O governo brasileiro, sob a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, descarta a possibilidade de critérios ideológicos influenciarem a avaliação da indicação de Daniel Perez para o cargo de embaixador dos Estados Unidos no Brasil. Apesar do alinhamento de Perez com a pauta MAGA (Make America Great Again) e o secretário de Estado, Marco Rubio, o foco da diplomacia brasileira permanece na análise técnica e nas práticas protocolares.
No entanto, a nomeação de Perez pelo governo de Donald Trump gerou desconforto no Itamaraty devido à ausência de uma consulta formal prévia, um procedimento padrão nas relações diplomáticas. Este fato pode configurar um novo ponto de atrito entre Brasil e Estados Unidos, mesmo com a disposição brasileira de manter um diálogo pragmático.
A Indicação de Embaixador e o Desconforto Diplomático
A praxe diplomática internacional estabelece que, antes de anunciar publicamente um nome para chefiar uma embaixada, o governo proponente realiza uma consulta formal e confidencial ao país anfitrião. Este procedimento, conhecido como “agrément”, visa garantir a aceitação prévia do indicado e evitar constrangimentos diplomáticos.
A indicação de Daniel Perez pelos Estados Unidos, sem a observância desse protocolo, causou incômodo no Itamaraty. A diplomacia brasileira entende que a falta de um agrément prévio pode ser interpretada como um desrespeito às normas estabelecidas, potencialmente gerando fricções nas relações bilaterais. Uma vez solicitado o agrément, o Brasil procederá com uma análise detalhada do currículo do indicado, como é de costume.
Ideologia e Pragmatismo nas Relações Bilaterais
Apesar do histórico de Daniel Perez como forte defensor do movimento MAGA e de ações norte-americanas na América Latina, auxiliares diplomáticos do governo brasileiro asseguram que a ideologia não será um fator determinante para a aprovação de sua nomeação. A postura do Brasil é de gerenciar as relações internacionais com base no pragmatismo, priorizando o diálogo e os interesses mútuos, independentemente de alinhamentos políticos.
Interlocutores da área internacional do governo reiteram que as diferenças ideológicas não são adotadas como critério para o gerenciamento das relações ou do diálogo entre chefes de estado, e a mesma lógica se aplica aos representantes diplomáticos. O governo brasileiro, inclusive, valoriza a presença de um embaixador no país, em contraste com um encarregado de negócios, pois um embaixador possui maior capacidade de interlocução e representa um gesto simbólico positivo nas relações bilaterais.
Quem é Daniel Perez, o Indicado de Trump
Daniel Perez, escolhido pelo governo de Donald Trump para ser o próximo embaixador dos Estados Unidos no Brasil, é um parlamentar da Flórida. Filho de imigrantes cubanos, Perez nasceu em Nova York e se mudou para a Flórida em 1993. Ele é membro do Partido Republicano, o mesmo de Trump, e demonstra apoio às políticas do ex-presidente.
Atualmente, Perez está no comando da Câmara da Flórida desde 2024. No ano anterior, seu nome chegou a ser cotado para o cargo de procurador-geral do estado, mas ele optou por permanecer na presidência da Casa. Sua indicação ocorre em meio a um embate político entre ele e o governador da Flórida, Ron DeSantis.
O Cenário Atual da Representação Diplomática
Os Estados Unidos estão sem um embaixador no Brasil desde janeiro de 2025. Caso seja aprovado, Daniel Perez será o primeiro embaixador dos EUA no Brasil desde a saída de Elizabeth Bagley, indicada por Joe Biden. Atualmente, a missão diplomática americana em Brasília é comandada pelo encarregado de negócios Gabriel Escobar.
Na semana passada, os EUA anunciaram que Escobar será substituído por Natasha Franceschi a partir de julho. A presença de um embaixador de pleno direito é vista como crucial para a profundidade e a eficácia das relações diplomáticas entre os dois países, facilitando a comunicação em temas de interesse comum, como os discutidos entre Lula e Donald Trump na Casa Branca, que incluíram terras raras, crime organizado e comércio. Para mais informações sobre as relações bilaterais, visite o Departamento de Estado dos EUA.

