Lideranças partidárias do bloco governista e independente intensificaram as negociações para aprovar uma alteração profunda nas regras das eleições parlamentares ainda neste ano. A iniciativa busca conter o crescimento expressivo de legendas da direita conservadora na Câmara dos Deputados, sobretudo o avanço recente do Partido Liberal.
O movimento de autodefesa política ganhou urgência após a apuração das urnas consolidar 121 cadeiras para o PL de Flávio Bolsonaro, marcando a maior bancada eleita por uma única agremiação desde 1988. No modelo proporcional vigente, o volume concentrado de sufrágios em figuras expressivas impulsiona a eleição de múltiplos parlamentares correligionários, desidratando o espaço histórico dos partidos tradicionais de centro.
Na última quarta-feira, presidentes e líderes de dez agremiações se reuniram com o presidente da Câmara, Hugo Motta, para formalizar o apoio à sua reeleição no comando legislativo e pautar a reforma das urnas. Os dirigentes avaliam que o formato atual consolidou uma distorção competitiva ao transformar puxadores de voto em motores de expansão partidária unilateral.
Existe uma preocupação manifesta entre os líderes de que a janela de oportunidade se encerre em breve. A leitura de bastidor aponta que, a partir de 2027, a posse da nova configuração congressual tornará improvável a obtenção de quórum contra os interesses do PL, que tende a blindar o modelo atual.
O debate interno reúne duas alternativas antagônicas, gerando atritos entre os interesses das cúpulas partidárias e o sentimento individual dos parlamentares:
O modelo distrital misto, relatado pelo deputado Domingos Neto em proposta que já tramita no Congresso, conta com a simpatia dos comandos partidários por preservar o poder das direções na formação da lista partidária. Já o distritão, defendido pelo Podemos e por parte considerável dos deputados com base eleitoral pulverizada, enfrenta repulsa de caciques partidários por favorecer personalidades de apelo midiático instantâneo.
A agenda de negociações prevê um novo encontro preparatório entre líderes governistas na residência oficial da Câmara dos Deputados na próxima terça-feira. Uma reunião subsequente com os presidentes das agremiações está agendada para 28 de outubro, logo após o desfecho do processo eleitoral para o Executivo.
Para conferir viabilidade prática ao texto e evitar que as mudanças fiquem travadas, os articuladores pretendem envolver desde o início as lideranças do Senado Federal e o presidente da Casa, Davi Alcolumbre. Informações e registros institucionais sobre o andamento dos projetos legislativos podem ser acompanhados no portal oficial da Câmara dos Deputados, onde tramitam as matérias de alteração constitucional e legal.
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