A corrida presidencial de 2026 ganha novos contornos com a iminente divulgação dos resultados de uma pesquisa realizada pela Quaest. O levantamento, que será tornado público a partir de quarta-feira, dia 5, capta o pulso do eleitorado brasileiro após uma série de eventos políticos de grande repercussão. Entre os fatores analisados estão o apoio declarado do presidente da Argentina, Javier Milei, à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) e a abertura de investigações da Polícia Federal contra Lulinha, filho do atual presidente Lula (PT).
Esta rodada da pesquisa é particularmente relevante por ser a primeira a ser divulgada desde o início das convenções partidárias, período crucial para a formalização de candidaturas e o aquecimento do debate eleitoral. As entrevistas foram conduzidas entre 31 de julho e 3 de agosto, abrangendo o período de oficialização da candidatura de Flávio Bolsonaro e as convenções de outros postulantes ao cargo, incluindo a do presidente Lula.
Contexto da nova rodada de pesquisa
O cenário político brasileiro tem sido palco de movimentações intensas que podem influenciar significativamente a percepção dos eleitores. A pesquisa da Quaest busca mensurar como esses acontecimentos recentes se traduzem em intenções de voto e na avaliação dos candidatos. A metodologia empregada pelo instituto visa oferecer um panorama detalhado das preferências e opiniões em um momento de efervescência política.
O questionário aplicado aos eleitores abordou uma gama variada de temas, refletindo a complexidade do atual ambiente eleitoral. Desde a repercussão de apoios internacionais até questões internas de campanha e investigações judiciais, cada ponto foi cuidadosamente inserido para captar as nuances da opinião pública. A análise desses dados promete revelar tendências e desafios para os principais nomes na disputa.
Apoio internacional e convenções partidárias
Um dos destaques que antecederam a pesquisa foi a participação de Javier Milei na convenção do PL, realizada em 25 de julho, em São Paulo. O presidente argentino não apenas marcou presença como convidado de honra, mas também expressou publicamente seu apoio a Flávio Bolsonaro, afirmando que o senador seria a figura capaz de “parar Lula” na próxima eleição. Esse endosso de um líder estrangeiro de perfil ideológico alinhado gerou grande debate e é um dos pontos cruciais que a pesquisa se propõe a avaliar.
Além do apoio de Milei, a pesquisa também investigou a percepção dos eleitores sobre um vídeo produzido com inteligência artificial que simulou a imagem e a voz de Jair Bolsonaro no evento. A utilização de IA em campanhas eleitorais levanta questões éticas e legais, e a Quaest buscou entender se o público considera essa prática aceitável ou problemática, especialmente considerando as restrições impostas ao ex-presidente. Outro ponto de interesse foi a reconciliação pública entre Flávio e Michelle Bolsonaro, e como esse movimento de união familiar pode impactar a campanha do senador.
Investigações e questionamentos eleitorais
Paralelamente às movimentações de campanha, a Justiça brasileira tem sido palco de importantes desenvolvimentos. O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal a iniciar duas investigações contra Lulinha. Os inquéritos apuram suspeitas de tráfico de influência e corrupção, com foco em supostas atuações para favorecer interesses privados em negociações com o Ministério da Saúde e a Dataprev. A defesa de Lulinha, por sua vez, nega veementemente qualquer irregularidade e afirma que não houve atuação para beneficiar terceiros no governo federal.
A pesquisa da Quaest também abordou as declarações de Flávio Bolsonaro sobre as urnas eletrônicas e seu pedido para que observadores internacionais sejam enviados ao Brasil para monitorar o processo eleitoral. Essas manifestações, que questionam a segurança e a lisura do sistema de votação, são um tema recorrente no debate político e podem influenciar a confiança dos eleitores no pleito. A proibição de visitas a Jair Bolsonaro, decorrente de descumprimento de medidas judiciais, também foi um ponto de avaliação, buscando entender a opinião pública sobre a decisão.
Cenários testados e metodologia do levantamento
Para oferecer uma visão abrangente da disputa, a Quaest simulou diversos cenários para o primeiro turno da eleição. Um total de 12 nomes foram incluídos, representando diferentes espectros políticos. Pela primeira vez, a pré-candidata Clariana Barão, do DC, foi testada, substituindo um nome anteriormente avaliado. A lista de candidatos testados incluiu figuras como Cabo Daciolo (Mobiliza), Edmilson Costa (PCB), Augusto Cury (Avante), Flávio Bolsonaro (PL), Hertz Dias (PSTU), Leonardo Avalanche (PRTB), Lula (PT), Renan Santos (Missão), Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e Samara Martins (UP).
Além do primeiro turno, o instituto também explorou quatro cenários de segundo turno, colocando o presidente Lula em confrontos diretos contra Flávio Bolsonaro, Renan Santos, Romeu Zema e Ronaldo Caiado. A pesquisa, encomendada pela Genial Investimentos, entrevistou 2.004 eleitores em todo o país. O levantamento foi devidamente registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-06591/2026, garantindo a transparência e a conformidade com as normas eleitorais. Os resultados completos serão divulgados em breve, oferecendo insights valiosos sobre a dinâmica da pesquisa presidencial de 2026.
