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STF recebe inquérito sobre suposta perseguição de Nelson Tanure a investidor

A 4ª Vara Criminal Federal de São Paulo remeteu ao Supremo Tribunal Federal (STF) um inquérito da Polícia Federal que investiga acusações de ameaças e perseguição contra o empresário Nelson Tanure. O gestor de fundos de investimento Vladimir Timerman, fundador da Esh Capital, é quem faz as denúncias, alegando ser alvo de coação por parte de Tanure, figura já sob investigação no caso do Banco Master. Este desenvolvimento marca mais um capítulo na longa e complexa disputa judicial entre os dois.

A remessa do inquérito ao STF, ocorrida no último dia 17, coloca a questão sob a análise do ministro André Mendonça, relator do caso Master na Corte. A expectativa é que Mendonça decida se este novo inquérito será anexado aos demais processos que já tramitam no Supremo, os quais apuram um suposto esquema criminoso envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e seus colaboradores.

As Acusações de Perseguição e a Conexão com o Caso Master

Vladimir Timerman tem sido uma voz ativa nas denúncias contra Nelson Tanure, afirmando desde 2023 que o empresário é o verdadeiro “dono oculto” do Banco Master. Em depoimento à CPI do Crime Organizado no Senado, em 18 de março, Timerman reiterou suas acusações, alegando ter reunido evidências contra Tanure muito antes de o empresário ser alvo das autoridades. As denúncias de Timerman incluem práticas de “insider trading” com ações da empresa Alliar e irregularidades na construtora Gafisa, com o Banco Master sendo apontado como parte da engenharia financeira.

O inquérito da Polícia Federal em São Paulo foi aberto em 2024, após Timerman relatar ao Ministério Público Federal que estava sofrendo assédio judicial e monitoramento em tempo real por parte de Tanure e seus associados. Essas ações seriam uma retaliação às denúncias públicas feitas pelo gestor de fundos. Timerman argumenta que as ameaças que sofreu são semelhantes ao modus operandi da “Turma” de Daniel Vorcaro, um grupo conhecido por intimidações e ataques a adversários.

O Modus Operandi da “Turma” de Vorcaro e o Pedido ao Supremo

A “Turma” de Daniel Vorcaro, conforme apontado pelas investigações da Polícia Federal, era um grupo de WhatsApp utilizado para discutir e planejar intimidações contra pessoas que atrapalhavam os interesses do grupo. Além das ameaças, o grupo também é suspeito de hackear sistemas oficiais de órgãos estatais e de atacar a reputação de indivíduos para silenciá-los. Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, que se suicidou após ser preso, era um dos membros próximos a Vorcaro.

A petição de próprio punho de Timerman, feita em 16 de março, solicitou que o inquérito fosse remetido ao STF. Ele alegou que caberia ao Supremo e à Procuradoria-Geral da República (PGR) analisar a possível relação entre as ações de monitoramento, ameaças físicas, intimidação, assédio processual e silenciamento que descreveu e o padrão de atuação da “Turma” de Vorcaro. O juiz Caio Greggio, da 4ª Vara Federal, acatou o pedido no dia seguinte. Se o ministro André Mendonça decidir manter o inquérito na Corte, ele será integrado aos outros processos que já investigam o grupo de Vorcaro por diversas operações fraudulentas.

As Defesas e Contestações dos Envolvidos no Caso

Nelson Tanure, por sua vez, nega veementemente as acusações. Em nota divulgada após o depoimento de Timerman à CPI, a assessoria do empresário afirmou que ele “nunca foi sócio, controlador ou beneficiário, direto ou indireto, do Banco Master, tendo mantido com a instituição apenas relações comerciais legítimas, como cliente e investidor”. A defesa de Tanure também contesta a credibilidade de Timerman, alegando que o gestor de fundos “ostenta diversas condenações no Poder Judiciário” e que Tanure, com décadas de experiência no mercado, jamais havia sido acusado de práticas delitivas.

A defesa de Vladimir Timerman confirmou a existência da investigação para apurar os atos sofridos por ele em decorrência das denúncias. O advogado Cássio Chechi de Assis ressaltou que Timerman não possuía qualquer processo criminal ou condenação antes de noticiar as supostas ilicitudes na Alliar, Gafisa e no Banco Master. Este embate legal é complexo, com acusações mútuas e um histórico de processos, incluindo uma queixa-crime por calúnia e difamação movida por Daniel Vorcaro contra Timerman, que foi arquivada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo.

Desdobramentos no Supremo Tribunal Federal

A decisão do ministro André Mendonça será crucial para o andamento deste inquérito. Caso ele seja mantido no STF, irá se somar a outras investigações já em curso contra o grupo de Daniel Vorcaro. Essas investigações abrangem operações fraudulentas entre o Banco Master e o Banco Regional de Brasília (BRB), o uso de fundos de investimento para manipulação de mercado e lavagem de capitais, além da contratação de influenciadores digitais para atacar autoridades do Banco Central.

A complexidade do caso é acentuada por detalhes como o envolvimento da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes, que representou Vorcaro e o Master em um processo contra Timerman. Embora o escritório dela tenha tido um contrato milionário com o Master, sua atuação principal era voltada para compliance e controles internos, não para questões judiciais diretas, conforme ela mesma esclareceu. A remessa deste inquérito ao Supremo Tribunal Federal sublinha a gravidade das acusações e a amplitude das investigações que cercam o Banco Master e seus envolvidos.

Redação on-line

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