Uma transação financeira envolvendo a compra de um veículo de luxo por uma produtora de cinema desencadeou um alerta do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e se tornou um ponto central em uma investigação da Polícia Federal. Karina Ferreira da Gama, responsável pela produção do filme “Dark Horse”, que aborda a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, efetuou o pagamento integral de um SUV híbrido em dinheiro vivo, fato que chamou a atenção das autoridades.
A operação policial, batizada de “Make Up”, apura um suposto esquema de desvio de recursos públicos. A aquisição do automóvel, embora não constitua crime por si só, é considerada uma informação financeira relevante no contexto da complexa investigação que envolve emendas parlamentares e o financiamento da produção cinematográfica.
Em janeiro de 2025, Karina Ferreira da Gama adquiriu um SUV híbrido BYD Song Plus 1.5 16V automático, modelo 2025, em uma concessionária em São Paulo. O valor de R$ 102.190 foi pago integralmente em espécie, conforme detalhado em decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Essa modalidade de pagamento, especialmente em grandes quantias, é de difícil rastreamento e pode ser utilizada para a lavagem de dinheiro de origem ilícita.
A comunicação ao Coaf foi motivada pelo fato de a compra ter sido paga com “valores totais em espécie”, ultrapassando os limites regulatórios que exigem o reporte automático de transações. Para operações bancárias, o limite é de R$ 50 mil, e para cartórios, R$ 100 mil. Ao atingir ou exceder esses valores, as instituições são legalmente obrigadas a reportar a operação ao Coaf, mesmo sem a existência de um indício direto de crime.
A Polícia Federal também registrou que o veículo possuía um valor de R$ 184.858 na Tabela Fipe, o que representa uma diferença de R$ 82.668 em relação ao valor pago pela produtora. A decisão judicial não esclarece a razão dessa disparidade, mas a registra como parte da análise financeira da investigação.
A Polícia Federal, em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), deflagrou a Operação “Make Up” com o cumprimento de 49 mandados de busca e apreensão. Além de Karina Gama, o deputado federal Mario Frias também é um dos alvos da ação, que investiga um suposto esquema de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares.
A investigação aponta para a atuação de uma organização criminosa, composta por agentes públicos e privados, que teria direcionado recursos repassados a uma organização da sociedade civil para empresas subcontratadas de forma irregular. Há suspeitas de que os serviços não foram efetivamente prestados. A PF identificou movimentações financeiras de centenas de milhões de reais entre empresas ligadas ao esquema, com tentativas de ocultar os desvios que teriam se estendido até julho do ano corrente.
Uma auditoria da CGU levantou suspeitas sobre o desvio de uma emenda de R$ 2 milhões, indicada por Mario Frias para entidades ligadas a Karina Gama, incluindo gastos não comprovados. Frias, que atua como roteirista e produtor-executivo do filme, negou em manifestação ao STF que as emendas tenham sido destinadas a qualquer produção cinematográfica.
O filme “Dark Horse”, produzido pela Go UP Entertainment Ltda., empresa da qual Karina Gama é sócia, tem seu financiamento sob intensa investigação. O documentário aborda a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em maio, o site Intercept Brasil divulgou informações sobre uma troca de mensagens e um áudio em que Flávio Bolsonaro solicitava apoio financeiro de Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master, para a produção do filme. Segundo a reportagem, Vorcaro teria efetuado pagamentos que totalizaram ao menos R$ 61 milhões em 2025, transferidos para um fundo nos Estados Unidos administrado por um advogado com conexões com o ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
A investigação abrange uma série de crimes, incluindo peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios. A complexidade do caso foi aprofundada pela homologação, em agosto, de um acordo de delação premiada de Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como “Mineiro”.
“Mineiro”, proprietário da Entre Investimentos, empresa que realizou repasses para o filme “Dark Horse” a pedido de Vorcaro, afirmou em sua delação à Procuradoria-Geral da República (PGR) que era responsável por “gerar” dinheiro vivo para a equipe de Vorcaro, que seria utilizado para pagamentos de propina. Ele detalhou sete repasses, a título de “subscrições de cotas”, para o fundo Havengate nos Estados Unidos, totalizando US$ 12,333 milhões entre janeiro e setembro de 2025. Esse valor equivalia a R$ 62,8 milhões pela cotação de setembro de 2025.
As informações da delação contradizem afirmações anteriores de Flávio Bolsonaro, que havia mencionado que o último pagamento de Vorcaro ocorrera em maio de 2025. A Polícia Federal investiga se a totalidade dos recursos foi de fato empregada no filme “Dark Horse” ou se parte foi direcionada para outras finalidades, como o custeio de Eduardo Bolsonaro nos EUA.
Poá elegerá, nesta sexta-feira (11), as novas representantes do Miss Orquídea, tradição que voltou a…
Natividade, tesoureiro do Instituto Conhecer Brasil, é alvo da Polícia Federal em investigação sobre movimentação…
A Polícia Federal investiga repasses financeiros de instituto e produtora de 'Dark Horse' a entidade…
Ferraz de Vasconcelos implementa o 'Desafio dos 7 Dias' para agilizar serviços urbanos, utilizando a…
Ronaldo Caiado, candidato à Presidência, foi internado em São Paulo com faringite aguda, resultando no…
Zeladoria municipal promove limpeza e revitalização de ruas, reforçando o compromisso com a manutenção contínua…