Em um evento político realizado em São Paulo, três ex-ministros do governo Lula — Márcio França, Marina Silva e Simone Tebet — direcionaram fortes críticas ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e ao campo bolsonarista. O foco da discussão foi o recente pacote de tarifas imposto pelos Estados Unidos ao Brasil, confirmado por Donald Trump em 15 de maio, que, segundo os críticos, acarreta sérios prejuízos econômicos, especialmente para o estado de São Paulo.
As declarações ocorreram durante a convenção estadual do PDT, onde os ex-ministros destacaram a postura do governador paulista diante das sanções comerciais e seu alinhamento com o ex-presidente americano. A discussão levantou questões sobre a defesa dos interesses nacionais frente a políticas externas e o impacto direto na economia local.
Ex-ministros de Lula alertam para impactos do tarifaço em São Paulo
Márcio França (PSB), que atuou como ministro de Portos e Aeroportos e do Empreendedorismo na gestão Lula, enfatizou que o estado de São Paulo foi desproporcionalmente afetado pelas novas tarifas. Segundo França, as sanções de Trump atingiram produtos específicos da economia paulista, como café e móveis, questionando a responsabilidade pela indenização dos setores prejudicados.
Marina Silva (Rede), ex-ministra do Meio Ambiente, corroborou a preocupação, apontando que o tarifaço prejudica a produção de etanol, biocombustíveis e a indústria de calçados, entre outros setores. Ela criticou a suposta indiferença de Tarcísio de Freitas, que teria afirmado que a questão não era um problema seu, sugerindo uma preferência por “botar o chapéu do Trump” em vez de defender os interesses da agricultura e indústria brasileiras.
Simone Tebet (PSB), ex-ministra do Planejamento e Orçamento, fez uma menção direta ao apoio de Tarcísio a Trump. Ela questionou quando o governador “vai tirar o boné lá do MAGA [Make America Great Again]” e pedir desculpas à população paulista por supostamente priorizar os Estados Unidos em detrimento dos interesses do Brasil. Tebet reforçou que São Paulo será o estado mais prejudicado, citando Franca como um exemplo de cidade exportadora de calçados para os EUA.
Alinhamento político e o ‘boné MAGA’ de Tarcísio
A crítica dos ex-ministros sobre o alinhamento de Tarcísio de Freitas com Donald Trump remete a episódios anteriores. No primeiro tarifaço imposto por Trump, o governador paulista havia responsabilizado o presidente Lula, afirmando em suas redes sociais que “a responsabilidade é de quem governa” e que “Lula colocou sua ideologia acima da economia”.
A menção ao “boné MAGA” (Make America Great Again) feita por Marina Silva e Simone Tebet faz referência a um vídeo postado por Tarcísio em 20 de janeiro de 2025, dia da posse de Trump, onde ele aparece usando o boné de campanha do ex-presidente americano, declarando “Grande dia” antes mesmo do anúncio das novas tarifas.
A mudança de discurso do governador paulista
Após a repercussão negativa de seus comentários iniciais que culpavam Lula, Tarcísio de Freitas adotou um tom mais moderado. Na última semana, após a confirmação do novo pacote de tarifas, o governador defendeu a via da negociação como solução para o impasse comercial.
Ele ressaltou a importância de “negociar até a exaustão, até o limite”, elogiando a orientação do ministro das Relações Exteriores e a necessidade de as empresas apresentarem seus argumentos. Tarcísio também defendeu uma análise comercial da situação, afastando narrativas políticas e focando na defesa dos interesses brasileiros em uma “disputa comercial” global. Para mais informações sobre o contexto econômico e as relações comerciais, consulte fontes confiáveis como portais de notícias econômicas.
Críticas às privatizações estaduais e o valor do patrimônio público
Além das questões tarifárias, Márcio França aproveitou a convenção do PDT para criticar as políticas de privatização e concessão de ativos públicos implementadas no estado de São Paulo. O ex-governador argumentou que a gestão estadual não tem valorizado adequadamente o patrimônio público em suas vendas.
França exemplificou sua crítica afirmando que o lucro anual de bens concedidos ou vendidos, como o Aeroporto de Congonhas e a Sabesp, é capaz de amortizar o valor da venda em poucos anos. Ele destacou que Congonhas se pagou em dois anos e a Sabesp, em três, sugerindo que as operações não foram vantajosas para o estado.

