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Eleições de 2026: 35 parlamentares LGBT+ eleitos marcam recorde histórico no Legislativo

As eleições de 2026 marcaram um significativo avanço para a representação política no Brasil, com 35 candidatos LGBT+ conquistando cargos legislativos. Este feito representa o maior número já registrado pelo Instituto Plena Cidadania, sublinhando uma crescente presença e influência da comunidade no cenário político nacional. O esforço coletivo resultou em mais de 10,7 milhões de votos, um aumento substancial no apoio público em comparação com ciclos eleitorais anteriores.

Este resultado histórico não apenas reflete uma maior visibilidade, mas também a consolidação de pautas e demandas da comunidade em diversas esferas do poder. Os novos parlamentares ocuparão cadeiras em órgãos como o Senado, a Câmara dos Deputados, as assembleias legislativas estaduais e a Câmara Legislativa do Distrito Federal, prometendo fortalecer a voz LGBT+ no processo legislativo.

Crescimento Sem Precedentes na Representação LGBT+

O ciclo eleitoral de 2026 testemunhou um crescimento notável tanto no número de candidaturas quanto na votação para a comunidade LGBT+. Um total de 519 candidatos disputou as eleições, representando um aumento de 59% em relação a 2022, quando 319 candidaturas foram registradas. O volume de votos recebidos por esses candidatos mais que triplicou, consolidando um avanço expressivo na participação política.

Os 35 parlamentares eleitos em 2026 superam os 18 candidatos LGBT+ que haviam sido eleitos na eleição anterior, demonstrando uma tendência de fortalecimento contínuo da representação. Este cenário aponta para uma maior aceitação e reconhecimento da importância da diversidade nos espaços de decisão do país.

Destaques na Câmara dos Deputados e Perfis das Eleitas

Entre os nomes que se destacaram no pleito, Erika Hilton (PSOL-SP) não apenas garantiu sua reeleição, mas também estabeleceu um novo recorde ao se tornar a mulher mais votada na história da Câmara dos Deputados, com mais de 1,5 milhão de votos. Natural de Franco da Rocha, São Paulo, Erika tem um histórico de defesa dos direitos LGBTQIA+, das mulheres, do trabalho e combate à discriminação, sendo autora de 113 projetos de lei. Sua atuação na comissão que discutiu o fim da Escala 6X1 também ganhou grande repercussão.

Outra figura importante é Duda Salabert (PDT-MG), professora de Belo Horizonte, que também conquistou um novo mandato. Com 45 anos, Duda concentra sua atuação em meio ambiente, proteção animal, educação e direitos humanos, tendo proposto 605 projetos de lei. Ela foi a terceira deputada federal mais votada em Minas Gerais, com mais de 229 mil votos. A Câmara dos Deputados receberá ainda Thabatta Pimenta (PV-RN), que estreia na Casa. Aos 34 anos, Thabatta, natural de Carnaúba dos Dantas, Rio Grande do Norte, atua na defesa de pessoas com deficiência e pautas da comunidade LGBT, sendo a oitava mais votada em seu estado, com mais de 90 mil votos.

Demografia e Desafios da Representação Política

O levantamento do Instituto Plena Cidadania revela que as candidaturas eleitas são majoritariamente protagonizadas por mulheres e pessoas negras. Das 35 pessoas LGBT+ eleitas, 27 são mulheres e 22 são pessoas negras, evidenciando uma interseccionalidade na representação. Além das três deputadas federais, outras quatro mulheres trans foram eleitas para cargos políticos em 2026.

Apesar do avanço, a comunidade LGBT+ ainda enfrenta subrepresentação política. Segundo o Instituto Plena Cidadania, embora represente 9% da população brasileira, ocupa apenas 2,15% das vagas no Legislativo. A concentração de eleitos na região Sudeste, com 20 dos 35 parlamentares, também aponta para desafios na distribuição geográfica da representação. Todas as candidaturas LGBT+ eleitas pertencem a partidos de esquerda, um dado que reflete o espectro político da comunidade.

Pautas Urgentes e o Cenário Político para 2027

A agenda para os parlamentares LGBT+ eleitos em 2027 é marcada por pautas cruciais, como a proteção da comunidade e a garantia de direitos. A violência contra pessoas trans e travestis permanece uma preocupação, com 80 mortes registradas em 2025, o menor número em uma década, mas que ainda mantém o Brasil, pelo 17º ano consecutivo, como o país mais perigoso para essa população, conforme a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA).

A violência política também é uma realidade, com 94% das candidaturas LGBT+ relatando episódios de violência, e oito dos 35 eleitos afirmando terem recebido ameaças de morte. Com o aumento das bancadas LGBT+, a expectativa é que projetos de lei focados na empregabilidade, na proteção e na não-retrocesso de direitos já garantidos possam avançar nas respectivas Casas legislativas. Fontes ligadas ao movimento, ouvidas pelo g1, destacam também que a empregabilidade de pessoas LGBTs e pautas ligadas ao não-retrocesso de direitos já garantidos fazem parte da agenda dos candidatos eleitos.

Muitos dos direitos fundamentais da comunidade, como casamento homoafetivo e criminalização da homofobia, foram conquistados via decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). Com a indicação de pelo menos quatro novos ministros para o STF pelo próximo presidente, as movimentações no Judiciário também se tornam um ponto de atenção para a comunidade.

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