O cenário político em São Paulo para as eleições de 2026 ganhou um novo contorno com o anúncio de Eduardo Bolsonaro, deputado federal cassado, de que não concorrerá como suplente na chapa ao Senado. A decisão, comunicada por ele em suas redes sociais, ocorre em meio a um quadro de condenação judicial e inelegibilidade, além de sua recente obtenção do green card nos Estados Unidos, onde reside desde março de 2025. A desistência impacta diretamente a composição da chapa do Partido Liberal (PL) e levanta discussões sobre o futuro político do parlamentar.
A candidatura de Bolsonaro como primeiro suplente na chapa encabeçada pelo deputado estadual André do Prado, presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, era aguardada por parte do eleitorado. No entanto, o parlamentar optou por recuar, alegando motivos que, segundo ele, visam “preservar um projeto maior” e evitar riscos à campanha senatorial em questão.
Decisão estratégica em meio a desafios legais
Em sua declaração, Eduardo Bolsonaro explicou que a decisão de não prosseguir com o registro da chapa foi tomada após “ouvir advogados em quem confio e refletir profundamente sobre o atual cenário brasileiro”. Ele justificou o recuo mencionando uma “grave insegurança jurídica” e uma “evidente perseguição política contra mim e minha família”. Tais argumentos foram apresentados como fundamentais para a sua escolha de não criar circunstâncias que pudessem comprometer uma candidatura ao Senado que considera “estratégica para o futuro do Brasil”.
O deputado cassado reiterou seu compromisso com princípios ideológicos, afirmando que sua atuação política nunca foi motivada por cargos, mas sim pela defesa da “liberdade, a Constituição, a família e os valores que representam milhões de brasileiros”. Esta postura, segundo ele, orientou a análise que culminou na sua saída da disputa pela suplência.
Implicações da inelegibilidade e cassação
A situação jurídica de Eduardo Bolsonaro é um fator preponderante para sua decisão. Em junho deste ano, o Supremo Tribunal Federal (STF) o condenou por coação de forma unânime, tornando-o inelegível por um período de oito anos. Além da inelegibilidade, o colegiado determinou uma pena de 4 anos e 2 meses a ser cumprida em regime semiaberto. Decisões do STF são finais e impactam diretamente a capacidade de um indivíduo de concorrer a cargos eletivos no país.
Adicionalmente, em dezembro de 2025, o mandato de Eduardo Bolsonaro como deputado federal foi cassado pela Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, em decorrência de faltas. A combinação desses eventos judiciais e administrativos cria um cenário complexo para qualquer pretensão eleitoral no Brasil.
A nova configuração da chapa ao Senado em São Paulo
Com a desistência de Eduardo Bolsonaro, a chapa do PL ao Senado em São Paulo precisou ser reconfigurada. O candidato a senador André do Prado divulgou uma nota em que expressou “respeito” pela decisão do parlamentar. A nova composição da chapa de André do Prado inclui Fernando Fiori de Godoy, ex-prefeito de Holambra, como primeiro suplente, e Rute Costa, vereadora de São Paulo, como segunda suplente.
Em seu comunicado, André do Prado reforçou a união e o foco do grupo na construção de um “projeto que representa milhões de paulistas e brasileiros”. Ele manifestou convicção de que o trabalho conjunto continuará, com cada membro cumprindo sua missão em defesa dos valores que os unem. A chapa de Do Prado também contará com Guilherme Derrite (PP), que busca uma vaga no Senado, e com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que almeja a reeleição.
Vida nos Estados Unidos e o green card
Desde março do ano passado, Eduardo Bolsonaro reside nos Estados Unidos. Durante sua estadia, ele esteve envolvido em articulações políticas, incluindo esforços junto ao governo norte-americano para tentar evitar a condenação de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, no STF, em um julgamento relacionado a uma trama golpista. O ex-presidente, por sua vez, recebeu uma pena de 27 anos.
Em julho do ano passado, o deputado cassado também se manifestou sobre uma decisão do governo Trump de impor um “tarifaço” de 50% de sobrepreço a produtos brasileiros, classificando-a como uma medida “legítima” dos EUA. Mais recentemente, neste mês, Eduardo Bolsonaro obteve o green card, que lhe concede o direito de viver e trabalhar legalmente nos Estados Unidos por tempo indeterminado. Este documento o transforma em residente permanente no país, mas é importante ressaltar que não altera sua cidadania brasileira nem encerra os processos judiciais aos quais ele responde no Brasil.

