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Eletricista formalmente tesoureiro de ONG investigada por R$ 83 milhões nega atuação e alega empréstimo de dados

Um eletricista, formalmente registrado como tesoureiro de uma organização não governamental (ONG) que é alvo de uma investigação da Polícia Federal (PF) por movimentações financeiras que somam cerca de R$ 83 milhões, afirma nunca ter exercido a função. Vanderlei Magalhães Natividade, que aparece em documentos como tesoureiro do Instituto Conhecer Brasil (ICB), ligado à empresária Karina da Gama, alega ter apenas emprestado seus dados para a constituição da entidade há mais de uma década.

A defesa de Natividade declarou que ele não teve qualquer papel ativo no instituto, que mantém um contrato milionário com a Prefeitura de São Paulo. A revelação surge em meio a uma operação da Polícia Federal autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que teve a casa do eletricista como um dos alvos de busca e apreensão.

Eletricista nega atuação em movimentações financeiras de ONG

Os advogados de Vanderlei Magalhães Natividade, Miguel Kupermann e Matheus Yasbeck Montenegro, esclareceram que seu cliente “nunca exerceu qualquer atividade de fato no instituto”. Segundo a defesa, há 12 anos, Natividade forneceu seus dados à prima, Karina da Gama, para auxiliá-la na criação do Instituto Conhecer Brasil (ICB), sendo formalmente registrado como tesoureiro estatutário.

Apesar de seu nome constar nos estatutos, os advogados enfatizam que ele jamais movimentou contas da entidade ou recebeu qualquer valor relacionado à sua suposta posição executiva. A Polícia Federal, no entanto, aponta a assinatura de Natividade em documentos que registram movimentações financeiras expressivas do ICB em um período de apenas um ano.

Operações policiais e laços familiares em investigação

A residência de Vanderlei Natividade, localizada na Vila Brasilândia, Zona Norte de São Paulo, foi alvo de uma operação de busca e apreensão da Polícia Federal em 10 de setembro, após autorização do ministro Flávio Dino. Anteriormente, em 1º de junho, ele já havia sido alvo de uma ação similar da Polícia Civil de São Paulo.

A proximidade física das residências de Natividade e da família de Karina da Gama, que fazem fundos, é um ponto destacado pela defesa para explicar o uso de seu nome na constituição do instituto. Os advogados afirmam que a relação de confiança e a proximidade familiar motivaram o empréstimo dos dados, mas não implicam em qualquer envolvimento ativo na administração ou na movimentação de recursos da entidade. Natividade se apresenta nas redes sociais como um eletricista industrial, sem envolvimento com política ou produção cultural.

Instituto Conhecer Brasil e o filme “Dark Horse” no centro da apuração

O Instituto Conhecer Brasil (ICB) está sob escrutínio da Polícia Federal devido a suspeitas envolvendo recursos públicos e movimentações financeiras. A entidade, que possui um contrato milionário com a Prefeitura de São Paulo, é de propriedade de Karina da Gama, também produtora do filme “Dark Horse”. Este filme retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro e é parte do contexto da investigação.

A investigação da PF busca esclarecer as irregularidades apontadas nas movimentações financeiras do ICB. O g1 procurou o Instituto Conhecer Brasil para obter um posicionamento sobre o motivo de Natividade ainda figurar como tesoureiro, mas não obteve retorno até o momento.

Defesa de Karina da Gama contesta operação da Polícia Federal

Em resposta à operação da Polícia Federal, a defesa de Karina Ferreira da Gama apresentou uma reclamação constitucional ao Supremo Tribunal Federal. Segundo o advogado Ricardo Sayeg, a medida visa garantir a competência do tribunal e o cumprimento de suas decisões, sem questionar o mérito da investigação em si.

A defesa de Karina da Gama ressalta que a empresária tem colaborado espontaneamente com a investigação, tendo entregue mais de 20 mil páginas de documentos à Polícia Federal na semana anterior à operação. A reclamação constitucional é um instrumento jurídico utilizado para assegurar a autoridade de decisões de um tribunal superior e a competência do juiz natural em um processo.

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