O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem um encontro marcado com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington, na quinta-feira (7). No centro das discussões bilaterais, o combate ao crime organizado surge como um ponto de alta sensibilidade diplomática. O governo brasileiro busca dissuadir a administração norte-americana de classificar facções criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), como organizações terroristas.
Diplomacia e o risco de sanções internacionais
A preocupação do Palácio do Planalto reside no impacto jurídico e estratégico que tal designação poderia acarretar. Segundo o vice-presidente Geraldo Alckmin, a prioridade brasileira é evitar sanções e fortalecer a cooperação bilateral sem recorrer a medidas extremas. A avaliação interna é que o rótulo de terrorismo poderia servir de base para intervenções mais incisivas dos Estados Unidos, incluindo operações militares em território nacional, um precedente que o governo brasileiro deseja evitar a todo custo.
Divergências sobre o conceito de terrorismo
A resistência brasileira baseia-se na interpretação da legislação nacional. O secretário nacional de Segurança Pública, Mario Sarrubbo, sustentou que facções como o PCC e o CV não se enquadram na definição de terrorismo estabelecida pela lei brasileira de 2016. Segundo o entendimento oficial, esses grupos são movidos pelo lucro e pelo controle de rotas de tráfico, carecendo de motivações ideológicas, políticas ou religiosas necessárias para a tipificação legal de terrorismo.
A ofensiva dos Estados Unidos contra o narcotráfico
A pressão por parte de Washington não é recente. Desde 2025, o governo norte-americano intensificou ações contra cartéis latino-americanos, tratando o narcotráfico como uma questão central de segurança nacional. Relatos indicam que o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, tem defendido a inclusão das facções brasileiras na lista de grupos terroristas, citando a presença de membros desses grupos em estados como Flórida, Nova York e Nova Jersey, conforme reportado pelo The Wall Street Journal.
Critérios para a designação de grupos terroristas
O processo de classificação nos Estados Unidos é rigoroso e envolve consultas entre o Departamento de Estado, o Departamento de Justiça e o Tesouro. Para que uma organização seja designada como terrorista, ela deve ser estrangeira, possuir capacidade ou intenção de realizar atividades terroristas e representar uma ameaça direta à segurança nacional norte-americana. Caso a medida avance, as consequências incluem o bloqueio de ativos financeiros, a proibição de apoio material e a restrição severa de vistos para membros vinculados aos grupos.

