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Dores no pescoço e costas: o impacto do uso excessivo do celular na saúde

O uso prolongado de smartphones e outros dispositivos móveis, um hábito cada vez mais comum na rotina diária, tem sido associado a um aumento significativo de queixas de dores no pescoço e nas costas. A postura inadequada, caracterizada pela inclinação constante da cabeça para frente, impõe uma sobrecarga considerável sobre a musculatura e as articulações cervicais, desencadeando um fenômeno conhecido como “pescoço de texto”.

Essa condição, que se manifesta por desconforto e rigidez, não se restringe apenas à região do pescoço, podendo irradiar para os ombros e a parte superior das costas. Especialistas alertam que a permanência prolongada em posições fixas, sem a devida alternância e pausas, é um dos principais fatores que contribuem para o desenvolvimento desses problemas musculoesqueléticos.

O impacto do celular na postura e na saúde cervical

A inclinação da cabeça para frente durante o uso de dispositivos móveis, como celulares e tablets, aumenta exponencialmente a carga exercida sobre a coluna cervical. Segundo dados do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO), órgão vinculado ao Ministério da Saúde, quanto maior o ângulo de inclinação, maior a pressão sobre essa região delicada do corpo.

Um ortopedista explica que o cerne do problema reside na manutenção prolongada de uma mesma posição. “Quando permanecemos muito tempo olhando para uma tela, principalmente com a cabeça inclinada e sem alternar a posição, a musculatura do pescoço e dos ombros fica submetida a uma sobrecarga prolongada. Isso pode favorecer tensão, fadiga muscular, rigidez e desconforto”, detalha o especialista.

A dor que se estende: ombros e costas também sofrem

Embora a expressão “pescoço de texto” foque na região cervical, os efeitos de uma postura inadequada se propagam por outras áreas do corpo. A projeção da cabeça para frente pode alterar o alinhamento dos ombros e da parte superior das costas, criando um desequilíbrio que leva a dores em regiões distintas.

“Nosso corpo funciona de maneira integrada. Quando projetamos a cabeça para frente, podemos modificar também o posicionamento dos ombros e da parte superior das costas. Se isso acontece repetidamente e por muito tempo, algumas pessoas começam a perceber desconfortos em diferentes regiões”, afirma o médico, ressaltando a interconexão do sistema musculoesquelético.

Fatores além da tela: uma visão abrangente da dor

É crucial entender que o uso do celular, embora um fator relevante, não deve ser considerado a única causa de todas as dores cervicais. O sedentarismo, a presença de condições musculoesqueléticas preexistentes, a rotina de trabalho e a qualidade do sono são elementos adicionais que podem contribuir significativamente para o surgimento e a persistência do problema.

“Não devemos olhar apenas para o ângulo do pescoço. Uma pessoa que passa muitas horas sentada, realiza pouca atividade física, dorme mal e permanece longos períodos sem mudar de posição reúne diferentes fatores que podem contribuir para o aparecimento de dores. É preciso avaliar o paciente e sua rotina como um todo”, enfatiza o ortopedista, defendendo uma abordagem holística na análise da saúde do paciente.

Quando buscar ajuda médica para o desconforto

Desconfortos ocasionais, que surgem após longos períodos em uma mesma posição e melhoram com movimento, descanso e pequenas mudanças de hábitos, geralmente não são motivo de grande preocupação. No entanto, dores frequentes ou persistentes exigem atenção e avaliação profissional.

“Se a dor começa a se repetir, aumenta de intensidade, limita os movimentos ou passa a interferir no trabalho, no sono ou nas atividades do dia a dia, é importante procurar avaliação médica. Formigamento, perda de força ou dor que se irradia para os braços também são sinais que precisam ser investigados”, orienta o especialista, destacando a importância de não ignorar os sinais do corpo.

Estratégias simples para prevenir e aliviar a sobrecarga

Para indivíduos que utilizam celulares e computadores por várias horas ao dia, a adoção de algumas práticas simples pode ser fundamental para reduzir a sobrecarga e prevenir o surgimento de dores. Recomenda-se fazer pausas periódicas, alternar posições, evitar manter a cabeça inclinada por longos períodos e posicionar a tela dos dispositivos na altura dos olhos.

O INTO também sugere mudanças frequentes de posição e a realização de alongamentos regulares durante o uso prolongado de dispositivos. “A ideia não é demonizar o celular, porque ele faz parte da nossa vida pessoal e profissional. O cuidado está na maneira como utilizamos esses dispositivos e, principalmente, em evitar horas seguidas na mesma posição. Levantar, movimentar o corpo, fazer pausas e manter uma rotina de atividade física e fortalecimento são atitudes importantes para a saúde da coluna”, conclui o ortopedista.

A prevenção, segundo o profissional, não se baseia apenas na busca por uma postura “perfeita” constante, mas na ativação do corpo e na quebra da inatividade. “Às vezes a pessoa passa o expediente inteiro diante do computador e, quando faz uma pausa, pega o celular e continua sentada. Depois chega em casa e permanece novamente diante de uma tela. É esse conjunto de hábitos que precisa ser observado. Movimento, fortalecimento, descanso e atenção aos sinais do corpo fazem parte da prevenção”, finaliza.

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