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A dinâmica geopolítica na América Latina tem se mostrado cada vez mais complexa, com a ascensão de governos de direita e a crescente influência dos Estados Unidos na região. Segundo a especialista em Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Regiane Bressan, essa interferência americana, motivada em parte pelo receio da expansão chinesa, poderá se manifestar de forma significativa nas próximas eleições brasileiras.
Em entrevista, Bressan afirmou: “Eu acredito que os Estados Unidos continuarão tensionando a nossa região e acho que vão tensionar as eleições no Brasil”. Essa perspectiva sublinha um cenário onde a política interna dos países latino-americanos se entrelaça com interesses e pressões externas, moldando o futuro político e econômico do continente.
As recentes vitórias presidenciais na América Latina reforçaram uma tendência observada há alguns anos: a inclinação da região para governos de direita. Exemplo disso foi a eleição de Keiko Fujimori no Peru, que se consagrou vencedora após uma apuração acirrada, superando o candidato de esquerda Roberto Sánchez por uma margem estreita de 49.641 votos. Este resultado espelha a disputa voto a voto que caracteriza o cenário político latino-americano.
Outra vitória notável foi a de Abelardo de la Espriella na Colômbia, que também emergiu como vencedor em um segundo turno bastante disputado. Embora Fujimori e De la Espriella sejam figuras de direita, a professora Regiane Bressan destaca suas características antagônicas. Enquanto De la Espriella é um empresário jovem e outsider político, Fujimori provém de uma família tradicional e concorreu em outras três eleições antes de sua vitória.
A guinada à direita na América Latina, um movimento que se intensificou desde o início dos anos 2000, é atribuída a uma série de fatores interligados. Regiane Bressan aponta a descrença na política tradicional, a influência cada vez maior das redes sociais e a busca por soluções rápidas para problemas complexos como elementos-chave para essa mudança de panorama.
Um denominador comum nas campanhas vitoriosas, especialmente as mais recentes, tem sido o forte discurso de combate ao narcotráfico e à violência nas ruas. Tanto Keiko Fujimori quanto Abelardo de la Espriella foram eleitos com essa pauta em destaque, contribuindo para um mapa político regional cada vez mais conservador, conforme a orientação política dos líderes em junho de 2026.
Para Regiane Bressan, os Estados Unidos exercem uma influência constante, direta ou indiretamente, nas decisões políticas da América Latina. Essa pressão não se restringe a governos de esquerda; mesmo líderes de direita podem enfrentar o tensionamento americano. Um exemplo notório é o Panamá, onde o presidente José Raúl Mulino, embora de direita, sofreu pressões dos EUA sobre o controle do Canal do Panamá, conforme um documento divulgado em 5 de dezembro de 2025.
A questão do narcotráfico é outro ponto de intersecção da influência americana. Países como Peru, Bolívia e Colômbia, que lideram o envolvimento com o narcotráfico, podem ver uma participação mais ativa dos EUA no combate a esse problema transnacional. Bressan ressalta que o principal mercado consumidor de drogas são os Estados Unidos, o que cria uma interdependência e a necessidade de uma ofensiva conjunta, já que os países da região não conseguirão lidar com o problema sozinhos. Para mais informações sobre geopolítica regional, clique aqui.
A análise da especialista abrange diversos países da América Latina, revelando um mosaico de alinhamentos e desafios. Na Argentina, Javier Milei, eleito em 2023, é um presidente de direita alinhado a Donald Trump, focado na crise econômica. Na Bolívia, Rodrigo Paz Pereira, também de direita, encerrou um ciclo socialista.
O México, sob a liderança de Claudia Sheinbaum, de esquerda, enfrenta dificuldades para manter autonomia e soberania devido à forte interdependência com os EUA, especialmente em questões como migração, narcotráfico e comércio, apesar de ter buscado maior presença regional e diálogo na questão venezuelana após as eleições de julho de 2024. No Chile, a vitória de José Antonio Kast no fim de 2025 foi impulsionada pela pauta de segurança pública e a pressão migratória. O Uruguai, com Yamandú Orsi, de esquerda, destaca-se pela estabilidade política e manutenção de políticas públicas, independentemente do alinhamento ideológico.
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