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Minas Gerais vira palco decisivo na disputa de Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno

Considerado historicamente o termômetro das disputas presidenciais no país, o estado de Minas Gerais assumiu o papel central nas estratégias de campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL) para a reta final do segundo turno. Com o posto de segundo maior colégio eleitoral brasileiro, o território mineiro tem mantido a tradição de refletir rigorosamente as decisões das urnas nacionais desde a redemocratização em 1989.

No primeiro turno do pleito deste ano, Flávio Bolsonaro obteve 48,24% dos votos válidos no estado, contra 43,33% registrados por Lula. A abstenção mineira alcançou a marca de 22%, o equivalente a 3.735.098 eleitores ausentes, patamar que superou ligeiramente o recorde nacional de 21,08%. O desafio de ambos os candidatos agora envolve converter indecisos e buscar votos nas diversas regiões administrativas do estado.

Eleições em Minas Gerais revelam estratégias distintas no mapa eleitoral

A divisão geográfica da votação no primeiro turno desenhou panoramas eleitorais bastante específicos. Embora Lula tenha saído vitorioso em número absoluto de municípios, vencendo em 452 das 853 cidades mineiras, o candidato do PL garantiu a liderança em 401 localidades e consolidou larga vantagem nos grandes centros urbanos. Flávio venceu em nove dos dez maiores municípios do estado: Belo Horizonte, Uberlândia, Contagem, Betim, Montes Claros, Uberaba, Governador Valadares, Ribeirão das Neves e Ipatinga.

Em contrapartida, Juiz de Fora foi o único grande polo em que o candidato petista liderou a disputa, alcançando 49,58% dos votos válidos, diante de 41,53% de Flávio. De acordo com analistas políticos, Minas funciona como um microcosmo federativo, obrigando as equipes de campanha a investir energia tanto em redutos consolidados quanto em áreas de desvantagem eleitoral.

Roteiro de viagens e presença de palanques no interior

A busca por votos levou ambos os postulantes a agendas pelo interior do estado. Em visita realizada nesta sexta-feira (16), Lula iniciou seu périplo justamente em Juiz de Fora, participando de caminhada ao lado da prefeita Margarida Salomão e da senadora eleita Marília Campos. Na sequência, a comitiva petista seguiu para Ipatinga, no Vale do Aço, reduto no qual Flávio havia alcançado 61,11% no primeiro turno, contra 31,47% do petista.

Já Flávio Bolsonaro cumpriu agenda na quinta-feira (15) em Capelinha, município do Vale do Jequitinhonha onde teve 48,20% dos votos frente a 44,39% de Lula. O evento reuniu correligionários como o senador eleito Domingos Sávio e o deputado federal Nikolas Ferreira. O governador eleito do estado, Cleitinho Azevedo, embora ausente por razões de saúde após discursar no Senado, mantém suporte público ativo à chapa liberal nas mídias sociais.

Articulações políticas e engajamento nas redes sociais

A força de lideranças eleitas no estado tornou-se recurso central na busca por eleitores. No campo governista, a atuação de parlamentares com amplo alcance digital, como o deputado federal Nikolas Ferreira — que somou 3.118.784 votos no estado —, é vista por especialistas como um importante propulsor para o engajamento da militância e a disseminação de narrativas de campanha.

Por outro lado, o Partido dos Trabalhadores aposta na força de Marília Campos, que conquistou 3.990.864 votos para o Senado, e em deputados federais influentes, a exemplo de Ana Elisa e André Janones. As diretrizes legais e o histórico desse engajamento digital são acompanhados pelas instâncias de fiscalização da Justiça Eleitoral durante o período de propaganda.

Mobilização das ruas como termômetro das urnas

Além das investidas em palanques municipais, os atos públicos têm sido utilizados para energizar a militância e alimentar o ambiente digital. Manifestações a favor de Lula ocuparam a Praça Afonso Arinos e vias da Região Centro-Sul de Belo Horizonte no dia 9 de outubro, além de passagens por Uberlândia, Uberaba, Divinópolis e um ato recente no campus da Universidade Federal de Minas Gerais.

Simultaneamente, eventos de apoio a Flávio Bolsonaro ocorreram no interior, como a reunião popular organizada em Nanuque, no Vale do Mucuri. Pesquisadores apontam que tais demonstrações públicas funcionam prioritariamente para manter a base mobilizada e incentivar o comparecimento presencial às urnas no próximo dia 25 de outubro.

Redação on-line

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