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Alckmin critica Milei e reforça parceria estratégica entre Brasil e Coreia do Sul

Em um evento de destaque para as relações comerciais e diplomáticas, o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, abordou a postura do presidente da Argentina, Javier Milei, classificando suas declarações contra o governo brasileiro como “lamentáveis” e um “desserviço” ao próprio país vizinho. Apesar das críticas, Alckmin assegurou que tais comentários não comprometem o avanço da integração econômica do Mercosul, que, segundo ele, vive um momento favorável com acordos já estabelecidos e o interesse crescente da Coreia do Sul.

A declaração foi feita ao final do Brazil-Korea Business Roundtable, realizado em São Paulo em 28 de julho de 2026. O encontro teve como objetivo principal aprofundar a parceria econômica entre Brasil e Coreia do Sul, focando em novos acordos de cooperação em comércio, tecnologia e investimentos, em um cenário global que exige estabilidade e previsibilidade.

Alckmin condena postura de Milei e defende Mercosul

Durante o evento, o vice-presidente Geraldo Alckmin não hesitou em expressar sua desaprovação às falas do presidente argentino. Ele enfatizou que a atitude de Javier Milei, ao se envolver de maneira “absolutamente grosseira” nos assuntos internos do Brasil, é prejudicial à própria Argentina, um país vizinho e amigo.

Apesar da controvérsia, Alckmin reafirmou a solidez do Mercosul, destacando que o bloco tem demonstrado vigor em suas relações comerciais. Acordos já foram concluídos com Singapura, os países da Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) e a União Europeia. Além disso, a Coreia do Sul tem manifestado um forte interesse em avançar nas negociações de um acordo comercial com o grupo, sinalizando um futuro promissor para a integração regional.

Brasil e Coreia do Sul: uma agenda estratégica de cooperação

A iniciativa do Brazil-Korea Business Roundtable, organizada pela ApexBrasil e pela Federação das Indústrias da Coreia (FKI), foi um marco na visita oficial do presidente sul-coreano, Lee Jae Myung. O evento reuniu representantes dos dois governos e empresários de setores cruciais como automotivo, tecnologia, saúde, alimentos e indústria pesada, com o propósito de fortalecer os laços econômicos bilaterais.

Alckmin ressaltou a importância estratégica dessa aproximação, afirmando que “aproximar-nos não é uma opção conveniente, é uma necessidade estratégica”. Ele projetou um futuro ambicioso para a parceria, sugerindo que este pode ser o momento para que os dois países “decolar e mirar objetivos mais altos”, utilizando a metáfora da cooperação espacial. Em 2025, o comércio bilateral entre Brasil e Coreia do Sul atingiu US$ 10,8 bilhões, com investimentos sul-coreanos no Brasil somando US$ 8,9 bilhões. O vice-presidente expressou otimismo, visando quase dobrar esses valores.

Expandindo horizontes: de minerais a tecnologia espacial

A agenda de cooperação entre Brasil e Coreia do Sul é vasta e multifacetada. Na abertura do encontro, Alckmin destacou os sete memorandos de entendimento assinados em 27 de julho de 2026, em Brasília. Esses acordos abrangem áreas estratégicas como minerais críticos, educação, audiovisual, esportes, energia, tecnologia industrial, atividades espaciais e segurança de redes, representando uma oportunidade significativa para ampliar a colaboração.

O Brasil busca ir além da exportação de matérias-primas, almejando uma parceria baseada na industrialização, transferência de tecnologia e engenharia compartilhada. Alckmin enfatizou: “Não queremos apenas exportar minério bruto. Queremos processar, industrializar e investir juntos ao longo da cadeia”. Além disso, o vice-presidente mencionou o potencial do Brasil para atrair investimentos em inteligência artificial e centros de dados, citando a matriz elétrica predominantemente renovável, a disponibilidade de água e a estabilidade regulatória como vantagens competitivas.

Na área aeroespacial, a Coreia do Sul foi o primeiro país asiático a adquirir o cargueiro KC-390 da Embraer, e há um lançamento de foguete sul-coreano previsto para setembro, a partir do Centro Espacial de Alcântara. Outros pontos de destaque incluem a visita sanitária da Coreia do Sul a produtores de carne brasileiros, prevista para agosto, e o fato de que cerca de 40% do café especial consumido na Coreia do Sul, um dos maiores consumidores per capita da bebida, é de origem brasileira.

Comércio bilateral e o cenário global

Laudemir Müller, presidente da ApexBrasil, reforçou a necessidade de previsibilidade no cenário internacional para o avanço das relações comerciais, defendendo o fortalecimento da parceria entre Brasil e Coreia do Sul. Ele apontou que, embora a Coreia importe cerca de US$ 600 bilhões por ano, o Brasil responde por aproximadamente 1% desse mercado, o que indica um vasto potencial de crescimento.

Müller identificou diversas áreas com espaço para ampliar a cooperação, incluindo proteínas animais, frutas, café, biocombustíveis, aeronáutica, defesa, mineração, minerais críticos, indústrias farmacêutica e química, e tecnologia. O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, complementou, citando a atuação de empresas sul-coreanas como Samsung, LG e Posco no Brasil e destacando parcerias em petróleo, defesa e construção naval. Ele também colocou o ministério à disposição para aprofundar o diálogo sobre propriedade intelectual, uma preocupação da delegação sul-coreana.

Questionado sobre a influência de tarifas anunciadas pelos Estados Unidos na relação comercial com a Coreia do Sul, Alckmin esclareceu que o tema não esteve na pauta da reunião. Ele reiterou que o Brasil continuará negociando para reverter tarifas consideradas injustas, mantendo uma estratégia de apoiar empresas afetadas, diversificar mercados e sustentar negociações diplomáticas. Alckmin concluiu que o Brasil defende o multilateralismo e regras claras para o comércio internacional, pois a abertura de mercados beneficia a sociedade com produtos melhores, mais baratos e maior competitividade. Para mais informações sobre comércio exterior, consulte ApexBrasil.

Redação on-line

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