A Polícia Federal (PF) está conduzindo uma investigação sobre suspeitas de desvio de emendas parlamentares, que envolvem o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e Karina Ferreira da Gama, presidente do instituto e produtora do filme “Dark Horse”, focado no ex-presidente Jair Bolsonaro. A apuração ganhou destaque após o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), derrubar o sigilo de uma decisão que autorizou buscas e apreensões relacionadas ao caso.
Dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) revelaram que o ICB e Karina Ferreira da Gama realizaram repasses de R$ 100 mil à União Nacional das Igrejas e Pastores Evangélicos (Unigrejas). Essas movimentações financeiras são parte do escopo da investigação, que busca esclarecer a destinação de recursos públicos e a possível ocorrência de contratações fraudulentas.
A investigação da Polícia Federal se aprofunda nos registros do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que apontam transferências significativas para a Unigrejas. Segundo os dados, o Instituto Conhecer Brasil (ICB) transferiu R$ 50 mil para a entidade evangélica, enquanto Karina Ferreira da Gama, presidente do ICB e produtora de “Dark Horse”, repassou outros R$ 50 mil.
O Coaf também identificou um volume superior a R$ 1 milhão em depósitos na conta da Unigrejas, realizados em diversas localidades do país. Desse montante, aproximadamente R$ 928 mil foram depositados em espécie, levantando questões sobre a origem e a finalidade desses recursos. As comunicações analisadas pelo Coaf abrangem o período de 22 de outubro de 2025 a 16 de abril de 2026, com movimentações totais que somaram R$ 7.782.423.
Karina Ferreira da Gama é a proprietária da empresa Go UP Entertainment, responsável pela produção do filme “Dark Horse”, que aborda a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. O Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por ela, recebeu R$ 2 milhões provenientes de duas emendas parlamentares do deputado federal Mario Frias.
Esses recursos foram direcionados para financiar projetos como “Jovem Empreendedor”, sob a chancela do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, e “Lutando pela Vida”, vinculado ao Ministério do Esporte. A Polícia Federal investiga se houve irregularidades na aplicação desses fundos, incluindo a suspeita de contratações fraudulentas e o desvio de verbas públicas destinadas a entidades ligadas à produtora. Para mais informações sobre as ações da Polícia Federal, consulte o site oficial.
A apuração da Polícia Federal se baseia em elementos como auditorias da Controladoria-Geral da União (CGU) e relatórios de inteligência financeira. A investigação busca determinar a extensão de possíveis fraudes e desvios no uso de emendas parlamentares, que são recursos públicos destinados a projetos específicos por indicação de congressistas.
É importante ressaltar que, embora a Unigrejas seja mencionada na análise financeira do Coaf devido aos repasses recebidos, a entidade religiosa não figura entre os alvos das buscas e apreensões autorizadas pela decisão judicial. Os registros de transferências, por si só, não configuram prova da participação da entidade ou de seus destinatários em qualquer esquema de desvio de recursos. A investigação prossegue para esclarecer todos os fatos.
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