Um escritório político na Zona Sul de São Paulo, associado ao ex-vereador Milton Leite, foi alvo de um furto que resultou na apreensão de uma quantia significativa em dinheiro e documentos. O incidente, ocorrido em um domingo à noite, chamou a atenção das autoridades para a presença de R$ 19.261 deixados sobre um sofá e uma lista contendo nomes e valores, cuja finalidade ainda está sob investigação.
A ação criminosa, que durou cerca de dez minutos, também envolveu a subtração de um disco rígido (HD) do sistema de segurança do imóvel. O caso ganha relevância no contexto da recente prisão temporária de Milton Leite, investigado por supostas ligações com uma facção criminosa em um esquema envolvendo o transporte público da capital paulista.
Detalhes da invasão e os itens encontrados no local
A Polícia Militar foi acionada por uma vizinha que percebeu a movimentação estranha e o barulho de um portão sendo forçado. Câmeras de segurança da vizinhança registraram a chegada e a fuga de um veículo com criminosos, que teriam permanecido no imóvel por um curto período. Embora tivessem levado o HD, os invasores deixaram para trás o montante de R$ 19.261 em cédulas.
Além do dinheiro, os policiais encontraram uma lista manuscrita com diversos nomes e valores. Este documento foi anexado ao inquérito, mas a identidade das pessoas mencionadas e a natureza das quantias registradas permanecem desconhecidas. No local, também foram localizados documentos pessoais de Milton Leite, como talões bancários, cartões, um Bilhete Único e uma carteirinha de filiação a um clube de futebol, todos revirados.
Investigação sobre a propriedade e o contexto do ex-vereador
O imóvel furtado, utilizado como escritório político, está registrado em nome da empresa Lesimo Sondagens Projetos e Construções Ltda. Esta companhia de engenharia e perfuração de solos tem como proprietários o ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo e seu filho, o deputado estadual Milton Leite Filho, conforme registros da Junta Comercial de São Paulo (Jucesp).
Um advogado representando a Lesimo Sondagens compareceu ao local e acompanhou as apreensões, confirmando que o endereço pertence à família Leite. A Polícia Civil está conduzindo diligências para obter mais imagens e informações, enquanto a perícia foi requisitada para analisar o cenário do furto.
O histórico de Milton Leite e as conexões com a Operação Vectura Corrupta
O furto no escritório ocorre em um momento delicado para Milton Leite, que se entregou à polícia dias antes do incidente. Ele é um dos alvos da Operação Vectura Corrupta, que investiga um esquema de corrupção envolvendo empresas de transporte público e uma facção criminosa na capital. Os investigadores o apontam como responsável pela operação de algumas empresas supostamente controladas pela organização criminosa.
A operação, deflagrada para cumprir mandados de prisão e busca e apreensão em diversas cidades paulistas, mira também a chamada “Sintonia dos Gravatas”, um núcleo de advogados que agiria em benefício da organização. A prisão de Milton Leite e as investigações em curso adicionam uma camada de complexidade ao furto, levantando questões sobre a natureza dos itens encontrados e sua possível relação com as acusações.
Repercussão e as declarações da família
Após sua prisão, Milton Leite declarou à imprensa ser inocente de todas as acusações, afirmando acreditar na justiça e na oportunidade de provar sua versão dos fatos. Ele também mencionou ter passado mal antes de sua audiência de custódia, o que resultou em seu encaminhamento a um hospital.
O filho do ex-vereador, Alexandre Leite, manifestou-se publicamente, classificando a medida como “extremamente injusta” e expressando a esperança de que a situação seja esclarecida. A família, por meio de seus advogados, prepara a defesa jurídica, enquanto a polícia segue apurando os detalhes do furto e a relevância dos documentos e valores apreendidos.

