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Inteligência artificial: pré-candidatos à presidência divergem sobre seu uso nas eleições

À medida que o cenário político se prepara para as próximas eleições, o uso da inteligência artificial (IA) emerge como um ponto central de debate entre as pré-campanhas dos principais candidatos à Presidência. A tecnologia, que promete revolucionar a comunicação e a interação com o eleitorado, divide opiniões sobre sua aplicação em propagandas e vídeos eleitorais.

Enquanto alguns estrategistas veem na IA uma ferramenta indispensável para otimização e alcance, outros levantam preocupações éticas e a possibilidade de aprofundar a desconfiança já existente da população em relação à classe política. A discussão reflete a complexidade de integrar inovações tecnológicas em um ambiente que exige autenticidade e transparência.

O espectro da inteligência artificial: entre a otimização e a desconfiança

A adoção da inteligência artificial nas campanhas eleitorais apresenta um leque de vantagens e desvantagens, conforme apontam os integrantes das equipes dos pré-candidatos. Entre os aspectos positivos, destacam-se a significativa redução de custos operacionais e a facilidade de acesso a ferramentas tecnológicas avançadas.

Por outro lado, a preocupação com a percepção de artificialidade e o potencial de aprofundar a desconfiança já existente da população em relação à classe política são fatores que levam algumas campanhas a ponderar sobre a limitação do uso da IA. O desafio reside em equilibrar a inovação com a manutenção de uma conexão genuína com o eleitorado.

Lula, Bolsonaro e Zema: diferentes abordagens à tecnologia

As pré-campanhas dos principais nomes na corrida presidencial demonstram abordagens distintas quanto ao emprego da inteligência artificial. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por exemplo, planeja utilizar a IA primordialmente como um recurso de apoio, sem a intenção de substituir sua imagem em gravações ou de gerar versões artificiais do candidato.

Éden Valadares, secretário nacional de Comunicação do PT, enfatiza que “nas redes ou na TV, será sempre o Lula de verdade, falando de verdade”. O próprio presidente manifestou em um evento na Bahia, em maio, sua recusa em usar IA para criar comícios virtuais, reforçando a importância do contato direto e da autenticidade na política.

Em contrapartida, a equipe de Flávio Bolsonaro tem explorado a inteligência artificial em vídeos para redes sociais, com conteúdos devidamente identificados como gerados por IA, em conformidade com a legislação. Um exemplo notável é a representação do pré-candidato como piloto de caça em combate a facções, buscando engajamento, embora aliados reconheçam que o formato não garante necessariamente maior impacto que outros.

Romeu Zema, do Novo, também tem investido na ferramenta, percebendo-a como uma solução simples e de baixo custo. Sua campanha já utilizou a IA para criar animações que criticam privilégios de autoridades, sem a intenção de enganar, mas sim de ilustrar pontos de vista de forma acessível.

A cautela de Caiado e Santos na adoção da IA

Em um espectro mais conservador em relação à inteligência artificial, as pré-campanhas de Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) inclinam-se para a priorização de vídeos com a presença física dos candidatos. Um estrategista da pré-campanha de Caiado resume essa postura com a máxima “quanto menos, melhor”, sugerindo um uso limitado da IA, talvez para a apresentação de projetos específicos.

De forma similar, Amanda Vettorazzo, coordenadora da campanha de Santos, indica que a intenção é empregar a tecnologia o mínimo possível, principalmente para ilustrar propostas como projetos de reurbanização de comunidades, garantindo que o foco permaneça na autenticidade da mensagem e do mensageiro.

TSE estabelece novas regras para a inteligência artificial nas eleições

Diante da crescente presença da inteligência artificial no cenário eleitoral, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou novas diretrizes para o pleito deste ano. O objetivo central é assegurar que a tecnologia atue como um recurso democrático, e não como uma ameaça à integridade do processo eleitoral.

Uma das determinações cruciais é a obrigatoriedade de que todo conteúdo de propaganda eleitoral criado ou modificado por IA exiba um aviso claro, visível e de fácil compreensão. Essa medida visa prevenir que o eleitor seja ludibriado por montagens que simulam situações reais, garantindo a transparência.

Adicionalmente, o TSE proibiu a veiculação de conteúdos gerados por inteligência artificial que utilizem a voz ou a imagem de candidatos e figuras públicas em um período crítico: 72 horas antes da eleição e 24 horas após a votação. Em caso de descumprimento, as plataformas digitais são instruídas a remover o conteúdo imediatamente, reforçando o compromisso com a lisura do processo. As resoluções do TSE sobre IA são um marco importante na regulamentação da tecnologia no contexto eleitoral brasileiro.

Redação on-line

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