A disputa política ganhou novos contornos na televisão, com as campanhas do senador Flávio Bolsonaro (PL) e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) trocando acusações diretas. Os ataques ocorreram em um dia de sessão do Supremo Tribunal Federal (STF), que discutia desdobramentos de uma crise envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, reverberando o clima de tensão institucional no cenário eleitoral.
A propaganda eleitoral se tornou palco para a intensificação da polarização, onde cada lado buscou descreditar o adversário. Enquanto um lado focou em associações políticas e críticas à governabilidade, o outro explorou o histórico de investigações e a conduta de figuras ligadas ao opositor, marcando um período de forte embate midiático.
Associações e críticas da campanha de Flávio Bolsonaro
Em seu programa eleitoral, o senador Flávio Bolsonaro dedicou um “pronunciamento” para associar o presidente Lula ao ministro Alexandre de Moraes. Ele argumentou que o atual governo teria contribuído para um “desequilíbrio institucional” ao governar “ao lado de uma parte do Supremo Tribunal Federal que descumpriu a lei”.
O senador afirmou que o governo Lula “faz parte desse sistema que está apodrecido”, reforçando a narrativa de uma aliança prejudicial. Mais adiante, Flávio Bolsonaro fez uma ligação explícita entre o presidente e o ministro, declarando que “o atual presidente dividiu o seu poder com Alexandre de Moraes”, o que teria resultado em um Brasil “sem presidente nenhum. Sem comando”.
Campanha de Lula explora histórico de investigações do senador
Em resposta, a campanha do presidente Lula utilizou seu espaço na televisão para abordar episódios envolvendo Flávio Bolsonaro e seus aliados. O programa petista ressaltou que, durante o governo anterior, a Polícia Federal “não tinha liberdade”, recuperando uma declaração do ex-presidente Jair Bolsonaro sobre mudanças no comando da corporação e no Ministério da Justiça.
A fala de Jair Bolsonaro, feita em uma reunião com ministros em 2020 e posteriormente vazada, foi exibida: “Eu não vou esperar foder a minha família toda. Se eu puder trocar, troca o chefe dele. Pode trocar o chefe dele. Troca o ministro”. A campanha de Lula contrapôs essa declaração à postura do atual governo, afirmando que “com o Lula, é Polícia Federal forte e com liberdade para investigar todos”. O presidente Lula foi mostrado dizendo: “É fundamental que se investigue todo mundo, sem blindagem de ninguém. Quem não deve não teme”.
A peça publicitária petista também mencionou políticos do Rio de Janeiro associados a Flávio Bolsonaro, incluindo um pré-candidato ao governo do Rio que teria sido preso sob acusação de ligação com o Comando Vermelho, e um deputado, TH Joias, detido sob suspeita de tráfico e de lavagem de dinheiro para a facção. Além disso, a campanha afirmou que Flávio Bolsonaro foi “flagrado pedindo R$ 134 milhões para Daniel Vorcaro”, descrito como “banqueiro preso pelo escândalo do Banco Master“. O segmento encerrou com a pergunta: “Como alguém cercado desse tipo de gente pode combater o crime?”, seguido do slogan: “Flávio, o pior dos Bolsonaros.”
Estratégia eleitoral e o impacto da crise institucional
A crise no STF, que teve um julgamento adiado após pedido de vista do ministro Dino sobre o relatório da PF citando mensagens de Vorcaro para Moraes, tem sido um fator relevante nas estratégias das campanhas. Aliados de Flávio Bolsonaro apostam no desgaste da imagem do presidente ao associá-lo ao ministro Alexandre de Moraes, cuja atuação em processos como os dos atos de 8 de janeiro recebeu apoio de políticos e aliados de Lula. O Supremo Tribunal Federal é a instância máxima do poder judiciário brasileiro, e suas decisões frequentemente reverberam no cenário político.
Apesar da tensão na Corte, a campanha do senador não atribui diretamente o avanço nas pesquisas à crise institucional. Levantamento recente mostrou Flávio Bolsonaro numericamente à frente de Lula em um eventual segundo turno, com 42% das intenções de voto contra 40% do petista, configurando um empate técnico. A avaliação interna da campanha do senador é que seu crescimento foi impulsionado principalmente pelo desempenho entre as mulheres, um segmento onde o candidato enfrentava maior resistência e passou a registrar maior adesão.

