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Relatório oficial aponta assassinato de Juscelino Kubitschek e detalha 37 fraudes na investigação

Um novo capítulo na história política brasileira foi escrito com a aprovação do relatório da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), que concluiu que o ex-presidente Juscelino Kubitschek (JK) foi assassinado em 1976, e não vítima de um acidente automobilístico. A decisão, tomada por seis votos favoráveis e uma abstenção, contesta a versão oficial da época e lança luz sobre um período sombrio da ditadura militar no Brasil.

A relatora da comissão, a historiadora Maria Cecília Adão, apresentou um robusto conjunto de provas que indicam a perseguição política a JK e a manipulação deliberada da investigação de sua morte. O relatório detalha 37 fraudes processuais, desde a adulteração de evidências no local do suposto acidente até a destruição de provas e a coação de testemunhas, solidificando a tese de um atentado político.

O assassinato de Juscelino Kubitschek: uma nova perspectiva

A conclusão da CEMDP, divulgada em coletiva de imprensa na sede da Procuradoria Regional da República da 3ª Região, em São Paulo, reescreve a narrativa sobre a morte de JK na Via Dutra, entre São Paulo e Rio de Janeiro. Segundo a relatora, a investigação revelou que o ex-presidente estava sob forte perseguição e que seu assassinato foi planejado em diversas oportunidades. Há indícios, inclusive, da atuação do general Figueiredo na coordenação do atentado.

Informações inéditas, como alertas recebidos por JK de figuras como Roberto Marinho e o então Ministro da Justiça Armando Falcão, indicavam que “militares pretendem coisas dramáticas” contra ele. A própria esposa de JK, Sarah Kubitschek, teria expressado que “esse ano já mataram meu marido duas vezes”. Um “militar Rosalvo” também teria alertado que Kubitschek corria perigo de vida, reforçando o cenário de ameaças e perseguição.

Fraudes e manipulação: os pilares da nova conclusão

O relatório da comissão detalha uma série de irregularidades que minam a credibilidade da investigação original. Entre as 37 fraudes identificadas, destaca-se a chegada imediata de militares ao local do acidente, cerca de 20 minutos após a ocorrência, que teriam assumido o controle da área e permitido a adulteração de provas. Testemunhas que negaram a colisão foram ignoradas, e fotos revelaram que a lanterna traseira do carro de JK, intacta após a morte, apareceu avariada no pátio.

A destruição deliberada do veículo, que foi desmantelado, e as ameaças à família de JK também foram apontadas. O laudo do Ministério Público Federal, que serviu de base para a comissão, indicou falhas graves nos laudos oficiais da época, tornando-os “imprestáveis”. Marcas de frenagem incompatíveis com o ônibus envolvido e a forma da colisão foram outros elementos que levantaram suspeitas. Além disso, a pista não foi isolada, e os veículos foram removidos sem a preservação das posições originais.

O contexto político e as evidências de perseguição

A comissão também revelou que o motorista de JK pode ter sido sedado em um hotel antes da viagem, e que o veículo teria sido alterado mecanicamente. Um caminhoneiro testemunhou que o motorista estava debruçado, parecendo desacordado, antes da colisão. A ausência de exame toxicológico para verificar envenenamento é outro ponto crítico. A relatora mencionou que peritos do Instituto Médico-Legal do Rio de Janeiro envolvidos no caso de JK estiveram implicados em fraudes em outras investigações de mortes durante a ditadura.

A alteração do horário da morte de JK, com laudos indicando 20h50 – cerca de três horas após o acidente – levanta questionamentos sobre a divergência nos registros oficiais. Curiosamente, uma notícia publicada três dias antes da morte já informava que o ex-presidente poderia morrer em um acidente na mesma rodovia. O diário de JK também foi retirado do carro após o acidente, e um médico teria feito uma cópia do material, pressionando a família do ex-presidente.

Próximos passos: retificação da certidão de óbito

Com a aprovação do relatório, a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos agora se dedicará à retificação da certidão de óbito de Juscelino Kubitschek. Este processo, que deve ser concluído até o final de junho, segue a Resolução 601/2024 do Conselho Nacional de Justiça. A procuradora regional da República, Eugenia Augusta Gonzaga, afirmou que, sem oposição da família, a retificação deverá ser finalizada em breve, marcando um reconhecimento oficial da violência de Estado sofrida por JK.

Para mais informações sobre a atuação da comissão, visite o site oficial do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.

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