório da CPI das Milícias indica que esses grupos começaram a se articular por volta do ano 2000, período em que o próprio Garotinho era governador. O relatório também aponta um “vertiginoso aumento” a partir de 2004, quando Rosinha Garotinho, sua esposa, governava o estado. Os ataques de 2006, que ajudaram a consolidar o termo “milícia”, também ocorreram antes do início do governo de Sérgio Cabral, em 2007.
Por fim, a afirmação de que ele teria reduzido em 15% as tarifas de ônibus intermunicipal em seu governo foi confirmada. Em 1999, um decreto estadual implementou essa redução. No entanto, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro posteriormente declarou a nulidade desses decretos, o que resultou em mais de uma centena de ações judiciais por parte das empresas de ônibus para reaver os prejuízos.
Douglas Ruas afirmou que sua escolha como candidato a governador foi feita pelo então presidente Jair Bolsonaro. Uma reportagem publicada em fevereiro pelo jornal O Globo corroborou essa declaração, indicando que Bolsonaro defendeu o nome de Ruas como representante do campo bolsonarista na disputa. O Partido Liberal (PL) oficializou a pré-candidatura de Ruas no mesmo mês.
Em relação a uma operação policial de 2025 nos complexos do Alemão e da Penha, Ruas mencionou a retirada de circulação de “200 marginais”. A soma aproximada de mortos (117) e presos/apreendidos (123) na operação é de cerca de 240 pessoas. Contudo, as autoridades não confirmaram que todos os mortos e detidos eram criminosos com antecedentes ou mandados de prisão. O relatório do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) apontou que 20 dos 121 mortos na operação não tinham qualquer envolvimento com o crime. Além disso, dos 113 adultos presos, apenas 54 possuíam anotações criminais. A Secretaria de Polícia Civil também informou que, entre os 117 mortos, 17 não apresentavam histórico criminal, embora em 12 desses casos houvesse indícios de participação no tráfico em redes sociais. A operação resultou na morte de cinco policiais.
Eduardo Paes mencionou uma “significativa melhora na merenda escolar” que teria ganhado um prêmio nacional como “o melhor projeto nutricional do Brasil”. A verificação revelou que uma escola municipalizada em São Gonçalo, a Escola Estadual Municipalizada Itaitindiba, foi de fato premiada em janeiro de 2026. O projeto “Feirinha na escola: sabores da agricultura” foi selecionado como uma das 20 unidades de destaque no país na 7ª edição da Jornada de Educação Alimentar e Nutricional (EAN), na categoria que valoriza agricultores familiares. No entanto, o prêmio não se refere à merenda escolar de forma abrangente nem confere o título de “melhor projeto nutricional do Brasil” de maneira geral, mas sim reconhece uma iniciativa específica de uma única instituição de ensino.
Para mais detalhes sobre a checagem de fatos nas eleições, consulte fontes confiáveis como o g1.globo.com.
Gastos de campanha dos presidenciáveis atingem R$ 151 milhões a 17 dias do primeiro turno,…
O presidente Lula declara que o governo federal não injetará dinheiro no BRB, criticando a…
Um postulante ao governo apresenta planos para intensificar o combate a queimadas, com foco em…
Cestas básicas arrecadadas no Itaquá Rodeio Fest 2026 beneficiam 5 mil famílias em vulnerabilidade e…
As 70 toneladas de alimentos arrecadadas durante a troca solidária de ingressos para o Itaquá…
A chuva trouxe transtornos e colocou em movimento uma rede de solidariedade em Itaquaquecetuba. O…