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Brasileiros veem tarifaço de Trump como apoio a Flávio Bolsonaro, indica Datafolha

Uma pesquisa Datafolha recente revela uma percepção significativa entre os eleitores brasileiros sobre as motivações por trás das tarifas impostas pelo governo de Donald Trump ao Brasil. O levantamento, divulgado nesta segunda-feira (27), aponta que a maioria dos entrevistados acredita que o chamado “tarifaço” tinha como objetivo auxiliar a campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência da República, um tema que adiciona uma camada de complexidade às já intrincadas relações comerciais e políticas entre os dois países.

A discussão sobre as tarifas americanas ganhou destaque no cenário político e econômico brasileiro, especialmente após a imposição de sobretaxas que afetaram diversos produtos nacionais. A pesquisa busca entender como a população interpreta esses movimentos, em um contexto de intensa polarização e debates sobre a política externa e interna do Brasil.

Percepção pública sobre o tarifaço americano

O estudo Datafolha indica que 52% dos eleitores brasileiros acreditam que o tarifaço implementado pelo governo Trump visava favorecer a candidatura de Flávio Bolsonaro. Em contraste, 37% dos entrevistados descartam essa hipótese, enquanto 11% não souberam ou preferiram não responder. Essa divisão de opiniões reflete a polarização política existente no país.

A percepção varia consideravelmente entre os diferentes grupos de eleitores. Entre aqueles que declaram voto em Flávio Bolsonaro, 29% veem a medida como um benefício ao senador. Por outro lado, entre os apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o índice de crença nessa motivação atinge 73%, evidenciando uma clara clivagem partidária na interpretação dos fatos.

A pesquisa também avaliou o nível de conhecimento da população sobre o tema. Um total de 63% dos entrevistados afirmou estar ciente do tarifaço imposto pelos Estados Unidos. Desse grupo, 25% se consideram bem informados sobre o assunto, e 34% se declaram razoavelmente informados, indicando que o tema teve ampla repercussão.

A disputa pela responsabilidade do tarifaço

O Datafolha aprofundou a investigação ao questionar os eleitores sobre a responsabilidade pela crise comercial. Para 34%, o presidente Lula está correto ao atribuir a culpa a Flávio Bolsonaro. Já 26% concordam com o senador, que por sua vez responsabiliza o governo brasileiro pela situação. Outros 24% consideram que nenhum dos dois lados está certo, e 11% acreditam que ambos têm razão, com 6% não sabendo responder.

Ao serem indagados sobre quem é o principal responsável pela punição comercial imposta pelos Estados Unidos, as respostas se distribuíram da seguinte forma: 35% apontaram Lula, 28% atribuíram a responsabilidade a Trump, e os irmãos Bolsonaro somaram 23% das menções (13% para Flávio e 10% para Eduardo). Um percentual de 10% não soube responder. A complexidade da questão reflete a dificuldade em isolar um único fator ou agente como causador da crise.

Estratégias para a crise comercial: negociação ou retaliação?

Diante do cenário de tarifas, a pesquisa também sondou a opinião dos brasileiros sobre a melhor forma de o país reagir. A grande maioria, 74%, defende que o Brasil deve buscar uma solução para a crise comercial por meio da negociação com os Estados Unidos. Essa preferência por diálogo e diplomacia sublinha o desejo de estabilidade nas relações internacionais.

Uma parcela menor, 17%, acredita que o governo brasileiro deveria retaliar os americanos na mesma proporção, adotando medidas comerciais recíprocas. Apenas 2% dos entrevistados afirmam que o Brasil deveria simplesmente aceitar as tarifas impostas por Washington, indicando uma baixa aceitação de uma postura passiva frente às sanções. Para mais informações sobre o comércio exterior brasileiro, consulte o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Avaliação da atuação do governo Lula frente ao tarifaço

A pesquisa Datafolha incluiu uma avaliação da performance do governo Lula nas negociações relacionadas ao tarifaço. Para 51% dos entrevistados, o presidente fez menos do que poderia para tentar evitar a imposição das tarifas. Em contrapartida, 29% avaliam que ele agiu corretamente, enquanto 12% consideram que Lula fez mais do que deveria. Essa avaliação mista reflete as expectativas e críticas em relação à gestão da crise por parte da atual administração.

O levantamento Datafolha, que ouviu 2.004 pessoas com mais de 16 anos nos dias 22 e 23 de julho, possui uma margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Os dados foram registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código BR-01166/2026, garantindo a transparência e a conformidade do estudo.

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