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Interpol é acionada em busca de patrimônio de banqueiro investigado no exterior

A Polícia Federal (PF) intensificou as investigações sobre o empresário Daniel Vorcaro, acionando a Interpol para localizar bens e ativos na América do Norte e Europa. A medida visa rastrear o patrimônio do banqueiro, que é alvo de apurações sobre um suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e outros crimes envolvendo o Banco Master. A iniciativa representa uma nova fase na busca por ativos que, segundo as autoridades, podem estar pulverizados em diversos países.

A solicitação à Interpol foi formalizada por meio de um mecanismo recente da organização, conhecido como “Silver Notice” (Alerta Prata). Essa ferramenta é especificamente desenvolvida para o rastreamento internacional de bens vinculados a indivíduos investigados ou condenados por delitos financeiros. Investigadores da PF esperam que Vorcaro possua um patrimônio milionário distribuído globalmente, parte dele supostamente oriundo de atividades criminosas à frente do conglomerado liderado pelo Banco Master.

Rastreamento internacional de bens de Vorcaro

O colapso do grupo, que englobava ao menos três instituições financeiras, resultou em um prejuízo de R$ 52 bilhões para o Fundo Garantidor de Crédito (FGC). A notificação enviada à Interpol requisita que as autoridades policiais dos países-alvo forneçam informações sobre a existência de imóveis, empresas, contas bancárias, embarcações, aeronaves e outros ativos registrados em nome do investigado ou a ele vinculados por meio de companhias. O objetivo é subsidiar futuras ações de bloqueio, confisco e repatriação desses bens, caso a Justiça determine sua origem ilícita.

A PF suspeita que parte do patrimônio de Daniel Vorcaro tenha sido pulverizada em propriedades e fundos de investimento em diversas nações, incluindo paraísos fiscais, com o temor de que o empresário consiga blindar esses ativos ao longo do tempo. A falta de um mapa completo dos bens no exterior foi um dos principais pontos que impediram o avanço de um acordo de colaboração premiada com o banqueiro, que atualmente está preso preventivamente em uma unidade prisional de Brasília. Em abril, a Justiça dos Estados Unidos já havia autorizado o liquidante do banco a realizar consultas a instituições financeiras norte-americanas em busca de ativos vinculados ao banqueiro, incluindo imóveis, dinheiro em fundos de investimentos e obras de arte. Para mais informações sobre investigações financeiras internacionais, consulte fontes confiáveis.

Luxo e patrimônio milionário sob investigação

Desde que assumiu o comando do Banco Master em 2019, Daniel Vorcaro era conhecido por ostentar um estilo de vida luxuoso, com festas milionárias em destinos europeus, mansões em Brasília e apartamentos de alto padrão em São Paulo. Documentos da investigação revelam gastos expressivos, como uma festa de aniversário para sua filha em uma ilha particular nas Bahamas, que teria custado aproximadamente R$ 5 milhões em 2021. Outro evento de grande porte ocorreu em Taormina, na Sicília, em setembro de 2023, com despesas que alcançaram R$ 363,2 milhões em produção, acomodações e contratação de artistas renomados.

Embora Vorcaro tenha declarado um patrimônio de R$ 2,4 bilhões à Receita Federal em 2024, investigadores da PF suspeitam que seus bens reais sejam significativamente superiores. A identificação da extensão e localização desse patrimônio é considerada crucial, dada a dimensão financeira do caso. Liquidantes envolvidos em procedimentos relacionados ao grupo de Vorcaro no exterior já indicaram a existência de propriedades de alto valor atribuídas ao empresário nos Estados Unidos, incluindo uma mansão avaliada em R$ 180 milhões na Flórida, que teria sido alvo de uma tentativa de venda por parte do pai do banqueiro, Henrique Vorcaro, também investigado.

Operação Compliance Zero e o colapso do grupo

A Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro de 2025, marcou o início das ações contra Daniel Vorcaro, que foi preso pela primeira vez. Na mesma data, o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master e de outras duas instituições financeiras associadas. Vorcaro foi solto no final de novembro, mas preso novamente em março de 2026, permanecendo detido desde então. A investigação apura crimes contra o sistema financeiro nacional, incluindo a tentativa de venda de ativos do Master ao Banco de Brasília (BRB) por R$ 12 bilhões, em uma operação que supostamente envolveria ativos supervalorizados ou sem lastro.

Além disso, a PF investiga um suposto esquema de captação irregular de investimentos de Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS), fundos que gerenciam as aposentadorias de servidores públicos. A suspeita é que esses investimentos teriam sido realizados sob pressão política de indivíduos próximos a Vorcaro. Em depoimentos e manifestações à Justiça, a defesa do banqueiro vem negando o cometimento desses crimes.

Conexões políticas e judiciais no centro do caso

As investigações da Operação Compliance Zero também se estenderam para supostas relações de Daniel Vorcaro com figuras do cenário político e judiciário. Entre os nomes mencionados estão os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Toffoli se afastou da relatoria do caso no STF em fevereiro, após questionamentos sobre sua ligação com uma empresa familiar que teve participação vendida a um fundo controlado pelo cunhado de Vorcaro. O ministro negou qualquer recebimento de valores ou amizade com o banqueiro, e o STF afirmou que não havia motivo para suspeição, mas acolheu o pedido de redistribuição.

Alexandre de Moraes também foi alvo de questionamentos, relacionados a um contrato de R$ 129 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia de sua esposa, além de supostas trocas de mensagens e contatos com o Banco Central. O STF negou que Moraes tenha tratado do Banco Master com o BC, e uma análise técnica concluiu que as mensagens atribuídas ao ministro não correspondiam aos seus contatos.

A PF ainda investiga supostas vantagens econômicas pagas por Vorcaro ou pessoas ligadas a ele a senadores como Ciro Nogueira (PP-PI), Jaques Wagner (PT-BA) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ). As apurações incluem suspeitas de emendas parlamentares em troca de benefícios, ligações com ex-sócios e pedidos de financiamento para projetos. Todos os parlamentares e suas defesas negam as irregularidades, reiterando a ausência de qualquer conduta ilícita.

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