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Walter Delgatti, o hacker de Araraquara, obtém regime aberto por decisão de Moraes.

Walter Delgatti Neto, conhecido publicamente como o “hacker de Araraquara”, deixou a Penitenciária 2 de Potim, no interior de São Paulo, no início da tarde desta sexta-feira (8). A liberação ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), conceder a progressão de seu regime de cumprimento de pena para o aberto.

A decisão judicial marca uma nova fase na execução penal de Delgatti, que cumpria pena em regime semiaberto por condenações relacionadas à invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O benefício foi concedido após a análise do cumprimento dos requisitos legais, culminando em sua saída da unidade prisional por volta das 13h30.

Progressão para o Regime Aberto e Fundamentação Judicial

A autorização para a progressão de regime foi publicada na quinta-feira (7) pelo ministro Alexandre de Moraes. Em sua decisão, o magistrado considerou que Walter Delgatti havia preenchido os critérios estabelecidos pela Lei de Execução Penal. Entre os requisitos avaliados estavam o tempo mínimo de pena cumprido e a comprovação de bom comportamento carcerário durante o período de reclusão.

A Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) confirmou a liberação do detento da Penitenciária II de Potim, reforçando que a medida decorre de uma determinação judicial. A progressão para o regime aberto permite que o condenado cumpra o restante de sua pena fora do ambiente prisional, sob certas condições e monitoramento, visando a reintegração social.

Restrições e Medidas Cautelares no Novo Regime

Apesar da progressão para o regime aberto, Walter Delgatti terá que aderir a uma série de medidas restritivas impostas pela Justiça. Entre as obrigações está o uso contínuo de tornozeleira eletrônica, um dispositivo de monitoramento que visa garantir o cumprimento das condições estabelecidas e a segurança pública.

Adicionalmente, Delgatti está proibido de utilizar redes sociais e deverá observar o recolhimento domiciliar noturno durante os dias úteis. Nos fins de semana e feriados, o recolhimento domiciliar será integral. A Justiça também exigiu a comprovação de uma atividade lícita e o comparecimento semanal para prestar contas, reforçando o caráter fiscalizador do regime.

A Posição da Defesa e o Histórico Carcerário

A equipe de defesa de Walter Delgatti manifestou-se sobre a decisão, afirmando que a recebeu “com serenidade”. Os advogados destacaram que a concessão do benefício representa um reconhecimento técnico do cumprimento rigoroso das exigências da Lei de Execução Penal por parte de seu cliente. Acompanhe decisões do STF.

A defesa ressaltou que Delgatti manteve um “comportamento carcerário classificado como ótimo” pela unidade prisional. Foi enfatizado também o seu compromisso com a ressocialização, evidenciado por meio de estudos e leitura, incluindo a remição de pena após a aprovação integral no Exame Nacional do Ensino Médio para Pessoas Privadas de Liberdade (Enem PPL). Os advogados garantiram que todas as obrigações judiciais serão cumpridas rigorosamente nesta nova etapa da execução penal.

O Contexto da Notoriedade de Walter Delgatti

Walter Delgatti ganhou destaque público em 2019, quando se tornou alvo da Operação Spoofing. Essa operação investigou a invasão de telefones celulares de diversas autoridades, incluindo membros da força-tarefa da Operação Lava Jato. Os incidentes geraram ampla repercussão e levantaram debates sobre segurança digital e privacidade no cenário político e jurídico brasileiro.

A trajetória de Delgatti, desde então, tem sido acompanhada de perto pela mídia e pela Justiça, culminando agora na progressão para o regime aberto, sob as condições estritas impostas pelo Supremo Tribunal Federal. Este caso continua a ser um ponto de atenção para o debate sobre crimes cibernéticos e a aplicação da lei no Brasil.

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