O 7º Fórum Internacional de Educação dos Municípios do Alto Tietê chegou ao último dia destacando a formação dos professores e a redução das desigualdades como caminhos para fortalecer o futuro da escola pública. Na palestra de encerramento, realizada nessa quarta-feira (30), o economista e superintendente executivo do Instituto Unibanco, Ricardo Henriques, defendeu que as redes de ensino preparem os seus profissionais para os desafios tecnológicos e ofereçam a cada estudante o apoio necessário para aprender. O encontro de encerramento abordou os ‘Desafios do Futuro da Escola Pública’ em transmissão ao vivo pelo YouTube para profissionais da rede pública da região.
Mestre em Economia pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Henriques destacou que a educação brasileira tem avançado, especialmente nos anos iniciais do ensino fundamental, mas precisa melhorar em um ritmo mais acelerado para garantir que esses avanços alcancem todos os alunos. “Se qualidade for para alguns, qualidade não será, porque ela será excludente por algum critério pretérito. Então, a ambição de uma sociedade transformadora é aquela que, me parece, do ponto de vista da educação, coloca a referência de altas expectativas para viabilizar excelência para todos, todos com excelência”, advertiu o especialista.
Entre os caminhos apresentados, o palestrante defendeu que secretarias de Educação, gestores e professores trabalhem juntos para identificar as dificuldades dos estudantes e recuperar aprendizagens. Henriques também propôs integrar o planejamento do ensino, as avaliações e a formação dos educadores, usando os resultados para orientar o trabalho em sala de aula e acompanhar o desenvolvimento de cada aluno.
Representantes dos municípios consorciados participaram do debate ao fim da palestra. A secretária adjunta de Educação de Mairiporã, Fernanda Arnoni de Castro Neves Del Ciampo, perguntou como preparar os professores para usar a inteligência artificial sem aumentar as desigualdades e ouviu do palestrante que a tecnologia deve ajudar os estudantes a investigar, a questionar e a pensar melhor, com orientação dos educadores.
Já o secretário adjunto de Educação de Poá, Marcelo Marques, destacou a importância de uma escola que acolha, cuide e fortaleça as relações entre as pessoas. Ele questionou como a formação dos professores pode unir essa proposta aos desafios tecnológicos. Henriques defendeu que os profissionais combinem o conhecimento da tecnologia com o respeito às diferenças, a convivência e a formação para a cidadania.
O diretor do Departamento do Processo Educativo de Mairiporã, Eduardo Nagliati Luz, perguntou sobre o conceito de excelência com equidade, apresentado na palestra. O economista explicou que a busca por bons resultados deve incluir todos os estudantes, desde a primeira infância, com oportunidades para desenvolver as suas capacidades e apoio de acordo com as suas necessidades.
O 7º Fórum Internacional de Educação dos Municípios do Alto Tietê é uma realização das Secretarias de Educação das cidades consorciadas, promovido pelo Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê e Região (CONDEMAT+), com coordenação executiva do Instituto Brasileiro de Sociologia Aplicada (IBSA) e apoio institucional da Unesco.
Um mês de reflexões
O fórum realizou cinco encontros ao longo de setembro. Na abertura, Mariana Rosa abordou os ‘Desafios da Educação Especial e Inclusiva’, defendendo a identificação e a eliminação das barreiras que dificultam o acesso, a participação e a aprendizagem dos estudantes, aliadas ao fortalecimento do Atendimento Educacional Especializado (AEE) como serviço integrado ao trabalho pedagógico.
No segundo encontro, Maria do Pilar Lacerda discutiu os ‘Desafios da Educação Integral em Tempo Integral’, propondo transformar o tempo ampliado na escola em uma experiência de aprendizagem significativa, com qualidade e oportunidades para todos, e não apenas aumentar a jornada dos estudantes.
Na terceira sessão, Telma Pileggi Vinha tratou do tema ‘Como Enfrentar as Violências na Escola e Contra a Escola’, destacando ações contínuas de convivência, formação dos profissionais, escuta e participação dos estudantes.
A quarta sessão teve a participação de Cléa Maria Ferreira, que abordou os ‘Desafios de uma Educação das Relações Étnico-Raciais e Antirracista’. A educadora defendeu que a educação antirracista precisa estar presente nas relações e nas decisões pedagógicas do dia a dia para que deixe de ser uma ação pontual e produza mudanças.
