O pré-candidato à Presidência da República Romeu Zema, do partido Novo, gerou repercussão ao declarar que, se eleito, pretende revisar a legislação brasileira que proíbe o trabalho de crianças. A afirmação foi feita durante uma entrevista a um podcast, em um dia simbólico para os trabalhadores.
A proposta do político reacende um debate complexo sobre a proteção da infância e a autonomia de menores, contrastando com o arcabouço legal vigente no país, que estabelece diretrizes claras para a inserção de jovens no mercado de trabalho.
Pré-candidato defende flexibilização do trabalho para menores
Durante sua participação no podcast “Inteligência Ltda”, transmitido ao vivo, o pré-candidato Romeu Zema expressou sua visão de que a proibição do trabalho infantil no Brasil é lamentável e deve ser alterada. Ele citou como exemplo a prática em outros países, como os Estados Unidos, onde crianças realizam atividades como a entrega de jornais, recebendo remuneração por isso.
Zema argumentou que a atual proibição é uma concepção criada por setores ideológicos específicos, os quais, segundo ele, disseminaram a ideia de que o trabalho prejudica o desenvolvimento infantil. “A que a esquerda criou essa noção de que trabalhar prejudica a criança”, afirmou o pré-candidato, indicando uma perspectiva política sobre a origem da legislação.
A legislação brasileira e a proteção contra o trabalho infantil
A Constituição Federal do Brasil e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) estabelecem a proibição do trabalho infantil para menores de 16 anos. Essa medida visa garantir o pleno desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social das crianças e adolescentes, protegendo-os de atividades que possam comprometer sua educação, saúde ou segurança.
Existe uma exceção para jovens a partir dos 14 anos, que podem atuar como aprendizes. A figura do aprendiz é regulamentada por leis específicas, que exigem matrícula e frequência escolar, jornada de trabalho reduzida e atividades compatíveis com o desenvolvimento do adolescente, sempre sob supervisão e com direitos trabalhistas garantidos. O objetivo é a formação técnico-profissional, não a exploração de mão de obra.
A Organização Internacional do Trabalho (OIT) e outras entidades internacionais também atuam globalmente na erradicação do trabalho infantil, considerando-o uma grave violação dos direitos humanos. O Brasil é signatário de convenções internacionais que visam combater essa prática. Para mais informações sobre o tema, consulte a página da Organização Internacional do Trabalho.
Experiência pessoal e a defesa do trabalho para crianças
Romeu Zema fundamentou parte de sua argumentação em sua própria trajetória. Ele relatou ter começado a ajudar seu pai, que vendia peças automotivas, desde os 5 anos de idade. Além disso, mencionou ter tirado sua Carteira de Trabalho aos 14 anos, afirmando que trabalha “desde que [ele] aprendeu a contar”.
Apesar de reconhecer que a educação deve ser a prioridade para as crianças, o pré-candidato defende que elas “podem ajudar com questões simples, com questões ao alcance delas” por meio do trabalho. Essa visão sugere uma distinção entre o trabalho exploratório e atividades que, em sua perspectiva, poderiam contribuir para o desenvolvimento de responsabilidade e valores.
Impacto da proposta e o debate sobre a infância
A declaração de Zema sobre o trabalho infantil abre um flanco para discussões significativas no cenário político e social brasileiro. A proposta de flexibilizar a proibição do trabalho para menores de 16 anos levanta questões sobre os riscos de retrocesso nas conquistas sociais e nos direitos da criança e do adolescente.
Críticos da ideia alertam para o potencial aumento da evasão escolar, exposição a ambientes insalubres ou perigosos, e a privação de um período essencial para o brincar, o estudo e o desenvolvimento integral. Por outro lado, defensores de uma maior flexibilidade argumentam que atividades laborais supervisionadas e adequadas à idade poderiam incutir disciplina e responsabilidade, além de complementar a renda familiar em contextos de vulnerabilidade social, embora a legislação atual já preveja programas de aprendizagem para esses casos.

