O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema, voltou a ser o centro das atenções ao proferir críticas contundentes ao Supremo Tribunal Federal (STF) e se envolver em uma troca de farpas com o ministro Gilmar Mendes. As declarações ocorreram durante sua visita à Agrishow, uma das maiores feiras de tecnologia agrícola do país, realizada no interior de São Paulo, evento que se tornou um palco estratégico para políticos em ano pré-eleitoral.
Zema abordou a questão da independência dos poderes e a necessidade de uma reforma no Judiciário, levantando questionamentos sobre a atuação dos ministros em avaliações de pedidos de investigação. A discussão se acirrou após episódios anteriores que envolveram o político e o decano do STF, reacendendo o debate sobre a harmonia institucional e a credibilidade das instituições.
Em suas falas, Zema enfatizou a importância de um Supremo Tribunal Federal que atue com total independência, livre de quaisquer influências ou interesses ocultos. O pré-candidato expressou preocupação com a percepção de que a Corte estaria, em certos momentos, buscando evitar investigações, o que comprometeria o equilíbrio entre os poderes da República.
Ao ser indagado sobre como vislumbra a harmonia entre Executivo, Legislativo e Judiciário caso assuma a Presidência, Zema reiterou sua visão de que o Judiciário precisa de uma reforma profunda. Ele fez questão de esclarecer que suas críticas são direcionadas à estrutura e ao funcionamento do STF, e não a ministros específicos, apesar dos embates recentes.
A tensão entre Zema e o ministro Gilmar Mendes escalou após o ex-governador ironizar ministros do STF em vídeos da série “Intocáveis”, utilizando um fantoche. Em resposta, Mendes solicitou a inclusão de Zema no inquérito das “fake news”, direcionando o pedido ao relator Alexandre de Moraes.
O episódio ganhou novos contornos quando Mendes, ao comentar o pedido, fez uma declaração que gerou controvérsia, mencionando a possibilidade de “fazer bonecos do Zema como homossexual”. Embora o ministro tenha se desculpado posteriormente nas redes sociais, Zema reagiu prontamente, apresentando um pedido de investigação contra Mendes por homofobia. Contudo, a Procuradoria-Geral da República (PGR) decidiu arquivar a solicitação.
A disputa verbal entre os dois se estendeu à esfera pessoal, com Gilmar Mendes ironizando o sotaque mineiro de Zema. O pré-candidato, por sua vez, defendeu seu modo de falar, o “mineirês”, e classificou a postura do ministro como “esnobe”, sugerindo um distanciamento da realidade brasileira por parte de alguns membros do Judiciário.
Zema argumentou que o suposto “excesso de ar-condicionado e bajuladores” teria levado a um isolamento do Supremo em relação à sociedade. Ele reforçou a tese de que o STF estaria se transformando em um “Supremo Tribunal de Negócios”, o que, em sua visão, contribui para a baixa credibilidade da instituição junto à população.
A visita de Zema à Agrishow não foi um evento isolado, mas parte de uma agenda mais ampla de pré-candidatos que buscam se aproximar do setor agropecuário, fundamental para as eleições de 2026. A feira se consolidou como um ponto de encontro obrigatório para figuras políticas que almejam o Executivo.
Além de Zema, outros nomes de peso também marcaram presença no evento. O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, anunciou linhas de crédito para o setor. O governador Tarcísio de Freitas e o senador Flávio Bolsonaro também visitaram a feira, aproveitando a ocasião para criticar as políticas do governo federal voltadas para o agronegócio, evidenciando o caráter pré-eleitoral do evento.
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