Aconteceu na Capital

Paulistano reconhece força do Carnaval, mas maioria não pretende cair na folia em 2026

Uma pesquisa de opinião realizada pelo Instituto Badra traçou um retrato detalhado da relação do paulistano com o Carnaval e revelou um cenário marcado por ambivalência: a maior festa popular do país é amplamente reconhecida como expressão de alegria, liberdade cultural e identidade brasileira, mas não mobiliza a maioria da população da capital a participar ativamente da folia.

O levantamento ouviu 1.060 moradores da cidade de São Paulo, de forma presencial, entre os dias 20 e 22 de janeiro de 2026. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%.

Gosto dividido e distância da folia

Quando questionados se gostam de brincar o Carnaval, 35,9% responderam que gostam (sendo 10,4% “gostam muito” e 25,5% “gostam”). Por outro lado, 44,6% declararam que não gostam (30,6% “não gostam muito” e 14% “não gostam e evitam”), enquanto 19,1% se disseram indiferentes.

O dado mais expressivo aparece na intenção para 2026: 48% afirmam que, com certeza, não pretendem pular o Carnaval, e outros 15% dizem que “acham que não”. Apenas 16,8% garantem presença na festa, enquanto 10,7% dizem que provavelmente participarão.

A análise do estudo resume o paradoxo: o paulistano reconhece o Carnaval como divertido e positivo, mas mantém uma relação, em muitos casos, “à distância”.

Segurança pesa na decisão

Entre os fatores que influenciam a decisão de participar ou não da festa, o principal é a companhia de amigos e familiares (29,4%). Em seguida aparecem aqueles que afirmam não gostar da festa de forma alguma (27,8%) e a religião (12,9%).

A segurança surge como elemento relevante: 10,8% apontam o medo da violência como fator decisivo. Quando perguntados sobre o principal receio no período carnavalesco, 55,2% citaram violência, brigas, furtos e roubos.

Além disso, 42,5% consideram que o Carnaval está mais perigoso, e 47,8% afirmam que furtos e violência são o que mais estragam a festa em São Paulo.

Festa reconhecida como positiva

Apesar das críticas e receios, a imagem do Carnaval é majoritariamente associada a aspectos positivos. Para 26,6%, a festa representa “diversão e alegria”. Outros 11,9% veem como “liberdade e expressão cultural”, e 11,3% como “tradição e identidade brasileira”.

Apenas 11% associam o evento a “sexo, drogas e música alta”, e 7,5% a “excessos e desorganização”.

O crescimento dos blocos de rua também não enfrenta rejeição majoritária: 26,4% consideram “ótimo” e 29,7% “bom”. Apenas 17,5% classificam como preocupante, e 9,9% avaliam como ruim.

Maioria fica na cidade

Entre os que garantem que vão pular o Carnaval, 82% pretendem aproveitar a festa na própria capital: 42,7% em alguns dias e 39,3% durante todo o período.

Já entre os que não vão participar, o destino principal é ficar em casa (25,5%) ou trabalhar e estudar (28,7%). Outros 15,5% pretendem viajar para outra cidade do Estado para descansar e fugir do Carnaval.

Carnaval ideal: organização e menos impacto na rotina

Ao serem questionados sobre as características de um Carnaval ideal, 40,8% destacaram a necessidade de boa organização nas ruas e espaços públicos, com segurança, limpeza e serviços de saúde reforçados. Outros 16,3% preferem que a festa não interfira na rotina da cidade.

Para 36,2%, a principal marca do Carnaval paulistano é a programação de shows, blocos e desfiles, seguida pela diversidade de eventos gratuitos.

Um espelho da cidade

A pergunta “Quem é você no Carnaval?” sintetiza a diversidade de perfis. As respostas se dividem entre quem só percebe a festa pelos vestígios nas ruas (19,9%), observadores que acompanham de casa (19,6%), planejadores estratégicos (14,1%), sobreviventes da multidão (12,9%), turistas que deixam a cidade (12,6%), foliões incansáveis (10,5%) e empreendedores que aproveitam para faturar (5,9%).

Quando o evento termina, o sentimento predominante é de alívio: 30,1% dizem “ufa, ainda bem que acabou”. Outros 19% afirmam que só então o ano começa de fato. Já 17,1% sentem saudades imediatas.

A conclusão do estudo aponta que o Carnaval paulistano funciona como um espelho da própria cidade: intenso, diverso, contraditório e plural. Entre o entusiasmo e a resistência, São Paulo segue construindo seus múltiplos carnavais — cada um à sua maneira.

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