Imagem gerada com IA
A Polícia Civil de São Paulo deflagrou uma operação nesta segunda-feira (1), cumprindo mandados de busca e apreensão na sede da Prefeitura da capital paulista e em sete outros endereços. O foco da ação é a empresária Karina Ferreira da Gama, proprietária do Instituto Conhecer Brasil (ICB) e da produtora Go Up, em meio a suspeitas de fraude e desvio de recursos públicos.
A investigação apura um contrato milionário entre a Prefeitura de São Paulo e o ICB, que previa a instalação de 5 mil pontos de wi-fi na cidade, com um custo de R$ 108 milhões para o município. A principal linha de apuração é se parte desse dinheiro público, destinado à infraestrutura de internet, teria sido desviada para financiar a cinebiografia de Jair Bolsonaro, produzida pela Go Up.
A ação policial, que ocorreu em diversos pontos da capital, teve como alvo principal a empresária Karina Ferreira da Gama, cujas entidades estão sob escrutínio. Os mandados de busca e apreensão visam coletar provas que possam esclarecer a movimentação financeira e a destinação dos recursos envolvidos no contrato.
O contrato em questão, celebrado entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), estabelecia a implementação de uma vasta rede de acesso à internet gratuita. A quantia de R$ 108 milhões alocada para este projeto levanta questões sobre a transparência e a correta aplicação dos fundos.
A Polícia Civil de São Paulo busca determinar se houve um uso indireto de dinheiro público da prefeitura para custear a produção do filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A empresária Karina Ferreira da Gama, que é dona tanto da ONG responsável pelo contrato de wi-fi quanto da produtora do filme, está no centro dessa apuração.
Jornalistas como Rodrigo Rodrigues, do g1, e Guilherme Balza, da GloboNews, têm acompanhado de perto o caso, revelando as conexões entre a Prefeitura de São Paulo, o ICB e a Go Up. A complexidade da rede de relações e a sobreposição de interesses são aspectos cruciais que a investigação tenta desvendar.
Além do contrato com a prefeitura, a investigação se estende a outras fontes de financiamento e apoio às entidades ligadas à produtora do filme. Deputados do PL e do PT em São Paulo, por exemplo, teriam destinado mais de R$ 700 mil em emendas parlamentares a entidades associadas à Go Up, ampliando o leque de suspeitas sobre a origem dos recursos.
Outro ponto de destaque é o financiamento do filme por Daniel Vorcaro, que, segundo a própria dona da produtora, bancou mais de 90% do orçamento. A relação de Vorcaro com figuras políticas, incluindo uma reunião admitida por Flávio Bolsonaro enquanto o banqueiro usava tornozeleira eletrônica, adiciona camadas de complexidade ao caso. Declarações de Flávio, Eduardo Bolsonaro e Mário Frias sobre o financiamento de Vorcaro também estão sendo analisadas no contexto da investigação.
O filme, intitulado ‘Dark Horse’, ganhou notoriedade por ter o ator norte-americano Jim Caviezel interpretando o ex-presidente Jair Bolsonaro. A produção cinematográfica, que deveria ser financiada por meios privados, agora se encontra sob a sombra de uma investigação que pode revelar um intrincado esquema de desvio de verbas públicas.
A operação policial e as subsequentes apurações jornalísticas buscam trazer clareza sobre a legalidade e a ética por trás do financiamento de projetos que envolvem tanto o poder público quanto produções culturais de grande visibilidade. A Polícia Civil de São Paulo segue com as diligências para elucidar todos os fatos.
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