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Gastos do filme Dark Horse geram controvérsia entre produtora e diretor

O filme “Dark Horse”, que retrata a figura do ex-presidente Jair Bolsonaro, encontra-se no centro de uma intensa controvérsia envolvendo seus custos de produção e financiamento. A produtora Karina Gama, da empresa GoUp, e o diretor do longa, Cyrus Nowrasteh, apresentaram versões divergentes sobre o orçamento já executado, especialmente no que tange à inclusão de despesas com marketing e distribuição.

Paralelamente, a Polícia Federal (PF) aprofunda uma investigação sobre a origem dos recursos que financiaram a produção. A apuração busca esclarecer se houve desvio de finalidade dos valores e se a totalidade do montante foi efetivamente aplicada no filme, adicionando uma camada de complexidade ao cenário financeiro da obra cinematográfica.

Divergências sobre o orçamento de Dark Horse

As declarações do diretor Cyrus Nowrasteh e da produtora Karina Gama revelam uma clara discordância sobre a composição dos gastos do filme. Nowrasteh, em publicações na rede social “X”, afirmou que os valores divulgados para o custo de “Dark Horse” estão “ridiculamente inflados”, pois incluem custos projetados de marketing e publicidade. Ele argumentou que, nos Estados Unidos, onde a maior parte das despesas foi incorrida, é comum separar os orçamentos de produção dos de marketing, diferentemente da prática brasileira.

“Os números divulgados para o custo do filme são ridiculamente inflados. Eles incluem custos projetados de marketing para ‘Dark Horse’. Marketing e publicidade para um filme frequentemente excedem os custos de produção. Nos EUA, não combinamos os dois, como fazem no Brasil”, declarou o diretor. Ele reiterou que a comparação de custos feita pela imprensa brasileira seria falha ao misturar produção e marketing na cifra total.

Em contrapartida, Karina Gama, da GoUp, informou que os cerca de US$ 13 milhões já gastos com o filme não englobam a verba destinada à distribuição, divulgação e marketing, conhecida no setor como “P&A” (Prints and Advertising). Segundo a produtora, esses recursos foram aplicados nas fases de desenvolvimento, pré-produção, filmagem e pós-produção, e que ainda serão necessários mais fundos para as etapas de distribuição e divulgação.

A investigação da Polícia Federal sobre os fundos

A Polícia Federal intensificou as investigações sobre a origem e o destino de US$ 12,3 milhões que teriam sido repassados para o filme. De acordo com relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o banqueiro Daniel Vorcaro teria efetuado sete parcelas desse montante entre janeiro e setembro de 2025, a pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A PF apura se houve outras formas de pagamento e se o dinheiro foi integralmente destinado ao filme ou se parte dele foi desviada para outras finalidades.

Entre as linhas de investigação, a polícia busca determinar se os recursos foram utilizados para manter a permanência de Eduardo Bolsonaro, deputado federal cassado, nos Estados Unidos. Essa apuração adiciona um elemento político significativo à controvérsia financeira que cerca a produção de “Dark Horse”, levantando questões sobre a transparência e a legalidade do financiamento da obra.

Obstáculos na apuração dos gastos nos Estados Unidos

A complexidade da investigação é ampliada pelo fato de que a maior parte dos gastos com “Dark Horse” ocorreu nos Estados Unidos, apesar de o filme ter sido inteiramente rodado no Brasil. Mike Davis, sócio de Karina Gama e responsável pela GoUp Entertainment LLC, braço americano da produtora, impôs restrições ao acesso a documentos da empresa.

Davis comunicou, por e-mail, que não autorizava o repasse de documentos societários, contábeis, fiscais, bancários ou contratuais da empresa custodiados nos Estados Unidos às autoridades brasileiras. Ele condicionou a liberação dessas informações à estrita observância do devido processo legal norte-americano, exigindo que o pedido seja formalizado por meio dos mecanismos de cooperação jurídica internacional entre os dois países. Essa postura pode atrasar a conclusão das investigações da PF sobre a real aplicação dos recursos.

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