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Uma investigação da Polícia Federal revelou um complexo esquema de supostos pagamentos mensais recorrentes destinados ao senador Ciro Nogueira (PP). As apurações, parte da Operação Compliance Zero, indicam que os valores seriam uma contrapartida pela instrumentalização do mandato parlamentar do senador em favor de interesses financeiros, especialmente do Banco Master. O Supremo Tribunal Federal (STF) já determinou a suspensão de empresas e o monitoramento de envolvidos no caso.
As evidências emergiram de diálogos interceptados entre Daniel Vorcaro e seu operador financeiro, Felipe Vorcaro, detalhando a dinâmica da “parceria BRGD/CNLF”. Neste arranjo, a empresa BRGD S.A., ligada à família Vorcaro, supostamente direcionava recursos para a CNLF Empreendimentos, identificada como um veículo patrimonial do senador.
Em janeiro de 2025, Felipe Vorcaro relatou a Daniel Vorcaro as dificuldades em manter o fluxo de pagamentos devido a um “aumento dos pgtos” ao “parceiro brgd”. Em uma das mensagens, Felipe expressou a situação: “Pessoal me passou aqui sobre o aumento dos pgtos parceiro brgd, mas fluxo esta indo praticamente todo para o btg e ainda estou precisando aportar valores altos todo mes. Amanhã estarei o dia todo em SP, tem algum horário que poderíamos falar?”.
As respostas de Daniel Vorcaro, em 28 de janeiro de 2025, demonstram a urgência e a expectativa de resolução: “Estou na Venezuela”, “Resolve isso pra mim” e “Eu ponho dinheiro depois para repor”. Meses depois, em 30 de junho de 2025, Daniel Vorcaro cobrou o operador pelo atraso de dois meses nos repasses a “ciro”. Em resposta, Felipe questionou: “Vou ver se dou um jeito aqui.. Vai continuar os 500k ou pode ser os 300k?”, indicando que o valor mensal do repasse havia aumentado, passando de R$ 300 mil para R$ 500 mil.
A contrapartida para os supostos pagamentos milionários era a instrumentalização do mandato parlamentar de Ciro Nogueira. Um dos pontos centrais da investigação é a emenda nº 11 à PEC nº 65/2023, apresentada pelo senador em agosto de 2024. A proposta visava elevar o limite de garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante.
A investigação revelou que o texto da emenda foi elaborado pela própria assessoria do Banco Master e entregue em um envelope na residência do senador. Após a apresentação, Daniel Vorcaro teria se vangloriado de que a proposta “saiu exatamente como mandei”, enquanto interlocutores do banco previam que a medida “sextuplicaria” os negócios da instituição. Outros projetos de lei, como o PATEN e o SBCE, também teriam tido suas minutas revisadas e entregues ao gabinete do senador por ordens do banqueiro.
Além dos repasses mensais, Ciro Nogueira teria recebido vantagens por meio de operações societárias consideradas fraudulentas. A empresa CNLF, administrada formalmente pelo irmão do senador, Raimundo Neto, adquiriu 30% da Green Investimentos S.A. pelo valor de R$ 1 milhão. A representação da Operação Compliance Zero ainda registra que Felipe Vorcaro promoveu seu afastamento da presidência da Green Investimentos S.A. no dia seguinte à deflagração da primeira fase da operação, em um contexto que a autoridade policial reputa indiciário de tentativa de dissociação formal de uma das estruturas investigadas.
Para mais detalhes sobre investigações de corrupção, consulte fontes confiáveis como a Polícia Federal.
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