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Ex-chef de Daniel Vorcaro detalha ameaças e temor por registros após demissão

Um ex-chefe de cozinha que trabalhou na residência de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, em Angra dos Reis (RJ), revelou em depoimento à Polícia Federal (PF) ter sido alvo de intimidações após sua demissão. O relato, tornado público por determinação do ministro André Mendonça do Supremo Tribunal Federal (STF), descreve um confronto em que um grupo de homens questionou o ex-funcionário sobre a posse de fotografias e vídeos do período em que atuava na casa do banqueiro.

A denúncia do ex-chef se insere em um contexto mais amplo de investigações que apontam para as relações de Vorcaro com um grupo supostamente encarregado de intimidar e espionar desafetos. O caso levanta questões sobre a segurança de ex-empregados e a conduta de figuras proeminentes no cenário financeiro nacional, adicionando camadas de complexidade às apurações em curso.

A Intimidação e o Medo por Registros Fotográficos

O depoimento do ex-funcionário à PF detalha o episódio de intimidação ocorrido cerca de dois meses após sua saída do emprego. Ele foi abordado em seu novo local de trabalho, um hotel também em Angra dos Reis, por um grupo de aproximadamente sete homens. Entre os presentes, estava Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário, e outro indivíduo que se apresentou como Emanuel ou Manuel.

Este último afirmou ter sido enviado por Daniel Vorcaro para verificar se o cozinheiro possuía qualquer registro do banqueiro ou de sua então esposa, Fabíola de Almeida Macedo Vorcaro, no celular. O ex-chef negou ter quaisquer arquivos, mas a interação foi percebida como uma clara ameaça, com o interlocutor afirmando que Vorcaro havia mandado levantar seus dados e que não queria ter de “voltar para atrapalhar”.

O cozinheiro expressou grande preocupação com a situação, principalmente por residir com sua família nas proximidades do local do ocorrido. A natureza da abordagem e o número de pessoas envolvidas intensificaram o sentimento de vulnerabilidade do ex-empregado.

Proibição de Registros e a Atuação da “Turma”

Durante o período em que trabalhou na residência do banqueiro, entre setembro de 2021 e março de 2024, o ex-chef era proibido de fazer registros com celulares, embora o uso dos aparelhos não fosse totalmente vetado. Ele mencionou que havia um grande receio de que os funcionários tirassem fotos de qualquer coisa, apesar de sua área de trabalho se restringir à cozinha e aos pratos que preparava. O contato com o banqueiro era sempre intermediado por um mordomo, e sua rotina era intensa, com refeições servidas desde o café da manhã às 6h até o jantar, o que limitava seu tempo para outras atividades.

As investigações da PF sugerem que Daniel Vorcaro mantinha ligações com um grupo conhecido como “A Turma”, que teria sido remunerado para intimidar e espionar indivíduos considerados desafetos. Embora o documento não apresente provas de que os responsáveis por ameaçar o ex-funcionário integrassem diretamente esse grupo, a descrição da abordagem se alinha com o perfil de intimidação. O cozinheiro também mencionou ter conhecimento de outro ex-funcionário, um comandante de embarcação, que também teria sido ameaçado após expressar insatisfação com as condições de trabalho e ameaçar divulgar filmagens e diários de bordo, indicando um padrão de conduta.

Conexões Políticas e Outras Acusações Contra Daniel Vorcaro

Além das denúncias de intimidação de ex-funcionários, os documentos da PF revelam que Daniel Vorcaro teria financiado viagens de figuras políticas proeminentes. As investigações indicam que o banqueiro arcou com custos de quase R$ 500 mil em viagens do senador Ciro Nogueira (PP-PI) para destinos internacionais como Nova York, Paris e Courchevel. Adicionalmente, diárias em um hotel de luxo em Lisboa teriam sido pagas para o deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara.

A Polícia Federal aponta que essas vantagens financeiras seriam uma retribuição de Vorcaro em troca da atuação dos parlamentares no Senado para defender seus interesses. Atualmente, Daniel Vorcaro encontra-se detido em Brasília (DF), enquanto as investigações prosseguem para esclarecer a extensão de suas atividades e as ramificações de suas relações no âmbito político e empresarial. Para mais informações sobre investigações de grande repercussão, consulte fontes confiáveis como a Agência Brasil.

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