Suzano

Psicóloga que atuou na “Raul Brasil”, na guerra de Israel e na enchente do RS recebe homenagem da Câmara nesta 6ª feira

A psicóloga e psicanalista Luciana Inocêncio, de 47 anos, recebe o título de Cidadã Suzanense, na noite desta sexta-feira (15/8), na Câmara Municipal de Suzano-SP. Paulistana, mas atuante no Alto Tietê, a profissional será outorgada com a honraria em razão de sua atuação voluntária em casos de grande repercussão, como o massacre na Escola Estadual (E.E) “Professor Raul Brasil”, a enchente devastadora do estado do Rio Grande do Sul e a guerra entre Israel e o grupo terrorista Hamas, na faixa de Gaza.

De autoria do vereador Artur Takayama (PL), o decreto legislativo 013/2025 que concede homenagem à Luciana foi aprovado por unanimidade pela Casa de Leis. O título de Cidadã Suzanense é destinado àqueles que não nasceram em Suzano, mas que, de alguma maneira, prestaram relevantes serviços à cidade ou se destacaram em seus ramos de atividade. A solenidade em referência à psicóloga e psicanalista tem início às 19h, no Plenário do Palácio “Deputado José de Souza Candido” – rua dos Três Poderes, 65 – Jardim Paulista.

Luciana é natural da capital, mas passou boa parte da infância em Quatá, município paulista da região oeste de pouco mais de 11 mil habitantes. Na juventude, se mudou com a família para Suzano. Se formou em Psicologia (Bacharel e Licenciatura), pela Universidade Braz Cubas (UBC), e em Psicanálise, pela Escola Brasileira de Psicanálise. Não demorou para abrir consultório na cidade e aprimorar o currículo. Se especializou em Transtornos Graves das Psicoses, pelo Colégio de Psicoanalísis de Madrid (Espanha); em Psicologia Hospitalar e em Especialidades Médicas, pela Universidade de São Paulo (USP); e em Psicologia Clínica e em Teoria Psicanalítica, pela Pontifícia Universidade Católica (PUC).

Os maiores desafios, no entanto, surgiram em 2019, quando teve de voltar à “Raul Brasil”, escola onde estudou por longos anos, para auxiliar vítimas e familiares de sobreviventes de um massacre cometido por dois ex-estudantes. Em meio a tragédia que vitimou a diretora da instituição, outra funcionária e cinco alunos, todos menores de idade, Luciana, única na região a ter especialização para atuar em tragédias de grandes proporções, foi convocada às pressas pelo Estado para organizar um protocolo de atendimento:

“Já atendia há muitos anos em consultório, em Suzano, mas muitos passaram a me reconhecer pelo trabalho no caso ‘Raul Brasil’. Para mim, também foi um divisor de águas. Existe a Luciana antes e depois do massacre. O que passei com pais e mães de vítimas, com alunos e professores, em meio a sangue e tanta dor, jamais vou me esquecer. O reconhecimento da Câmara (de Suzano) se dá muito em razão deste episódio”, observa Luciana.

Segundo Katayama, autor da homenagem, a psicóloga e psicanalista também será condecorada por força de atuação em outros dois casos de indiscutível repercussão. Em 2023, Luciana foi selecionada pela Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp) para atender repatriados da guerra entre Israel e o grupo terrorista Hamas e, de forma on-line, soldados brasileiros que foram para a Faixa de Gaza. Pelo trabalho, a profissional foi homenageada pela Sinagoga “Charles Cohab”.

Autora dos livros “Psicanálise Presente na Vida Cotidiana”, “As aventuras de Elvis”, “A Comida como Fuga Emocional”, “O Poder da Terapia na Terceira Idade”, e “Narcisistas”, Luciana também teve forte atuação na enchente que devastou o Rio Grande do Sul, em 2024. Mais 500 municípios gaúchos foram atingidos por inundações, quedas de barreiras e deslizamentos de terra, resultando em desabrigados, desalojados e mortes.

A especialista foi convocada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para, numa força-tarefa, prestar atendimento não apenas aos sobreviventes e aos parentes das vítimas, mas, principalmente, para acolher psicólogos e demais profissionais da saúde mental que haviam chegado ao limite e não conseguiam mais trabalhar:

“Fico feliz com este reconhecimento todo. Afinal, estamos falando da cidade (Suzano) onde vivo, onde tenho consultório, onde moram meus pais. Meu trabalho ultrapassou barreiras, alcançou outros municípios, estados e idiomas, e isso é o que faz sentido para quem, como eu, escolheu ouvir e acolher quem mais precisa”.

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