Uma nova rodada da pesquisa Quaest, divulgada em 28 de setembro, oferece um panorama detalhado da corrida presidencial, apontando para um cenário de equilíbrio no segundo turno e movimentos significativos entre diferentes segmentos do eleitorado. A análise, conduzida pelo Professor Felipe Nunes, destaca a redução de indecisos e a polarização crescente na reta final do primeiro turno, com um dos candidatos consolidando sua liderança, enquanto o outro mantém sua base.
Os dados revelam que, apesar das oscilações, a disputa segue acirrada, com fatores como a aprovação de medidas governamentais e percepções sobre os candidatos influenciando diretamente as intenções de voto. A pesquisa oferece um olhar aprofundado sobre como diferentes grupos demográficos estão se posicionando, indicando tendências importantes para o desfecho eleitoral.
Cenário do primeiro turno e movimentações eleitorais
Na última semana antes do primeiro turno, a pesquisa Quaest indicou que um dos candidatos inicia o período na liderança, alcançando 39% das intenções de voto. O segundo colocado aparece com 34%. Outros candidatos, como Cury e Caiado, registram 4% cada, enquanto Renan tem 3% e Zema, 1%. Houve uma notável redução no número de eleitores indecisos, que caiu de 10% para 5%, e também no percentual de voto útil, que passou de 16% para 12% nos últimos 15 dias.
Essa diminuição de eleitores flutuantes sugere uma maior cristalização das escolhas, com os eleitores se definindo mais claramente à medida que a data da eleição se aproxima. A concentração de votos nos dois principais nomes reflete a polarização característica da disputa, com os demais candidatos lutando para ganhar tração.
Equilíbrio na disputa de segundo turno
Na simulação de segundo turno, os dois principais candidatos voltam a registrar um empate numérico, com ambos alcançando 42% das intenções de voto. O segundo colocado manteve-se estável em 42% nas últimas três rodadas da pesquisa, enquanto o líder oscilou positivamente em 2 pontos percentuais no mesmo período. O percentual de indecisos para o segundo turno é de 3%, e 13% dos eleitores afirmam que não votarão em nenhum dos candidatos.
Este cenário de empate técnico reforça a imprevisibilidade do resultado final, indicando que a campanha no segundo turno será crucial para definir o vencedor. A estabilidade de um candidato e a leve ascensão do outro mostram uma disputa voto a voto, onde cada movimento e declaração podem ter um impacto significativo.
Ganhos em subgrupos e impacto de medidas governamentais
A recuperação de terreno do candidato líder foi mais evidente em três subgrupos específicos: entre as mulheres, onde um empate de duas semanas atrás se transformou em uma vantagem de 9 pontos percentuais; entre eleitores de baixa renda, onde o candidato incumbente tem uma vantagem de 26 pontos percentuais; e entre os beneficiários do Bolsa Família, segmento em que o líder voltou a ter 59% das intenções de voto, contra 27% do segundo colocado.
Esses avanços parecem estar fortemente associados a um pacote de medidas anunciado pelo governo na última semana. A restrição a apostas online é aprovada por 62% dos entrevistados, o reajuste do Bolsa Família por 59% e a distribuição de canetas emagrecedoras no SUS por 58%. As mulheres são as que mais aprovam essas medidas, com 64% delas apoiando a proibição de apostas e 62% aprovando tanto as canetas no SUS quanto o reajuste do Bolsa Família. Curiosamente, a proibição de apostas online também é mais aprovada por quem tem renda mais alta, furando a bolha de aprovação por renda.
Religião e percepção de gênero na reta final
Houve também uma leve recuperação do candidato líder entre os católicos, onde ele aparece com 13 pontos percentuais à frente do segundo colocado, seu melhor resultado nesse segmento desde 14 de agosto. Entre os evangélicos, a vantagem do segundo colocado diminuiu. Embora o questionário da pesquisa tenha sido registrado no TSE antes de uma polêmica envolvendo N.S. Aparecida nas redes sociais, há fortes indícios de que o tema favoreceu o candidato líder, ao aumentar o medo da volta da família do segundo colocado entre os católicos.
O medo da volta da família do segundo colocado à Presidência também cresceu entre as mulheres. Em contrapartida, o medo da continuidade do candidato líder no poder aumentou entre os homens. Essa dinâmica resultou em um aumento da diferença de gênero nesta reta final do primeiro turno, indicando que as percepções e receios estão se polarizando de forma distinta entre homens e mulheres.
Aprovação governamental e potencial de voto
Uma notícia positiva para o governo é a melhora relativa na aprovação. O saldo negativo da avaliação governamental, que era de -6 pontos percentuais na semana passada, caiu para -3 pontos percentuais. Com essa melhora, o candidato líder volta a ter uma probabilidade de reeleição acima de 50%. No entanto, a probabilidade não é maior porque ele ainda mantém um saldo negativo de avaliação de -7 pontos percentuais. Historicamente, nenhum presidente conseguiu vencer uma eleição no Brasil com saldo negativo de aprovação nesta fase da corrida presidencial.
O efeito positivo na aprovação do governo também fez oscilar positivamente o potencial de voto do candidato líder, de 45% para 46%, e sua rejeição oscilar para baixo, de 55% para 54%. O segundo colocado mantém seu potencial de voto em 43% e sua rejeição em 56%. Esses números sublinham a importância da percepção pública sobre a gestão governamental e a imagem dos candidatos na decisão final do eleitorado. Para mais informações sobre a metodologia de pesquisas eleitorais, consulte o Tribunal Superior Eleitoral.
Metodologia da pesquisa
A pesquisa Quaest entrevistou 2.004 pessoas entre os dias 24 e 27 de setembro. A margem de erro estimada é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, com um nível de confiabilidade de 95%. O registro da pesquisa no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é BR-6520/2026.
