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Compliance Zero mira ex-governador Cláudio Castro em apuração de R$ 3 bilhões do Rioprevidência

A Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF), alcançou sua oitava fase, colocando o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), no centro das investigações. Esta extensa apuração federal mergulha em supostos crimes financeiros, que incluem fraude, corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução da Justiça, todos conectados ao Banco Master. Os desenvolvimentos mais recentes focam em transferências de recursos públicos que somam R$ 3 bilhões, oriundos do Rioprevidência, o fundo responsável pelos benefícios de 235 mil aposentados e pensionistas do estado.

Desde novembro de 2025, a investigação tem avançado sobre diversos núcleos da organização, atingindo executivos do banco, familiares do banqueiro Daniel Vorcaro, políticos, policiais e até mesmo integrantes da própria Polícia Federal. A complexidade do esquema e a amplitude dos envolvidos evidenciam a profundidade da trama que a Operação Compliance Zero busca desvendar, com o objetivo de esclarecer as responsabilidades em cada etapa dos supostos ilícitos.

As Origens da Operação Compliance Zero e os Primeiros Alvos

Deflagrada em novembro de 2025, a primeira fase da Operação Compliance Zero desvendou um suposto esquema de emissão irregular de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) pelo Banco Master. A Polícia Federal (PF) apontou que a instituição oferecia juros significativamente acima da média de mercado, levantando suspeitas sobre a cobertura real desses títulos. O banqueiro Daniel Vorcaro, presidente do Banco Master, foi preso no Aeroporto de Guarulhos enquanto tentava viajar para Dubai, alegando uma negociação de venda do banco.

Esta etapa resultou na prisão de sete pessoas e no afastamento de diretores do Banco de Brasília (BRB), suspeitos de participação em operações fraudulentas. O prejuízo potencial estimado alcançou R$ 12 bilhões, afetando inclusive investidores individuais. Em janeiro de 2026, a segunda fase ampliou o foco para o patrimônio da família Vorcaro, com mandados de busca e apreensão contra o pai, a irmã e o cunhado do banqueiro, além de outros investidores. Por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), foram bloqueados R$ 5,7 bilhões em bens e valores, incluindo relógios de luxo, carros importados e dinheiro em espécie, em uma tentativa de rastrear recursos supostamente desviados e ocultados em fundos de investimento.

Expansão da Trama: Intimidação, Espionagem e Aportes do BRB

A terceira fase, em março de 2026, revelou uma nova dimensão da investigação, focando em crimes de intimidação, espionagem e invasão de sistemas. Daniel Vorcaro foi novamente detido, juntamente com seu cunhado, Fabiano Campos Zettel, e Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”. Este último era apontado como coordenador de grupos responsáveis por obter informações ilegalmente, intimidar adversários e monitorar autoridades que representavam ameaças aos interesses do banco. A PF identificou um grupo denominado “A Turma”, encarregado de pressionar testemunhas e apagar evidências.

Em abril de 2026, a quarta fase da Operação Compliance Zero investigou transações bilionárias envolvendo o Banco de Brasília (BRB). O então presidente afastado do BRB, Paulo Henrique Costa, tornou-se o principal alvo. A PF analisou aportes de R$ 16,7 bilhões feitos pelo BRB no Banco Master entre 2024 e 2025, com R$ 12,2 bilhões apresentando indícios de irregularidades nas garantias e na origem dos ativos. As movimentações levantaram suspeitas de que recursos públicos estariam sendo usados para socorrer financeiramente a instituição privada, especialmente durante negociações para o BRB assumir o controle do Banco Master.

O Núcleo Político e Vazamentos Internos

A Operação Compliance Zero atingiu o núcleo político em sua quinta fase, deflagrada em 7 de maio de 2026. O senador Ciro Nogueira, presidente do PP, foi alvo de mandados de busca e apreensão em Brasília e no Piauí, sob suspeita de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A investigação aponta que o senador teria recebido pagamentos mensais, custeados por Daniel Vorcaro, em troca de atuação favorável aos interesses do Banco Master, inclusive na elaboração de propostas legislativas. Nesta fase, Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel, foi preso, sendo identificado como operador financeiro dos repasses.

A sexta fase, deflagrada em 14 de maio de 2026, focou no suposto uso da máquina pública para obtenção ilegal de informações. Henrique Vorcaro, pai de Daniel, foi preso sob suspeita de coordenar ações de intimidação. O policial federal Anderson Wander da Silva Lima também foi detido, acusado de acessar bancos de dados sigilosos e repassar informações sobre passaportes e viagens para a organização criminosa. A sétima fase, em 19 de maio de 2026, mirou um perito criminal federal suspeito de vazar informações sigilosas da investigação, resultando na suspensão de suas funções e na intensificação da preocupação com a integridade da apuração.

A Oitava Fase: Cláudio Castro e os Recursos do Rioprevidência

A mais recente etapa da Operação Compliance Zero, a oitava fase, foi deflagrada em 26 de maio de 2026, tendo como alvo o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro. A investigação apura a transferência de aproximadamente R$ 3 bilhões em recursos estaduais para fundos vinculados ao Banco Master, principalmente por meio do Rioprevidência. Este fundo é responsável pela gestão das aposentadorias e pensões dos servidores públicos fluminenses, e as operações já haviam sido apontadas como “graves irregularidades” pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), que proibiu novos investimentos no grupo Master.

Agentes da Polícia Federal cumpriram dez mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e no Distrito Federal, por ordem do ministro André Mendonça, do STF. Esta fase é vista como um desdobramento da Operação Barco de Papel, que já investigava investimentos considerados de alto risco e incompatíveis com os critérios de segurança financeira exigidos para fundos públicos. A apuração busca esclarecer o envolvimento de Cláudio Castro e outros agentes públicos na destinação desses recursos, que deveriam garantir a estabilidade financeira dos aposentados e pensionistas do estado. Para mais detalhes sobre a gestão de fundos previdenciários, consulte informações oficiais sobre o Rioprevidência.

Redação on-line

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